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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Feliz Ano Novo!

Desejo a todos um Feliz Ano Novo...
Final de ano é sempre muito corrido, mas na primeira semana de janeiro já estarei de volta ao blog!

domingo, 25 de dezembro de 2011

O Amor fraternal

Alice me entrega um embrulho de presente e avisa, empolgadamente, que é para o Lucas. ela mesma começa a abrir até revelar uma chupeta velha. E, exclama, explicando:
"Mãe, é a minha chupeta velha, eu nunca usei mesmo, né? Então eu dou pra ele! Acho que ele vai gostar, né?"
E eu quase morro de amores pela minha filha que já é tão apaixonada pelo irmão... até a primeira Barbie decapitada!
Feliz Natal para vocês também!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Ho Ho Ho

domingo, 18 de dezembro de 2011

4 anos

São 4 anos que existo como mãe. Adoro essa profissão. E esse ano virá com uma promoção para o cargo de mãe de dois! Amor em dobro, trabalho em dobro, felicidade em dobro!
Obrigada filhinha por ser a melhor chefe do mundo e parabéns por completar seus 4 aninhos!

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

O Fantástico Mundo de Alice

Uma pausa da correria de final de ano para uma rápida historinha.
Alice estava muito cansada, dormiu por quase 14h seguidas de ontem para hoje. Quando acordou, falei para ela que ela tinha dormido mais que a cama, espantada ela replicou: "Não, manhê! Camas não dormem! Elas nem têm olhos para isso!"
Tem vezes que eu acho que minha filha é o próprio Bob!

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Pausa para os comerciais

A Mãeterna está em fase de fabricação de aniversário caseiro, com isso o tempo anda corrido e curto... volto quando minha filha tiver 4 anos!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

A diferença entre os meninos e as meninas

"Mãe, quando você pediu o Lucas, pediu para ele ser igual a mim?"
"Pedi sim, filha, pedi para ele ser lindo como você!"
"Mas, só que ele vai ter pinto e eu tenho perereca!"
"Isso mesmo filha."
"É que meninas têm perereca. Elas sentam na privada para fazer pipi. Os meninos têm pinto. Eles encostam na privada de pé e apertam bem para sair o pipi!"

Ok, acho que ela está confundindo o pipi dos meninos com uma ordenha de vaca! Vou ter que esclarecer isso antes do pobre do irmão nascer!rs

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Thanksgiving

Hoje, na aula de inglês da escola, a turminha da Alice fez um lanche coletivo para que pudessem entender um pouco esse feriado americano e aproveitá-lo para aprender novas palavrinhas em inglês.
Alice, ao se deitar, comenta comigo sobre o lanche coletivo dizendo: "Mãe, foi legal o lanche coletivo da aula de inglês hoje. Cada um tinha que agradecer por alguma coisa. Sabe o que eu agradeci?"
"O que, pequena?"
"Agradeci pela minha mommy linda!"

E, lógico, a mommy caiu no choro, né?

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

O Fio que nos conduz

Alice ama livros. Um dos seus programas favoritos é ir para uma livraria e se enfurnar no departamento de livros infantis por algumas horas para poder ler tudo que tem nas prateleiras (acho que é genético, cansei de fazer turismo literário na Barnes & Nobles!). E, nessa onda, acabamos encontrando muitos livros legais e alguns nem tanto.
Um dos que ela mais curtiu até hoje foi um livro sobre mães (me batam, eu não lembro o nome do livro nem da autora!), no qual a autora falava que as mães e os filhos eram ligados por um fio invisível que ia de um coração ao outro, e que esse fio fazia com que as mães sentissem tudo o que os filhos sentiam e nunca estivessem muito longe deles, mesmo quando não estavam presentes.
Alice achou essa idéia SENSACIONAL. Repetiu para todo mundo e virou e mexeu, olhava para mim, e, com os dedinhos pinçando um fio imaginário, gesticulava o fio indo do coração dela para o meu. Toda noite, antes de dormir me falava que iria dormir bem pertinho de mim por conta do fio que nos ligava.
Também em sua onda literária, Alice aprendeu sobre os mitos gregos e as lendas brasileiras e concluiu, por conta própria, que a grande diferença entre os dois seria que os mitos teriam acontecido num passado remoto, enquanto as lendas eram só faz de conta.
E assim, juntando lé com cré, Alice, certa noite, ao deitar, anuncia:
"Mamãe, sabe aquele fio que liga o teu coração no meu? Ele é uma lenda, não é de verdade!"
"Filha, ele não é uma lenda, é que ele é imaginário..."
"Não, mãe, é mentira, ele não é de verdade, é só uma lenda. Nossos corações não são ligados!"
"Filha, não é uma mentira, é imaginário. Imaginário, quer dizer que ele só é verdade na nossa imaginação, na nossa cabeça. Mas não é mentira, nem lenda! Meu coração é ligado ao teu porque eu te amo muito!"
"Eu também te amo, mãe, mas é de mentira o fio, porque, quando eu fico longe de você, eu sinto saudade, e você sente saudade de mim quando você fica longe de mim! O fio não existe, viu!"
"Filha, é lógico que eu sinto saudade, mas não importa onde você esteja, só porque eu penso em você, já me sinto mais pertinho... isso é que é o meu fio imaginário!" (tá... ela tem só 3 anos e 11 meses e eu talvez tenha exigido um pouco de abstração demais, mas, não tem como não viajar junto com ela, né?rs)
"Tá, mãe... mas, se você morrer, eu VOU chorar, tá? Porque o fio é de mentira e você não vai poder ficar comigo depois que você morrer!"
OI????? Como assim, né?
"Tá, filha, vamos combinar assim então, se eu morrer você pode chorar a vontade! Mas fique sabendo que mesmo morta eu vou sempre pensar em você e te amar muito muito muito, tá bom?" (aprendi na faculdade de psicologia que papo de maluco não se corta, se contorna!rs)
"Então tá, mãe, combinado!"
E assim, feliz e satisfeita com o papo que tivemos, Alice me deu um longo beijo, um delicioso abraço, me afagou o rosto, como sempre faz, virou pro lado, deu um longo suspiro e dormiu tranquilamente o seu sono dos justos.
E o que parecia um papo de maluco meio mórbido acabou sendo uma das mais deliciosas declarações de amor que minha filha já me fez! Além do que, percebi que ela, não sei como nem porque, já elaborou bem mais do que eu podia imaginar, a questão da morte e da ausência. Sem medos, nem crenças malucas de estadias em paraísos de papais do céu, e sem tabus. Afinal, quem mistifica esse momento somos nós, os adultos.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Meu filho sabe mais que o teu... la la li la la ra

Se tem uma coisa que me irrita profundamente é a competição materna! O pior é que ela é tão comum que é impossível fugir dela!
Começa na barriga. Tem aquelas mães que adoram dizer que fizeram a ultra e que o médico disse que o filho dela está enorme, acima da curva. Contam isso como se fosse grande vantagem. Certa vez uma me contou, como quem conta que ganhou na loteria, que o médico tinha dito que, caso o filho dela continuasse crescendo na barriga como estava, nasceria com quase 5kg! Veja bem se isso lá é vantagem! Faltou o médico explicar a ela o pequeno detalhe que crianças que nascem acima de 4kg precisam ser observadas de perto para o diabetes... pois bem, quero meu filho na curva, nascendo bonitinho com seus máximos 3.500kg! Acima disso não é vantagem, é risco!
Aí a criança nasce e começa a fase de comparação: "Meu filho está só com 15 dias e já levanta a cabeça! E o teu?", "Meu filho só tem 3 meses e, olha só, já está nascendo dentinhos! E o teu?", "Meu filho aprendeu a falar com 7 meses! Com 9 já fazia frases! E o teu?", "Meu filho, com 7 meses, andava a casa inteira! Não tinha quem o segurasse! O teu AINDA não anda?" e assim vai!
Pois bem, eu geralmente dou uma boa zoada em quem começa com essas comparações cretinas e já respondo na lata coisas como: "15 dias só? A minha já chegou do berçário levantando a cabeça!!!" e, pronto, a mãe tão cheia de si já entra numa espiral maluca de que o filho sofre com atrasos! Sou má, não nego!
Seria importante que as mães "comparadoras" entendessem uma única coisa: CADA CRIANÇA TEM O SEU TEMPO!
Alice falou cedo, com 10 meses soltou sua primeira palavra, com 15 meses juntou suas primeiras duas palavrinhas numa pseudo frase! Hoje, aos quase 4, ela fala tudo e tem um rico vocabulário. Em parte por estímulo meu, em parte por curiosidade própria! Mas, ela está no tempo dela, nunca foi apressada e nem é superdotada. Simplesmente, na programação genética dela estava escrito que ela seria uma criança que falaria cedo! Em compensação, com 16 meses é que deu seus primeiros passos solo! No aniversário de um ano ela mal andava de dedinho, curtia mesmo era engatinhar e nem com apoio queria saber muito do assunto andar. Muita gente dizia que eu deveria levá-la a um neuro ou a um ortopedista porque ela devia ter problemas, mas eu sempre soube que não tinha que me preocupar, afinal, tão ocupada estava em falar (não sei a quem saiu essa matraquinha) que o cérebro não tinha muito tempo para se concentrar no andar!
E mais, depois que andou, até quase 2 anos e 3/4 meses, ela parecia um pinocchio desengonçado. Era capaz de pinçar qualquer poeirinha do chão, mas sempre que saia correndo em disparada levava um senhor tombo de cara! Me mandaram num ortopedista que concluiu que ela tinha pernas tortas (que surpresa, minha filha com pernas tortas!). Mandou jogar fora todos os sapatos dela e comprar só tênis de cano longo de couro. E, de quebra, mandou botar uma incômoda e caríssima palmilha no tal tênis. Liguei para um tio ortopedista que explicou que se eu colocasse a tal palmilha a perna dela tinha 90% de chance voltar para a posição correta até os 5 anos, e se eu não colocasse, a perna dela tinha 90% de chance de voltar para a posição correta até os 5 anos. Não coloquei palmilha nenhuma e cá está ela, aos quase 4, com a perna retinha e linda e correndo como uma gazelinha! Era só o tempo dela de ajustar a postura, e nada mais!
Pais que adoram se gabar da genialidade dos filhos esquecem a dificuldade que é, para uma criança superdotada, se adaptar ao mundo! Crianças superdotadas, inevitavelmente, acabam em um certo desajuste social. Seja porque não foram "adiantadas" e se entediaram na escola e acabaram buscando outras formas de estímulo (geralmente encrencas) ou seja porque terem sido "adiantadas" e forçadas a se adaptar a um cruel mundo de crianças mais velhas do que ela. A superdotação não é uma grande vantagem... é quase um problema!
Pior ainda é a criança que não tem nada de superdotada, mas cujos pais AMAM se gabar da inteligência suprema dela. Essa vive sobre a contínua pressão de ser o que não é, de conseguir mais do que pode, de se manter no topo da curva. As conseqüências podem ser graves, acreditem!
Então, mamães e papais, babem suas crias, achem elas o máximo, contem para todos as gracinhas que elas fazem e falam, mas lembrem-se que é importante respeitar o ritmo delas e, especialmente, é importante não ensinar a elas que elas tem que ser mais do que os outros! Ensinem aos seus filhos a lutarem contra seus próprios obstáculos por si próprios e não para serem melhores do que seus coleguinhas!
Não saiam ensinando seus filhos a escrever nas horas livres deles, não sentem com seus filhos de 3 anso e repassem o alfabeto e a ordem das letras. Se a criança se interessar, entre na onda, mas sem empurrar mais longe do que a criança pode ir.
Alice se interessou pelas letras bem cedo, com pouco mais de 1 ano e meio. Adorava reconhecer as letras e me perguntava "m de mamãe?". Depois ela desencanou e as letrinhas de brinquedo cairam para escanteio. Agora voltou sua paixão, quer escrever coisas. Me pede para escrever coisas no papel e copia. Mas, espero que essa paixão se acalme um pouco para ela poder curtir a descoberta das letrinhas junto com seus coleguinhas! Alguns saberão tanto quanto ela, outros menos e outros mais, mas todos estarão descobrindo o mundo mágico das palavrinhas juntos. E que delícia que isso será. Então, para que apressar a infância dela? Porque roubar dela esse momento maravilhoso de descoberta só para fazê-la parecer "mais" do que os amiguinhos dela!
Repitam sempre em suas cabeças que algumas coisas seus filhos farão melhor do que outras crianças, mas outras crianças farão outras coisas melhor do que seus filhos! E isso é que dá a graça do convívio em grupo, cada um, nas suas habilidades, ajuda o outro a ir mais longe!
Portanto, fica a minha história pessoa para quem quiser ouvir. Minha filha falou cedo, mas custou MUITO a andar, curte letrinhas, mas DETESTA colorir (agora está começando a curtir)! Minha filha é uma criança de quase 4 anos, inteligente sim (e que filho não é!), mas absolutamente dentro da curva! Meu filho, ainda na barriga, está enorme, mas dentro da curvinha que deveria estar, não é nenhum superdotado do desenvolvimento intrauterino! Ele nascerá grandão, provavelmente com alguns gramas acima de 3kg, mas será meu grandão mesmo assim! E levantará a cabecinha dele no tempo dele, engordará o que deve, dentro da curva dele e passará cada etapa da vidinha dele dentro da curvinha dele, especialmente considerando que ele será o segundo filho e a curvinha de desenvolvimento dele será totalmente diferente da irmã! Ele será único e especial, conviverá com a irmã única e especial e com todos seus amiguinhos únicos e especiais! E, torço, não será nem mais nem menos do que ninguém mais, só competirá com ele mesmo!

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Sobre Gerson e suas Leis na maternidade

Se tem uma coisa que eu não curto é quem vive pela Lei de Gerson (para quem não conhece a lei de Gerson, recomendo clicar aqui para entender: Vila Rica-1976). O problema com a Lei de Gerson é que ela, inevitavelmente, desafia os limites da Ética e, esses limites nunca deveriam ser ultrapassados... nem um pouquinho, porque, na boa, não existe MEIA-ÉTICA.
E, atualmente, o que vejo por aí é muita gente ensinando aos filhos, seja direta ou indiretamente, que o importante é tirar sempre o melhor de todas as situações vividas, doa a quem doer. Situações como pais ensinando filhos a furar filas, mães ensinando aos filhos que devem mentir sua idade para baixo para poder entrar de graça em algum lugar, ou a mentir essa idade para cima para poder entrar em um lugar.
Recentemente testemunhei uma mãe dando um "jeitinho" para os filho dela ir num circuito de arborismo, mesmo estando ele abaixo da idade e altura indicada... moral da história, o menino teve muita dificuldade no circuito e, pior, atrapalhou todos os outros que estavam lá. Testemunhei pais dizendo para filhos que eles já aparentavam mais velhos de 7 anos, portanto não precisavam mais seguir a lei do cadeirão. São tantos casos que, sinceramente, me questiono se a errada sou eu que faço minha filha esperar na fila, andar de cadeirão e nunca mentir sobre nada para ninguém!
O que me impressiona, acima de tudo, é que esses pais, ao ensinar os seus filhos a tirarem a vantagem para si, em qualquer situação, muitas vezes colocam de lado a segurança de seus filhos! Parecem não entender que um circuito de arborismo exige determinada altura e idade porque, caso a criança esteja abaixo disso, pode se machucar no meio do caminho! Parecem achar mais legal o filho andar fora do booster e parecer mais velhos, do que estarem seguros dentro do carro.
Eu sou do time das chatas... aliás, sou mãe chata para caramba! Não uso cadeirão de carro para evitar multa, não me importo da altura ou idade da minha filha, vai usar o booster enquanto for recomendado para ela! Aliás, ela está com peso e altura para andar num booster, mas ainda cabe no seu cadeirão com cinto de 5 pontos. Então, no carro do pai, onde anda eventualmente, ela tem o booster (com encosto e proteção lateral para a cabeça), mas no meu, e sempre que viajamos, ela anda no cadeirão, bem presa no seu cinto de 5 pontos!
Outra coisa que não entra na minha casa é DVD Pirata e não fazemos downloads irregulares!
E, para ensinar para a Alice sobre a importância da ética, me policio muito para seguir à risca determinadas coisas que, as vezes, acabamos deixando de lado. Não existe, aqui em casa o "meio" certo: se é lei, obedecemos! Não se ultrapassa sinal vermelho nenhum, não atravessamos fora da faixa, não furamos fila (isso eu nunca fiz mesmo!), não deixamos passar o "erro no troco", e assim por diante... aqui em casa ensinamos vivendo e dando o exemplo, aqui em casa lei é lei, mesmo quando não concordamos com ela, e a Lei de Gerson não tem espaço!
Nem sei onde eu pretendia ir com essa minha divagação... aliás, nem acho que queria ir a algum lugar... acho que é um desabafo porque realmente ando me sentindo um ET! Mas, acho que há pouca discussão sobre a questão da ética na educação atualmente, aliás, se bobear, muita gente que anda educando filho sequer sabe o verdadeiro significado da palavra! Hora de mudar isso, né?

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Formulários bizarros

Amiga minha, mãe solteira, indignada com o formulário que precisava preencher para efetuar a matrícula da filha na nova escola, veio pedir socorro para as amigas. A pergunta que a chocou, acreditem, era a seguinte: "Quanto tempo após o casamento foi a concepção da criança?"
Bem... como eu não sou uma pessoa que deixa esse tipo de coisa barata, provavelmente responderia malcriadamente, já que não teria nenhuma chance da minha filha ingressar nessa escola... Portanto, minhas sugestões de resposta, que seriam um tanto desaforadas e um outro tanto desconcertantes para a escola, seriam:

1) "Casamento? Que casamento?"
2) "Não somos casados, a lei ainda não permite caamento entre irmãos!"
3) "Ele casou com minha mãe uns 20 anos antes de concebermos!
4) "Não houve casamento, mas se fizerem questão posso ir até o presídio ver se ele quer casar comigo"
5) "O casamento do pai dela com o João, meu melhor amigo, foi uns 3 anos antes da concepção!"
6) "Minha filha é fruto de uma imaculada concepção... certa noite eu dormia e um pombo pousou no meu ventre!"

Sinceramente, senhores criadores de formulários escolares, tenham cuidado com o que me perguntam!

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Independência (ou teste) Financeiro

Hoje eu estava de papo com uma pessoa na escola, e Alice querendo ir embora. Para distraí-la, resolvi, pela primeira vez, entregar um dinheirinho a ela para comprar um pão de queijo sozinha. Eu só tinha uma nota de R$10, e falei a ela que depois me desse o troco. E lá se foi a minha baixinha, toda feliz, fazer a primeira compra independente dela.
Pouco depois fui encontrá-la na cantina e encontro a atendente rindo e se divertindo... segundo sua narração, a troca de idéias se deu da seguinte forma:

Alice, do alto dos seus 101cm chegou ao balcão e entregou a ela uma nota de R$10 declarando: "Por Favor, eu queria um pão de queijo!" (frase previamente ensaiada pela mamãe!)
A atendente, achando graça, perguntou: "Mais alguma coisa?"
Alice, esperta, sacando que isso indicava que dava pra comprar mais alguma coisa, responde, meio em dúvida: "e um Toddynho?"
A atendente já começando a rir, entrega o pão de queijo e o Toddynho e pergunta: "Algo mais?"
Alice, testando para ver se colava, pergunta: "Quatro pães de queijo???"
A atendente começa a rir abertamente e explica que, quando ela terminar de comer aquele que ela tinha comprado, poderia voltar para comprar outros, junto com a mãe dela!

E, assim, Alice saiu dali, toda feliz com a sua compra e seu troco... e eu descobri que ela ainda não está pronta para encarar decisões de compra sozinha*!

* Se bem que, alguma mulher está???

PeLinatal

Por uma grata conicidência, justamente quando eu estou preparando Alice para a chegada do irmãozinho, as pessoas que eu conheço e gosto resolveram começar a dar a luz. Com isso estou tendo a oportunidade de mostrar para a Alice como é toda a função do nascimento de um bebê. Curiosamente, um dos bebês que levei a nanica para visitar nasceu na mesma maternidade onde Alice nasceu e Lucas nascerá, com isso pude mostrar para ela como será o "passo a passo" do dia do parto. Ela está achando um barato essa onda de "fábrica de bebês", mas está cheia de perguntas.
"Mãe, quando você for ter o Lucas lá na PeLinatal, vocÊ vai andar naquele carrinho de mães que vimos na outra maRtenidade?" (O tal carrinho de mães é a maca, que ela viu na visita que fizemos ao segundo bebê nascido essa semana)
"Sim, filha... devo andar nele sim..."
"Eu posso ir junto para passear naquele carrinho de mães?"
"Eu vou pedir pro enfermeiro deixar você vir junto com a mamãe até o elevador, tá?"
E, pronto, ela está em êxtase!

Além disso, ela está sendo "adestrada" sobre o comportamento a ser adotado em visitas a recém nascidos e, quando falamos em ir visitar um deles, ela já enuncia: "Regra número 1: Silêncio! Regra número 2: Não chegar muito perto do bercinho!"
E assim vamos nos preparando para a chegada do nanico... com a certeza de que, na hora H, todo esse preparo vai por água abaixo e ela terá todas as reações típicas de uma irmã mais velha!

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Vida de avô... quer dizer, Pai!

Vez ou outra meu marido é quem leva Alice para a escola. Ela ADORA. Anda toda orgulhosa, mostrando o pai para todo mundo.
Mas, eis que outro dia ela desce do carro com o pai e um amiguinho, com a mãe, os vêem.
"Olha, a Alice veio de pai pra escola hoje!" Exclama a mãe do menininho, percebendo a alegria dela.
O pai, imediatamente, estufa o peito e fica todo contente do lado da princesinha dele.
"Pai nada, mãe, é o avô!" Retruca o filho/amiguinho.
Pronto... o pai murcha e se dá conta que essa é uma das conseqüências de se ter filhos quando somos mais maduros!rs

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Ignorando!

Alice está aprendendo a se controlar e não revidar nem aceitar provocações das implicâncias dos amiguinhos, tão comuns nessa fase da vida.
Mas, no meu papel de mãe consciente, estou tentando.
Com isso, explico a ela que quando um amiguinho implicar com ela, ela não deve retrucar, mas, primeiro dizer para o amigo que não é legal implicar, e, se o amigo persistir, deve simplesmente ignorar e ir brincar de outra coisa ou com outra pessoa. Mas que não deve aceitar a provocação porque isso só faz a briga continuar.
Hoje, ela e um dos seus grandes amiguinhos, deram de se dibicar sobre a existência de lagartos no Jardim Botânico. E não conseguiam chegar a um consenso.
O pai dele e eu chamando a atenção deles a cada "bobo/a" ou "feio/a" proferido, até que, finalmente, Alice teve o momento luz e decidiu seguir meu conselho... quer dizer, quase...rs
"Alice é boba e chata... lalalilalala" disse o amiguinho.
Olhando para ele, direto nos olhos, ela retrucou: "Tô te iNginorando!!!!"
"Alice é boba e chata... lalalilalala" repetiu o amiguinho.
"E eu tô te iNgnorando, lalalilalala!" retrucou ela novamente...
E essa troca continuou por cerca de 10 minutos, até que chegou a hora dele descer do carro e tudo voltou ao normal...
Cinco minutos mais tarde Alice já perguntava se podia convidá-lo para brincar na casa dela e, ele, imagino, falava algo similar na sua casa.
E eu acho que a Alice começou a entender o conceito de ignorar a implicância... ou não!rs

terça-feira, 25 de outubro de 2011

O outro

Essa tese não é minha. Não sei de quem é, me foi contada por aí, por várias pessoas, portanto é impossível creditá-la a quem de direito. Mas, repito, não fui eu quem bolou essa tese, não quero roubar o crédito de ninguém. Mas, como acho a tese genial, replico ela aqui para quem quiser ler.
A chegada do segundo filho é sempre uma encrenca. Por mais que o primeiro filho queira um irmão, que ele diga com todas as letras que está achando o máximo a chegada deste irmão, lá no fundo ele vive um enorme conflito que um adulto é incapaz de compreender. Mas, talvez a comparação mais aproximada seja essa.

Imagine que você se casou tem coisa de 3 anos. Se até agora seu marido chegava em casa todo cheio de energia para te contar tudo do dia dele e ainda te encher de mil carinhos o tempo todo. Agora você já não é mais novidade, a casa já caiu na rotina e tem dias que o marido está morto de cansado e simplesmente não tem energia para te encher de carinhos mil o tempo todo. E ele acha isso normal, afinal, já se criou uma zona de conforto onde você sabe que ele te ama, mesmo sem tudo isso, e vice-versa.
Do nada ele começa a se empolgar com a montagem de um novo quarto. Compra lindas roupas novas, que não são para você. E, então, senta e te explica.
"Sabe, amor, é que eu decidi trazer uma outra mulher aqui para casa. Ela é mais nova e muito bonitinha. Faz gracinhas várias e você vai adorar brincar com ela. Vai ter noites, meu amor, que não vou conseguir te dar muita atenção porque ela vai chorar e preciso ficar com ela. Afinal, ela ainda é muito novinha e não entende como você. Ahhh, e vai ter dias que vai ser assim também.
No início, espero que você não se chateie com isso, não vamos poder fazer muitos programas de sair o tempo todo, porque a nova mulher ainda não está habituada a ir para a rua. E depois ela sempre vai nos acompanhar nos nossos programas... é, aqueles programas só de nós dois, serão agora de nós três. Mas, fica tranquila, porque você vai gostar de ter alguém com quem conversar!
Outra coisa é que ela vai querer ser tua melhor amiga e te imitar em tudo, então espero que você não se incomode de dividir tudo que é seu com ela. Inclusive tuas roupas favoritas!
E, olha, não fique preocupada, pode tirar essa ruguinha da testa, eu vou continuar te amando como eu te amava, e vou amá-la igualzinho eu amo você. Prometo que não farei diferença no amor que eu sinto pelas duas, tá?"
E assim, depois do teu marido passar 9 meses só falando nisso, com todo mundo só perguntando sobre isso, inclusive para você, e depois de uns 3 meses onde seu marido está tão gordo que mal consegue te pegar no colo e sentar no chão para brincar com você, lá vem ela certa manhã. Toda cheirosinha, mas sendo capaz dos mais fedorentos atos escatológicos. E todo mundo acha lindo. Os teus atos escatológicos já foram , há tempos, reduzidos a "ecas" a serem trancafiados no banheiro, os dela vêm seguidos de "que fofinha, que graça!
Ela chega e decide não deixar ninguém na casa dormir de noite porque só quer saber de chorar ou brincar falando alto noite adentro, enquanto você, tem muito tempo, leva broncas se, depois da luz apagada, resolve ficar acordada.
Ela vai quebrar coisas (inclusive as tuas) e ninguém vai falar nada, mas você continuará levando altas broncas por botar a mão naquilo que não te pertence!

É... essa onda de irmão é legal, né?
É importante ter muita compreensão nessa fase, não é esse mar de rosas que pode parecer, viu!

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Paradoxo

Alice brava comigo por eu insistir que ela precisava ir para a escola. Eu tentando fazer alguma coisa para distraí-la (que é o pulo do gato para convencê-la a qualquer coisa no mundo sem uma briga do tamanho do mundo).
"Alice, o Lucas quer dar bom dia..." (normalmente isso resulta num grande e carinhoso beijo na barriga...)
"Bom dia, Lucas..." Responde ela meio sem paciência.
"E o beijo dele?" Pergunto.
"Se eu der um beijo nele, você vai sentir! E eu tô de mal de você, lembra???" Ela responde como quem diz a coisa mais óbvia do mundo.

sábado, 22 de outubro de 2011

A redinha terapêutica


Fiquei encantada com a matéria do Globo sobre as redinhas que estão sendo usadas nas UTI Neo de Macéio... quero uma redinha dessas em casa... quem sabe não foi isso que faltou para a Alice dormir bem quando era pequenina???
Quem quiser ler a matéria, é só clicar aqui
Aliás, um daqueles exemplos onde conhecimento popular se mostra mais útil do que mil inventos tecnológicos!

(foto tirada do site do O Globo)

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

A privacidade dos filhos

Parece até ridículo que uma blogueira materna vá defender a privacidade dos filhos, né? Mas é isso mesmo, gente... acho importante como tema então lá vou eu...
Sempre fui uma pessoa que prezou muito a privacidade. Desde muito cedo meus pais me ensinaram a bater na porta do quarto deles antes de entrar, me ensinaram que não era para eu entrar, sem autorização, no quarto das pessoas. Também me ensinaram que eu, mesmo criança, tinha direito a ter a minha privacidade respeitada. Nunca fuçaram minhas gavetas, nunca leram meus diários, nunca entraram no meu quarto sem bater de a porta estivesse encostada. O conceito era simples:cada um tem direito ao seu espaço.
E isso passava também para o mundo lá fora. Meus pais nunca "apareceram" na escola para ver o que eu fazia lá... se viessem, me avisavam que viriam. Nunca foram falar com professores sem meu conhecimento. Nunca discutiram a minha vida com outros, sem ants me informar que isso seria feito e, normalmente, sem me incluir no assunto.
Na terceira série me lembro bem que tive uma dificuldade qualquer na escola. Minha mãe foi chamada, e, quando a diretora a chamou para conversar, ela fez questão que eu estivesse junto com ela para ouvir e poder me defender.
Acho que isso, esse respeito pela privacidade do outro, foi uma das coisas que mais admirei nos meus pais. Privacidade, acredite ou não, é um valor! E é tão importante quando a ética, quanto a honestidade, e quanto tantos outros valores que precisamos respeitar. A coisa é simples: a vida de cada um é de cada um e ninguém tem o direito de invadir o espaço pessoal dos outros.
E eu faço questão de respeitar isso dentro da minha casa e de ensinar isso para a minha filha. Meu marido e eu temos a política de conversar sobre tudo, de nada esconder do outro. Temos todas as senhas do outro, e acesso pleno a qualquer informação do outro que possamos querer. Mas, NUNCA passaria pela minha cabeça, nem pela dele, de abrir uma carta que esteja no nome do outro, de entrar na caixa de e-mails do outro, ou na conta bancária do outro. Nunca abro a pasta de trabalho dele sem que ele me peça, ele nunca enfiou a mão na minha bolsa sem que eu pedisse. Nunca ele olhou a minha lista de contatos ou telefonemas do celular, nem eu no dele. É simples, temos uma vida em comum, mas temos direito ao nosso espaço. Trata-se de confiança e respeito, e só.
E Alice já entra nesse samba. Já aprendeu que se a porta estiver encostada, não pode entrar no nosso quarto sem bater. Sabe que se tem alguém no banheiro, não pode abrir a porta (aqui não se tranca porta de banheiro). Alice já aprendeu que não pode pegar coisas na minha bolsa, nem na mala do pai. E ela já aprendeu que assim como nós temos o nosso espaço, ela tem o dela. Ela sabe que quando vai ao banheiro, ela não é obrigada a me ter como testemunha lá dentro. Ela me pede para colocá-la no vaso, eu saio, quando ela termina, me chama para ajudá-la a se limpar, mas o momento banheiro ela já ganhou como sendo só dela. Ela também já aprendeu que quando ela está no quarto dela brincando, não é obrigada a me ter lá dentro. Se me diz que quer brincar sozinha, é respeitada.
Quando escolhi a escola que eu queria para ela, uma das coisas que pesou foi esse direito à privacidade da criança. Várias escolas me ofereciam, como "diferencial", o acesso a webcams que constantemente tinham minha filha sob sua mira. Aquilo me causava estranheza. Veja bem, quando escolho a escola, confio, se tenho qualquer motivo para desconfiar, pego meu banquinho e saio de fininho, mas não deixo minha filha lá. O momento escola é um momento que eu entendo como sendo da criança, e não dos pais. É ali que ela vai aprender a conviver e interagir com o mundo LONGE dos meus olhos. A escola, ao meu ver, precisa ser aberta, mas não precisa ser foco de espionagem materna. Aberta, digo, no sentido de que eu, como mãe, preciso ter o direito de entrar na escola a qualquer hora, de qualquer dia, bastando, para isso, chegar ali e pedir para ir até a sala do meu filho, seja acompanhada por alguém da escola, ou sozinha. Aberta no sentido de que a escola não deve ter nenhum ambiente onde a criança fique fora da vista dos responsáveis. Exceto no momento que está no vaso sanitário, o resto do tempo não há porque ocultar atividades.
Aliás, na maioria das vezes que ouço pais falando da escola dos filhos com webcams, ouço o discurso do "ADORO saber o que meu filho está fazendo, adoro dar aquela espiadela!" e quase nunca ouço que os pais olham as cams para garantir que os filhos estão sendo bem tratados.
Em tempos de Big Brother, a coisa toda faz sentido na minha cabeça. Existe uma necessidade extrema de se saber, o tempo todo, sobre o que o outro está fazendo. Ninguém tem mais o direito de estar em algum lugar sem que alguém o observe. Isso, sinceramente, me dá medo!
A escola da Alice é perfeita nesse sentido. Todas as salas têm enormes janelões e, as poucas que não têm, tem portas com vidro para que nunca, em momento algum, a visão para dentro da sala seja obstruída. Existem câmeras de segurança, que podem ser vistas de dentro da sala da coordenadoria, pela coordenadora, que, dessa forma, consegue vencer a lei da física e estar em todos os lugares ao mesmo tempo. A qualquer momento que eu chegue na escola, se eu pedir para ir até minha filha, sou levada de imediato, sem nenhuma burocracia. Não há segredos, não é cantinhos, é aberta. MAS, também não há espionagem. Pais podem entrar e olhar, mas ninguém pode fotografar os ambientes pedagógicos e operacionais da escola sem a autorização expressa da diretoria e ninguém pode, sem o conhecimento da escola, observar as áreas internas onde circulam os alunos.
Essa onda de webcam, conquanto possa parecer um genial avanço tecnológico que se alia aos pais, é perigosa. Veja bem, qualquer um, com a senha, pode observar, em detalhes, a rotina de uma criança ali dentro. E, sabemos bem que senhas de internet são facilmente descobertas... não fosse isso verdade, não teríamos tantas fraudes virtuais e tantos hackers especializados em quebrar e roubar senhas de computador. Curiosamente, aquilo que protege, coloca em risco. Prefiro minha filha segura dentro da escola que eu confio, do que sob a minha espionagem, e de tantos outros que queiram olhar o cotidiano dela!
Além disso, Alice tem o direito de me contar o que quer que eu saiba sobre a escola dela. Lógico que as coisas importantes chegarão a mim pela diretoria, mas o dia a dia, as pequenas coisas, até as surpresas que ela prepara para mim ai, não precisam estar sob meu escrutínio contínuo. Para isso eu pago uma mensalidade cara, para poder deixar minha filha num espaço onde ela tem a oportunidade de se desenvolver em segurança e sob orientação profissional ALÉM do meu controle!
Acho que cada um sabe o que faz, mas, na minha casa é assim que a banda toca. Todo mundo tem direito a ter seus momentos de privacidade, inclusive os pequenos. E acredito que é assim que criamos adultos responsávels, dando a eles a chance de ser o que são FORA do alcance dos olhos de mamãe e papai. Criamos filhos para o mundo, e não para controlarmos todo e qualquer ato que eles fazem.
Mas, como eu sempre digo, isso é só a minha opinião. A opinião de uma mãe que tenta acertar, mas que não é dona de nenhuma verdade.

ps - em tempo, vale dizer que eu publico fotos da minha filha na internet e que conto suas peripécias aqui no blog. Mas, tomo alguns cuidados, entre eles, o de nunca colocar nada que possa colocá-la em risco real e, principalmente, nunca relatar nada que seja tão pessoal dela que possa, no futuro, ser usado contra ela. Conto apenas pequenas "corriqueirices" que refletem o desenvolvimento normal de qualquer criança. E, se um dia ela disser que não quer mais que eu conte suas histórias para os outros, o blog sairá do ar em dois tempos.
Além disso, faço o blog com carinho e não tenho, nem nunca terei, ambições financeiras com ele... minha filha não é um business e nunca será.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

As cores das pessoas

Alice sentada no seu cadeirão do carro brincando com seu Pablo e sua Uniqua.
"Oi, Uniqua"
"Oi, Pablo"
"Uniqua, quer casar comigo?"
"Não posso, eu sou de cor diferente de você!"

Mãe no banco da frente escuta aquele alarme soando alto: MOMENTO PEDAGÓGICO!!!!
"Filha, pessoas de cores diferentes podem se casar sim!"
"Não mãe, não podem!"
"Mas filha, a tia Vi e o tio Si são casados, não são?"
"São!"
"E eles não são de cor diferente?"
"São..."
"E não são felizes e têm um filho lindo?
"Tem!"
"Então, pessoas de cores diferentes podem casar sim, viu!"

Sem responder ela retomou a brincadeira, como quem nunca tivesse parado para falar comigo.
"Oi, Uniqua"
"Oi, Pablo"
"Uniqua, quer casar comigo?"
"Tá, eu posso!"

Será que é tão fácil assim vencer os preconceitos? Se for, estou tão feliz de ter conseguido!rs

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Não vale a pena - a criança cara de pau!

Sou vizinha de porta da minha sogra, por opção, antes que alguém me chame de pobrezinha. AMO a minha sogra e não quero outra coisa na vida além de ser vizinha de porta dela. A melhor parte disso é que Alice tem a avó e o avó bem pertinho e convivem com eles diariamente... acho isso MARAVILHOSO!
A relação da Alice com os avós é o máximo. Eles brincam de tudo... é genial!
Mas, Alice é esperta, como toda criança. E, manipuladora, logicamente. Então, em casa não temos NET, mas nos sogros tem. Então, quando ela está lá pode ver os desenhos que ama.
Hoje, quando ela chegou, a avó estava vendo um outro programa. Me despedi dela e falei que em 20 minutos voltava com o jantar. Ela, com a cara mais séria do universo, declara: "Mãe, acho que não vale a pena eu ficar aqui, né?" E continuou explicando: "é que sem desenho do Super Why, eu prefiro ir ver um DVD na minha casa mesmo!"
Lógico que a avó e eu tivemos que segurar a gargalhada. E daí a mãe parte para a "educação necessária" dessas horas: "Não filha... vale a pena sim porque aqui tem uma coisa que em casa não tem!"
"Tem sim, mãe, o desenho do Super Why!"
"Não, filha, tem a sua avó!"
"Ahh, é..." e correu para o quarto apra buscar um presente, me deixando sozinha para filosofar!
Ser mãe é falar com as paredes!

domingo, 9 de outubro de 2011

Sobre o fanatismo e a educação que se dá aos filhos

Pai presenteou filha de 15 anos com ingressos para todos os shows do Justin Bieber no Rio e São Paulo. Para completar ainda presenteou a menina com passagens de avião de São Paulo para o Rio, e hospedagem, por 2 noites, no Copacabana Palace, hotel milionário na praia de Copacabana onde o Justin Bieber estaria hospedado.
Na véspera do show, a menina não se fez de rogada. Na calada da noite, junto com uma amiga, pegou sua mochila, foi para a rodoviária, embarcou num ônibus para o Rio de Janeiro e, chegando aqui, foi fazer escândalo na porta do hotel do músico. O pai, logicamente, descobriu e mandou virem buscá-la, dando, como castigo, a proibição de ir aos shows.
Então, vamos lá, o que pensar disso tudo?
Bem, eu nunca fui fã amalucada de nada. Na minha adolescência eu gostava muito de várias bandas, como PIL, Paralamas, Legião, Smiths, e vários outros. Não obstante, dada a chance, eu jamais soltaria gritinhos, nem tampouco iria para porta de hotel ficar acampada para soltar gritinhos histéricos ao ver um famoso passar. Também não passava pela minha cabeça atordoar uma celebridade na rua. Para não dizer que sou perfeita, certa vez, andando pelas ruas de NYC dei de cara com o Iggy Pop. Fiquei na dúvida se era mesmo ele. Cheguei perto e perguntei: "Are you Iggy Pop?", e ele respondeu: "Yes", eu, sem mudar muito a expressão que eu tinha no rosto falei: "Cool, I like your music". Ele agradeceu e cada um foi pro seu lado. E esse foi o mais perto que cheguei de assediar uma pessoa famosa.
Talvez por isso eu nunca tenha entendido o que leva uma pessoa a encarar sol, calor, frio, chuva, perigo, incomodo, ou seja lá o que for, só para ver a ponta do fio de cabelo de um cantor. Talvez por isso me revolte um pai e uma mãe permitir que uma filha adolescente chegue a esse ponto de fanatismo. Ok, não dá para impedir uma filha de gostar MUITO de um músico, de achá-lo lindo e coisa e tal... mas dá para proibí-la de ir acampar em porta de hotel, de fazer escândalo e soltar gritinhos histéricos. Ou, pelo menos, dá para não encorajar.
Então, voltando a esse pai do início da história, veja bem... a filha errou, fato! Mereceu o castigo, lógico! Mas, foi ele quem permitiu chegar a esse ponto... um pai que compra ingressos para 4 shows, hospeda a filha no hotel do músico, paga passagem de avião, não mede conseqüências, nem o custo de uma coisa dessas, não está ensinando nada para a filha, a não ser que ela, por ser filha de rico, pode ter e fazer o que quiser. Não me importa se, para ele, o custo disso é irrisório, o valor das coisas são aprendidos desde a primeira infância. É o limite do ter, do poder, do dever. Dar tudo, porque pode pagar, é ensinar que tudo pode, porque é rico.
Então, sim, a menina errou, mas errou por culpa desse pai que ensinou a ela que tudo pode!
E é nesse tipo de caso que eu penso quando eu, conscientemente, digo NÃO para a minha filha. Quando eu não dou aquele brinquedo que é caro demais ou quando não a matriculo em todas as aulas de pinturinha, culinária, estripulias, etc, etc, etc, que ela pede. É nisso tudo e um pouco mais que eu penso quando eu digo para a minha filha, que ainda nem bem sabe o que é o dinheiro, que "isso não dá, filha, é muito caro!"
Talvez eu esteja errada, mas pelo menos eu terei o direito de dar uma bronca bem dada quando ela achar que tudo pode e sair fazendo sem medir conseqüências...

sábado, 8 de outubro de 2011

O filho da vizinha

Antes da Alice nascer, eu tinha uma vizinha com um bebê que chorava o dia inteiro e a noite inteira... era de amargar. E o quarto da criatura tinha uma janela para uma daquelas ventilações internas de prédio, tipicamente carioca. Basicamente, a criança chorava e nós ficávamos acordados amargando o choro. Eu nunca reclamei com os pais, é lógico, mas tive impulsos de processar, de reclamar no condomínio, ou o que fosse... fiquei no impulso...
E então Alice nasceu. Ela não era um bebê chorão. Pelo contrário, chorava pouquíssimo, mas quando chorava era de se ouvir no raio de 10 quarteirões. E eu só pensava na vizinha, e em como devia ter vizinho que me odiava só pelos berros da minha pequena!
E então me mudei para um apartamento sem ventilações internas. Uma beleza. Cheio de idosos. Um silêncio sensacional.
E um dia se mudou para cá um casal com filhos. O menino, uma espoleta, malcriado de dar dó. Grita uiva e faz o prédio inteiro participar de suas birras. E, dessa vez, cada vez que ouço, me compadeço e sinto o impulso de sair correndo e dar um abraço solidário nos pais, porque sei que não tenho santa em casa e que, por mais que minha filha não seja de dar escândalos todo dia, quando dá, é de vender ingresso!
E isso é uma das coisas mais importantes que a maternidade me ensinou: tudo é relativo nesse mundo, até os gritos do filho da vizinha!

terça-feira, 4 de outubro de 2011

É a mamãe!

Quasem morri de rir quando a Luiza Diener, do Potencial Gestante, comentou, no Facebook dela, que o filho tinha olhado a foto da Débora Secco e chamado de mamãe... isso me fez lembrar uma viagem que fizemos de carro, com Alice ainda pequena, cerca de 1 ano e meio. Era uma viagem de quase 6 horas de carro e a baixinha estava cansada. Se comportava até bem dentro do carro, mas já estava de saco cheio de todos os brinquedos que eu tinha levado para entretê-la. Foi aí que paramos num posto para comer e ela olhou para uma prateleira, se esticou toda e catou, com cada uma das mãozinhas, dois bonecos. Olhou para mim e exclamou: "é mamãe, é papai". E, eis o que eram:




Rimos, mas tentei convencê-la a devolver os taizinhos para a prateleira, e ela os segurava firmemente, abraçava, beijava, feliz da vida repetindo: "mamãe, papai".
Meu sogro, morrendo de rir, não resistiu e comprou os benditos para ela... e por quase um ano, foram os favoritos dela... no banho, lógico, porque eu proibia os trecos de serem levados a público!

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Sobre a ultrassonografia

As mais radicalmente puristas e naturebas que me perdoem, mas eu não sei viver sem uma ultrassonografia!
Eu sei que muita gente é contra, acha que pode ter efeitos nocivos que ainda desconhecemos, mas, depois de 4 abortos, eu não sei viver sem ver meu filhote pelo menos uma vez por mês!
Meu ginecologista tem um aparelho de ultrassom no consultório e, a cada consulta, posso ver ali o meu pequeno, contar os dedinhos, ouvir o tum tum tum do coraçãozinho dele. É a melhor sensação DO MUNDO!
Aí fico pensando como era possível uma pessoa engravidar e não ver o filho até o parto!!! Veja bem, eu morreria de ansiedade. Seria tanta adrenalina que eu certamente faria mal ao meu pequeno.
Então, amigas que acreditam que nào se deve fazer ultras, sinto muito, mas eu AMOOOOO ver meu pequeno... se pudesse faria uma ultra por semana, no dia do semanersário do Lucas... com direito a bolinho e vela!

(ps - esse post foi motivado pela consulta de hoje, onde vi meu lindinho que se espreguiçou, colocou a mão atrás da cabeça, relaxou para trás, esticou o pé, empurrou a placenta para lá, virou pro lado e dormiu!)

domingo, 25 de setembro de 2011

Preparando para o Futuro

Na TV rolava um show qualquer, de uma bandareca qualquer do Rock In Rio. Eu, pensando com a minha cabeça agora comodista, que se recusa a aceitar ir para um programinha de índio desses, olho para a Alice e digo: "Filha, promete que você só vai curtir show de rock com 20 anos?"
Alice, muito ligada que é, olha para a TV e diz: "prometo, eu não gosto dessa música, é ruim!"
Eu a abraço e digo: "Que bom, filha... que bom que você tem algum gosto para música!"
Nisso, minha mãe, revoltada, exclama ao fundo: "Não, Alice, você pode ir com a mesma idade que a tua mãe foi Bem cedo!"
Alice, meio sussurando, me pergunta, com ar maroto: "Mãe, e você gostava?"
Algo me diz que ela só fez a promessa de não ir a shows para me agradar... socorro... não quero que minha filha vire adolescente!

sábado, 24 de setembro de 2011

Realidade

Alice entra na loja de brinquedos e percebe que todos os brinquedos que ela viu nos comerciais e colocou na lista dela estão nas prateleiras. Sai da loja e exclama: 'Mãe, viu só, os brinquedos da televisão são reais!!!!"

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Os sons que o bebê escuta

Quando Alice nasceu, todo mundo me dizia que bebês pequenos não acordavam com barulhos, mesmo os altos. Eu não acreditava. Só fui mesmo acreditar quando, no primeiro carnaval depois da Alice nascer, ela, que era ruim de cama, dormiu sonoramente enquanto uma banda de carnaval, com direito a carro de som no volume máximo, passava bem debaixo da minha janela. Mas, ao longo dos primeiros 11 meses da vidinha dela descobri alguns sons que a acordavam.
1) Barulho de shampoo encostando no meu couro cabeludo
2) Barulho da minha mastigação na sala de jantar
3) Barulho do meu bumbum encostando no tampo do vaso
4) Barulho da minha cabeça encostando no travesseiro
5) Barulho dos meus olhos fechando no final de um longo dia
Fora esses, nenhum outro!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Da gravidez, do Aborto Retido e Da maternidade

Por algum motivo, desde que descobri que abortos espontâneos existiam, eu tinha medo de um dia sofrer um aborto. Minha mãe tinha sofrido um entre meu irmão e eu e, por algum motivo eu lembro de saber disso razoavelmente cedo. E, por algum motivo eu também lembro de temer que o mesmo acontecesse um dia comigo.
O tempo passou, o desejo de ser mãe veio e foi. Já tinha decidido que eu seria uma daquelas pessoas que viveria bem sem procriar. Tinha passado por um relacionamento mal sucedido de alguns anos que tinha me rendido a certeza de que não existia ninguém digno de me tirar da solteirisse que eu tanto estava curtindo, nem de ser pai dos meus filhos. Nenhuma arrogância nisso, apenas uma constatação da decepção inerente a todos os relacionamentos.
E aí, como a vida adora nos fazer surpresas, acabei conhecendo uma pessoa ultra especial que acabou me levando a acreditar que nem todos os homens do mundo eram absolutos canalhas. Passado um tempo e uma enorme perda na família, algumas conversas sobre a continuidade da vida e o significado de passar por aqui sem deixar rastros, acabamos decidindo que era hora de reproduzir.
Imediatamente partimos para as tentativas. Mandamos a pílula para o espaço e calculamos que, dada a idade de ambos (eu com 34, ele com 43), provavelmente demoraríamos um pouco para conseguir o feito. No mês seguinte fiz meu primeiro pipi no palitinho e recebi minhas premiadas listrinhas! Nós nem podíamos acreditar... seríamos pais!
A felicidade durou pouco. Já na primeira ultra, com 7 semanas, o coração estava MUITO discreto... e o outro saco gestacional estava vazio (sim, porque a mira foi tão boa que a gestação era de gêmeos!). Duas semanas mais tarde o Bhgc começou a cair e lá fui eu para a primeira AMIU.
Choro, sofrimento, e uma única certeza: tentaríamos de novo, e LOGO!
Com o aval do meu GO, um ciclo mais tarde lá fomos nós tentar de novo. E dois ciclos mais tarde (e uns 25 pipis no palitinho mais tarde, porque eu fazia o teste caseiro quase que diariamente só de ansiedade!) minhas listrinhas voltaram a aparecer no palitinho!
Dessa vez, ainda que o trauma e o medo estivessem presentes, eu tinha a certeza de que ia dar tudo certo, eu acreditava que dois raios nunca cairiam na mesma árvore. E, quando, na primeira ultra, com 7 semanas, vi aquele coraçãozinho disparado, tive a certeza de que tudo estava certo.
Gravidez perfeita, parto assustado, mas também muito lindo, filha maravihosa. E a noção de que ela seria filha única, afinal, filho é um briquedo caro a beça.
Mas, tudo muda, sempre, e, 2 anos e meio mais tarde começamos a sentir saudades de ter um bebê em casa. Dúvidas foram colocadas de lado quando tivemos a notícia de que meu marido estava com um problema de saúde grave. Tínhamos a certeza de que não queríamos Alice como filha única. E, contentes, colocamos de lado os bloqueios e partimos para a fabricação do nosso segundinho!
Um mês mais tarde lá estavam minhas listrinhas! Alegria absoluta, felicidade sem limites... na primeira ultra, com 6 semanas, nada de coração batendo. Choros, lágrimas, abatimento geral, teorias variadas sobre a causa, mais um AMIU. Nova tentativa. 3 meses após o AMIU, nova gravidez, novamente gemelar. Novamente, na hora da primeira ultra, dessa vez já morrendo de medo, dois corações muito fraquinhos. Dessa vez, como acabamos tendo que esperar um pouco mais para a constatação do aborto (os embriões continuaram com discretos batimentos por mais 2 ou 3 semanas), acabei tendo aborto completo, sem necessidade de inervenções. Mas, sou teimosa, não desisto fácil. Dois meses mais tarde eu já estava grávida de novo, e EM PÂNICO. Não deu outra, nada de batimentos. E lá fui eu, para mais uma AMIU.
Dessa vez eu fui derrubada. Conclui que não queria mais tentar para evitar sofrer. Todos os exames, até agora, davam resultados normais, absolutamente normais. Fomos a uma geneticista e fizemos todos os exames genéticos (dessa vez o material do aborto também foi para análise genética). Ao final tudo o que sabíamos é que eu era uma mulher, ele era um homem, e nosso bebê era absolutamente saudável no que diz respeito à genética. O que indicava que todos os outros também eram.
MAS, num exame de sangue de rotina (que eu já tinha feito umas 10 vezes desde o meu primeiro aborto antes da gravidez da Alice), finalmente apareceu a luz no fim do túnel: positivo para Anticoagulante Lúpico!
Lá fomos nós para o reumatologista que nos passou o protocolo completo de como deveríamos proceder tão logo tivéssemos nosso positivo em mãos: AAS infantil + 2 injeções de anticoagulante diariamente. E, partimos para o que considerávamos a nossa última tentativa.
Logicamente, e como era de se esperar em casa de coelho, um mês depois da nossa consulta com o reumato, eu tive a resposta do positivo. Imediatamente comecei com as injeções. E, com 6 semanas fomos premiados com o inigualável som do tumtumtum que todos os pais tanto amam ouvir!
Não tenho a menor idéia porque desatei a contar essa história, nem onde eu pretendia chegar, mas acho que era mesmo um desabafo. Ou talvez uma necessidade de suprir uma lacuna, a do aborto e da esperança que existe depois dele.
Quando decidimos procriar, ninguém nos diz que existe a possibilidade de termos um aborto. Ninguém nos conta que existe a possibilidade de termos abortos múltiplos. Simplesmente nos dizem, e cobram, a reprodução. Depois do meu primeiro aborto acabei encontrando apoio onde eu menos esperava, num grupo do orkut formado por mulheres que também tinham passado por isso. Esse grupo acabou, depois de muita filtragem, se tornando um grupo que hoje, quase 5 anos mais tarde, ainda é amigo. Todas abortaram, algumas 1 vez, outras mais vezes, todas tiveram filhos depois do aborto. Todas me ajudaram a segurar a minha barra quando vieram os 3 abortos do último ano. E, sem o apoio delas, e do meu GO e do meu reumato, eu certamente não teria tido a coragem de tentar essa última vez e, talvez, eu vivesse minha vida sem conhecer meu menininho.
Então, acho que é por isso que acabei decidindo abrir meu coração aqui, para que outras que venham a passar por abortos saibam que a luz no fim do túnel está sempre acesa e que se o desejo de ter um filho é real, não vale a pena sofrer sozinha, nem desistir!

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Das 18.30h as 6.30h

Minha filha vai dormir entre 18.30h e 19h, todos os dias nos quais ela tem aula no dia seguinte. Via de regra dorme por 12h ininterruptas e, quando muito, acorda uma vez, voltando a dormir rapidamente. A aula dela começa as 7.30h, portanto ela precisa acordar as 6.30h.
As pessoas ficam chocadas. Me perguntam como eu consigo fazer isso. E eu sempre respondo que é a coisa mais simples do mundo: ROTINA.
Na minha casa a coisa é bem simples: não existe soneca diurna, janta as 17.30h. Se não tiver tomado banho ainda, toma. As 18.30h está deitada na cama, sem negociações. Tem direito a duas histórias curtas ou uma longa. Apago a luz e, depois disso canto (coitada dela!rs) 2 músicas que ela gosta e silêncio absoluto. Geralmente não preciso mais do que 10 minutos para ela estar dormindo profundamente.
Lógico que tem vezes que ela resiste um pouco mais, que tenta atrasar o relógio da casa, afinal, é criança e criança ADORA ficar acordada "só mais um pouquinho". Mas, como dizem por aí, "a regra é clara". Se tem escola no dia seguinte, até as 6.30h tem que estar na cama pronta para dormir.
E assim, nos finais de semana, ela se auto regula. Lógico que vai dormir mais tarde, mas, raras vezes depois das 8 da noite.
Meus motivos são simples: quero ter vida adulta com meu marido, criança precisa dormir para crescer saudável!
Lógico que isso não passa sem críticas, afinal, ser mãe é ser criticada. Algumas pessoas são rápidas em dizer que eu sou rígida demais, por quase não abrir excessões. Para a Alice não existem festinhas de aniversário depois das 17h em dia de semana, não existe o só mais um pouquinho de televisão, não existe o "só hoje, manhê". Na minha cabeça, férias são para isso, para quebrar as regras, para dormir tarde e acordar tarde. Mas, durante o ano letivo, hora é hora, regra é regra.
Mas, o fato é que passamos, eu e Alice, cerca de 28 meses sem dormir por mais de 4h ininterruptas, e, hoje, dormimos longas horas e, nos finais de semana, ainda acordamos e ficamos rolando na cama por um tempo, vendo filminho no DVD, fazendo cafuné. batendo papo furado. O que era uma tortura se tornou um prazer.
Antigamente, quando chegava a hora de ir para a cama, eu já ficava tensa, nervosa. Hoje, eu fico louca para dar 18.30h, para deitarmos juntas, abraçadinhas, e ler histórias lindas juntas.
Alice, até os 28 meses, era uma criança que se irritava fácil. Hoje é uma criança de muitos sorrisos e poucas irritações.
O esforço diário de cumprir uma rotina rígida se paga quando vejo como, hoje, as nossas vidas são mais leves e estamos todos descansados.
E, agora, com a chegada do Lucas, Alice já anuncia que: "Quando eu for de 4 anos, não vou mais precisar que você fique deitada comigo. Já vou ser mocinha e vou saber dormir sozinha. Você vai precisar ficar com o Lucas, porque ele vai ser bebezinho!". E assim, seja. No ritmo dela e na torcida para que o Lucas venha com o dormidódromo funcionando direitinho porque eu, sinceramente, não sei se aguento o tranco de mais 28 meses sem dormir!

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

As listas de compras

Alice vê pouca TV. Como não tenho NET em casa, só vê mesmo quando está na casa dos avós. Mas, nem por isso está isenta do tão famoso "eu quero isso"...
Quando senta na frente da TV sai pedindo tudo que vê, inclusive coisas como Pediasure (oi?). Sempre temos a mesma resposta: "coloque na lista e no final do ano escolheremos um para o seu aniversário, e outro para o papai noel trazer." E assim, ela fica contente e satisfeita.
Mas, com o advento irmãozinho, essa lista tornou-se solidária. Se antes ela se limitava a querer apenas brinquedos adaptados à sua idade, agora quer também os de bebês, que, segundo ela, é para o irmãozinho dela.
Pelo menos sei que ela pensa no irmão...

Definições por Alice

Alice: "Aí a triangulinha se apaixonou pelo triângulo..."
Avó: "O que é apaixonado?"
Alice: "É encantado"
Avó: "E o que é encantado?"
Alice: "Ai, vó, você só quer saber coisa de namoro!"
Avó: "Mas, é que eu não sei o que é!"
Ailce: "Quem é o teu marido?"
Avó: "O vovô..."
Alice: "Então, você é a apaixonada dele..."

E tenho dito!

domingo, 11 de setembro de 2011

Um pouco de Cultura e de Solidariedade

A TUCCA, Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer (), tem um projeto de música muito legal. São 4 DVDs com apresentações musicais feitas no Teatro São Paulo. O projeto aproxima as crianças da música erudita com muita leveza e de forma super divertida. Alice ganhou 2 dos DVDs, esse:
e esse:
Ela ficou hipnotizada assistindo. Me deu vontade de sair correndo e comprar os outros dois! E, não bastasse o projeto ajudar a criança a ter um primeiro contato delicioso com a música clássica, a renda da venda dos DVDs vai toda para a TUCCA, e para as crianças que ela atende. Recomendo!

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Dia de pai e filha

Hoje precisei trabalhar num bazar o dia inteiro. Normalmente eu deixaria a Alice com a minha mãe, para meu marido poder dormir um pouco mais no feriado, mas minha mãe está viajando. Precisei acionar papai para dedicar o dia para a Alice.
Ela não está habituada a ficar sem me ver um dia inteiro. Geralmente passamos nossos dias juntas e, mesmo quando ela dorme na avó, só saio de lá depois do jantar e chego de volta até a hora do almoço...
Como achei que ela pudesse estranhar, preparei bem ela dizendo que ela passaria o dia com o pai e precisaria tomar conta dele.
O dia começou cedo. As 6.30h ela enfiou a carinha na fresta da porta do meu quarto e perguntou: "Mãe, já tá de dia? Já é o dia especial?"
Coloquei ela na cama e consegui enganar ela até 7.30h com um filminho no DVD portátil. Levantei e deixei ela ali enquanto me arrumava. Logo antes de sair, falei para ela que podia acordar o pai. Ela rapidamente o fez. Depois, de um salto, pulou para o chão e confessou para a pastora alemã: "Luna, hoje é um dia muito especial, vou ficar o dia INTEIRO só com o meu pai e minha mãe vai tabralha!" (agora que aprendeu a falar o R, deu de colocar o dito nos lugares mais improváveis da palavra!).
Pediu para vestir sua roupa de Aurora para ir até a padaria comprar pão com o pai que, segundo suas instruções, deveria ir vestindo a fantasia de Mr. Maker que eu tinha feito para o animador da sua festa de aniversário de 3 anos. O pai, que não é bobo, logicamente obedeceu!


Fui embora e deixei meus dois amores para se virar sozinhos!
O dia deles transcorreu como ela queria... pintou com pincéis, com as mãos, com os pés... pintou papel, a camisa do pai (a que ele estava vestindo!), o bauzinho que tinha ganho de lembrancinha na festa... lavou-se na bica do pátio e aproveitou para lavar o carro, coisa que ela mais adora fazer. Depois tomou um super banho 'lava nada' com o pai. Foram comer crepes de chocolate no shopping, voltaram e assistiram Bambi juntos. Depois brincaram de pique-pega no pátio (nessa altura marido, que não está acostumado com um dia inteiro de molecota de 3 anos de idade) e, finalmente, subiram para casa para brincar de desenhar até eu chegar.


Foi maravilhoso chegar em casa e encontrar, além de um quarto revirado por um pequeno tufão chamado Alice, uma criança contente e satisfeita e um pai feliz e orgulhoso (e com o ego do tamanho de um mamute!rs). Acho que precisarei me ausentar com mais freqüência!

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Filosofices

Alice anda filósofa. Hoje a sua cama foi levada embora, para dar espaço para a nova cama que chega na semana que vem. com isso, o colchão está no chão. Ao deitar teve duas grandes "filosofices": 1) "mamãe, eu vou dormir numa cama sem cama!" 2) "Sabe pra que serve o COL? Para botar no chão! É o Colchão!" Ai ai ai... tem como ficar séria? ps - hoje recebi um comentário anônimo no limite do cretino! Entendam que publico TODOS os comentários assinados, mesmo os que me criticam. Comentários anônimos, no entanto, só são publicados quando não são negativos. Se você quiser me criticar, por favor, tenha a hombridade de dar sua cara a tapas, combinado? Não dialogo com covardes!

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Os Rs

Alice descobriu como falar seus Rs redondos... está radiante. Passou o dia arranjando frases com Rs... Foi um tal de "vou sair poR aqui, só porque sei falar isso!"
E a cada R falado, era seguido de um largo sorriso de satisfação!
É... minha bebê se foi, e agora ela consegue até falar PARALELEPÍPEDO!

sábado, 27 de agosto de 2011

Minha pequena Iara

"Mãe, sabe que eu sou metade humana e metade bota?"
"Oi? Como assim, filha?"
"É que eu sou quase uma 'seeia'... sou uma 'iaia'!"
É... definitivamente estamos na semana do folclore na escola!

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

A independência

Sete horas da manhã e eu estava tentando manter meus olhos abertos para vestir Alice. Percebi que não tinha nenhuma calça de uniforme passada e expliquei a ela que ela poderia ir de calça jeans. Abri a gaveta e peguei uma calça jeans qualquer, a primeira da gaveta, para ser bem sincera.
"Não, mãe, essa eu não queio, queio a outa!" Ela rapidamente exclamou.
"Alice, dá na mesma, são quase iguais. Vai com essa mesmo, filha!"
"Mãe, olha só, se a calça é minha, quem tem que decidi que calça eu vô usá, sô eu!" Argumentou aquela criaturinha.
Vejam bem, em geral nem dou trela para argumentos sobre roupa. A roupa que eu pego é a que usa e pronto. Mas, do nada, uma criatura de pouco menos de 1 metro de altura, às 7 horas da manhã, me pega de surpresa com uma frase dessas... foi um soco na boca do estômago da minha persona galinha poedeira. Parei, respirei, acordei e expliquei.
"É, filha, você tem toda razão, não tem porque eu não deixar você escolher qual calça jeans você quer botar..."
E, num passe de mágica me ocorreu que o tempo passou e que a minha bebê, aquela toda gordinha e cheia de dobrinhas, cresceu e já é capaz de escolher sua própria calça...
Alguém para o tempo, por favor!

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Ainda reagindo ao irmãozinho

Na sua implicância inicial com o fato de seu irmãozinho ser um homem, Alice decidiu se recusar a escolher um nome. No primeiro momento dizia que o nome tinha que ser Alício, e, agora, disse que o nome deve ser Vnazvnazvnazinho! É... isso é dito à perfeição cada vz que ela repete o nome... mas, andava dizendo que um bom apelido seria Ovo Podrinho!
Mas isso tudo em meio a gargalhadas farrentas e intercalado com mil beijos e abraços no irmãozinho que ela já diz adorar.
Hoje a levei comigo para ver uma ultrassonografia. No momento que ela viu a imagem na tela, ficou boquiaberta. Em seguida exclamou que estava vendo o irmão, e que ele estava dando tchau para ela (de fato, ele estava abanando os bracinhos... me surpreendeu ela identificar isso tão bem na imagem de ultrassom!). Daí em diante passou o resto do tempo mandando beijos e exclamando: "Oi meu irmãozinho fofinho!".
Já na saída do consultório ela começou a admitir que, mesmo ela decidindo chamar o irmão de Vnazvnazvnazinho, eu e o pai poderíamos chamá-lo como quiséssemos. E o apelido de Ovo Podrinho já virou Meu irmãozinho Muito Fofinho!
COmo eu pude viver tanto tempo antes de dar essa felicidade a ela?

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Alice e o Irmãozinho

Alice queria uma irmãzinha, disso nunca fez muito segredo. Aceitava falar em irmãozinho ou irmãzinha, mas, esperava, na verdade, uma irmãzinha.
O resultado do exame de sexagem fetal chegou quando ela estava na escola. Quando fui buscá-la, contei a ela a novidade. Ela sorriu e saiu animadamente para contar para os amigos que era um menino. Mas, quando chegou pertinho de mim falou, num ar meio decepcionado, que preferia uma irmã.
Expliquei a ela que a natureza não tinha querido assim e que irmãozinho é muito legal!
E entramos no carro para voltar para casa.
No caminho paramos na porta do trabalho do meu marido, para ela poder "contar" para ele a novidade. Só que, quando ela contou, não sei se caiu a ficha ou o que aconteceu, mas começou a chorar, dizendo que não queria um irmão, mas uma irmã.
"Eu ODEIO irmãozinhos, eu QUEIO irmãzinha, eu pedi uma irmãzinha, não vou amar meu irmãozinho!"

Conversa, conversa, conversa, e, depois de uns 20 minutos de choro, diz que se for irmãozinho não poderá usar as roupinhas que foram dela. Explico que isso não é verdade, que muita coisa ele vai aproveitar. Ela, depois de meia dúzia de perguntas, acaba aceitando que irmãozinho é legal, mas, sem muita empolgação.

Agora ela já está mais satisfeita, já entendeu que com o irmão, ela continuará sendo a única princesa dentro de casa, e que poderá, finalmente, ter um príncipe para brincar com ela o tempo todo. Já entendeu que ele, provavelmente, não roubará todas as bonecas e barbies dela (mentira, ele VAI roubar, tenho certeza!hahaha). Enfim, está conformada e contente, já dá mil beijos na barriga e abraços e carinhos, mas, no fundo, no fundo, ainda está se adaptando à idéia de que não é uma irmã!

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Mae de menina, mãe de menino

Hoje descobri que segundinho é um menininho. Estou muito muito muito feliz, afinal, vou ter a experiência de ser mãe de menina e de menino... mas, e a tensão?
Nunca tomei conta de um pinto. Todos que conheci, já chegaram a mim cuidados e auto-suficientes... agora vai ter um pinto que dependerá totalmente de mim????
Mas, é isso, ainda estou sob o efeito da notícia e da novidade... ainda não contei para a Alice... outra hora volto, com um pouco mais de lógica, ok?

sábado, 13 de agosto de 2011

Dia de Zé Gotinha

Hoje foi dia de Zé Gotinha. Alice já foi tomar a dela. Já saiu de casa perguntando se era dia de "gotinha eca" e anunciando que "É ruim, mas eu tenho que tomar!"
Chegou no posto, botou o linguão pra fora, recebeu as gotinhas, fez uma careta, avisou ao enfermeiro que era "eca" mas que ela precisava tomar. E saiu de lá toda contente com cara de missão cumprida!
Agora, só no ano que vem!

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

O ego e o nome

Ainda na linha da euforia do irmãozinho, Alice andava decidida sobre o nome: ALICE.
Anunciava para quem queisesse ouvir que sua irmãzinha se chamaria ALICE, assim, quando eu chamasse por Alice, viriam as duas. E não havia o que disséssemos que a convencesse do contrário.
Ok, tem o lado positivo disso... minha filha gosta muito de seu nome e seu ego está satisfeito. Encrenca à parte, fico feliz em ter uma filha com uma auto-estima do tamanho de um mamute!
Mas, aí surge o desafio, como convencê-la de que não seria possível dar o nome Alice para sua irmã? Toda vez que eu tentava tocar no assunto, Alice se zangava e dizia: "Não quéio oto nome, é ALICE, e assunto encerrado!" (adoro quando ela mimetiza minhas frases!rs) e saia brava para o canto dela.
E, então, me veio uma idéia. Ela estava de pé depois do banho e eu secava os seus pés. Pedi a ela que colocasse o pé direito no meu colo e chamei: "Vem pé!" Ela riu e colocou o pé. Aí, sem soltar o pé direito, chamei o outro pé: "Vem pi!" Ela riu mais ainda e rapidamente retrucou:
"Não é Pi, é Pé!"
"Não, pé é o outro, esse aqui é o Pi!", devolvi, rindo.
"Não, mãe, é pé também!"
"Mas, Alice, se ele for pé também e eu chamar Pé, e os dois vierem, você vai cair!" soltei, desafiando a lógica dela.
Alice parou no meio de uma meia gargalhada e, como que se uma lâmpada acendesse sobre sua cabecinha, ela olhou para mim e exclamou:
"Então, a irmãzinha também não pode ter o mesmo nome, porque não pode vir ao mesmo tempo?" (não perguntem, mentes maluquinhas pensam na mesma lógica sem lógica!hahahaha)
"É, filha... talvez seja melhor encontrar um outro nome, né?"
"Tá bom... vamos fazê uma lista!"
E, voilá, no meio de uma lógica absolutamente maluca entre mãe e filha, o assunto ficou resolvido! Não terei duas filhas chamadas Alice!

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Programa atípico de mãe e filha

Alice continua em êxtase com a idéia de um irmãozinho. Fala sobre o assunto constantemente, pergunta tudo, quer saber tudo. Uma fofura.
No momento ela está curiosa em relação ao sexo do bebê e pergunta muito sobre isso. Expliquei a ela que eu ia fazer um exame de sangue que nos diria se o bebê era uma menininha ou menininho. E aí acionei todas as peculiaridades da minha filha de uma só vez!
"Mãe, posso i com você paia tiá o sangue? Você não vi choiá!"
"Ok, filha, pode!"
"OBAAAAAAAAAAAAAAAA"
Ok, minha filha curte ir a laboratório ver a mãe tirando sangue!hahahaha
"Podemos ir amanHã, logo depois da escola, de ônibus, porque lá não tem vaga..."
"EBAAAAAAAAAAAAAAAAAAA"
Ok, minha filha AMA andar de ônibus!hahahaha
"Mãe, e no seu sangue tá iscrito se é minina?"
"É mais ou menos isso."
"EBAAAAAAAAAAAAAAAA"

Agradar a Alice é muito simples... até os programas mais bizarros são divertidos!

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Chamego



E lá estava eu, dando um amasso mais ou menos como esse da foto na minha princesinha. Era um chamego longo e demorado. E ela bem curtindo, fazendo carinho na minha bochecha de volta. E, então, ela diz: "Mãe, solta só um pouquinho, só paia eu podê respiiá!"

sábado, 6 de agosto de 2011

Meu parto cesáreo

Eu não pari por via vaginal. Não tive essa opção! Até quis, muito. Me preparei para isso, física e psicologicamente. Mas, não tive essa escolha!
Depois de 38 semanas e 5 dias torcendo para sentir as tais contrações, para conhecer as emoções do parto, fui acordada por uma forte e única contração que começou às 3 da manhã e que simplesmente não passava. Como eu já tinha lido de tudo sobre o assunto, como o meu médico tinha me explicado, e como todo mundo me dizia, contrações deveriam ir e vir, num ritmo contínuo e em intervalos cada vez mais curtos. E a minha não era assim, era uma só. A barriga endureceu e ficou ali, dura que nem pedra.
As 5 horas da manhã, depois de muito me contorcer na cama, tentando encontrar uma posição que fizesse aquilo passar, conclui que não era uma contração e sim gases. Isso mesmo, diagnostiquei tudo, eram gases que estavam fazendo minha barriga ficar tão dura assim. Mas não passavam e eu estava com muita dor, então liguei para o meu médico que me mandou ir para a casa de saúde. E lá fui eu, com um vestidinho que joguei no corpo e nada mais. Nem mala de bebê, nem máquina fotográfica, só eu e meus gases para, imaginei eu, tomar luftal e voltar para casa aliviada!
Cheguei na casa de saúde às 5.15h, meu médico chegou quase junto comigo e ao me olhar toda inclinada e me contorcendo concluiu que era trabalho de parto. Mas a barriga tão dura não era bom sinal. Ele, que é um dos caras mais tranquilos e pacientes do mundo não deixou isso transparecer. Explicou que não tinha nenhum sinal de dilatação e pediu um cardiotoco. Teve dificuldade de encontrar os batimentos cardíacos da minha filha, mas, quando os encontrou, estavam normais. Mas, ainda assim, não me alarmou, simplesmente falou que talvez fosse necessário fazer o parto cesáreo. E prosseguiu com o exame físico. Tirou minha pressão pela primeira vez, deu alta, mas não tão alarmante. Cinco minutos mais tarde, tirou de novo, tinha subido muito, muito mesmo. E ele avisou que seria necessário fazer o parto.
Descemos para o centro cirúrgico, preparamos tudo. Ele me tranquiizou durante a anestesia, falando manso no meu ouvido. Meu marido ao meu lado segurando a minha mão que não tinha nenhum tipo de amarração (ouço sempre esse terrorismo de que na cesárea amarram os braços da parturiente!). O anestesista conversava comigo o tempo todo, e todos nós, equipe, eu e meu marido, conversávamos e brincávamos. Às 6.28h o anestesista perguntou se eu queria ver minha filha nascendo, abaixou o pano, levantou minha cabeça e minha filha nasceu, bem diante dos meus olhos. Foi LINDO, foi SUBLIME, foi MARAVILHOSO. Senti como se meu corpo fosse cortado ao meio por um raio de emoções e como se tudo que eu conhecesse sobre o amor até então deixasse de ser real.
Alice foi logo trazida até o meu lado. Colocaram aquela criaturinha linda bem grudadinha em mim. Eu a acariciei, beijei, cheirei pelo tempo que quis enquanto meu marido a segurava nos braços. Juntos, os 3, pela primeira vez, nos emocionamos e choramos.
Ela foi levada, quando pedi, para o berçário para pesagem e primeiro exame físico. E o meu médico terminou a minha costura e me liberou para ir ao quarto. Eu cochilei. Estava cansada. Acordei entrando no meu quarto, cerca de meia hora mais tarde, junto com ela. E logo ela foi levada ao meu peito, onde se agarrou e sugou como uma perita!
Foi tudo perfeito! Não tive nenhuma dor de cabeça (outro terrorismo comum é que a raquidiana dá uma dor de cabeça infernal... o que depois descobri que só acontece quando há um erro e é algo que pode se corrigir!), não tive dor para urinar, nem para ir ao banheiro pela primeira vez depois do parto. menos de 3 horas depois eu já estava sentada na cama, e 12h mais tarde eu já estava debaixo do chuveiro, sozinha, lavando meu cabelo e tomando um delicioso banho.
Durante todo o pós parto, o que senti de dor foi facilmente resolvido com uma dose de novalgina por dia e, sinceramente, só lembro disso porque registrei num caderninho na época, mas não tenho a memória dessa dor registrada, não mesmo.
Tudo o que lembro foi que o momento do parto foi o momento mais lindo da minha vida!

Não, não é uma apologia ao parto cesáreo. Não o defendo como prática, muito pelo contrário. MAS, ao mesmo tempo, me cansa e me irrita quando as pessoas, em nome da defesa do parto normal, criticam o parto cesáreo como se ele fosse o pior momento da vida de uma mulher. Como se fosse apenas um momento de carnificina. necessário para salvar a vida ou, pior, como sendo sempre um erro médico ou um capricho da mulher. Sim, existem médicos demais fazendo partos cesáreos demais com critérios de menos. Sim, existem mulheres caprichosas demais que simplesmente não querem ouvir falar de parto normal, seja por desinformação ou comodismo. Mas existe uma grande parcela que simplesmente não teve escolha e nunca terá. Existe a parcela que tem que escolher entre a cesárea e o risco real de não viver para ver seus filhos. E essas não merecem ter sus partos igualados a processos cirúrgicos frios e carnificentos.
Essa parcela da população materna que, como eu, precisa encarar a realidade de que um parto normal simplesmente não é uma opção, não merece ter suas emoções desqualificadas em prol de uma causa, mesmo que essa causa seja nobre.
Portanto, antes de criticar a cesárea, antes de dizer que toda cesárea é fria, que uma mulher que pari por cesárea nunca conhecerá o verdadeiro sentimento envolvido no parto, lembre-se que, para a mulher que não tem a opção, o sentimento na cesárea é tão real quanto o sentimento da mulher que ficou horas em trabalho de parto para depois parir seu filho por via vaginal. Lembre-se que a via de parto não muda o sentimento, não faz ninguém ser mais heroína, nem mais mãe, nem mais merecedora de lembranças doces do nascimento de seus filhos.
Faça uma auto-crítica e tente pensar como é irritante para você, que pariu por via vaginal, ter que ouvir asneiras sobre o parto normal, comparando-o a atos animais e arcaícos. Lembre-se de como é desrespeitoso o tratamento que recebem de pessoas que não curtem a onda do parto normal e tentem não reproduzí-lo na direção oposta.
Não tente convencer as pessoas de tentar o parto normal desqualificando a cesárea ou fazendo-a parecer o fim do mundo. Enalteça o que há de bom no parto normal, e há tantas coisas boas. Lembre-se que uma grávida que recebe informações aterrorizantes sobre a cesárea pode acabar precisando de uma e que ela não merece entrar na sala de parto temendo aquilo como teme uma cirurgia cardíaca.
Enfim, o importante é lembrar que o respeito é o melhor amigo da credibilidade!

ps - minha condição de saúde, infelizmente, não me permitirá tentar o parto normal nessa minha segunda gravidez, portanto, não quero transformar essa postagem numa sessão de "seu médico está certo ou errado", é apenas uma reflexão de alguém que sabe que nunca terá um parto normal e que, mesmo assim, está totalmente feliz com sua experiência de parto, passada e futura. Uma reflexão de alguém que pegou todos os limões que recebeu e decidiu que com eles fará sempre deliciosas limonadas! E, quem quiser saboreá-las comigo, seja bem vindo... mas quem não curtir limão, bem, dispenso as críticas sobre a minha receita de limonada, ok?

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Pelo Sim, Pelo Não

Já falei aqui que não curto deixar Alice ver TV aberta. E, como não tenho NET, ela também não assiste muito disso em casa. Fica mais nos DVDs que tem mesmo.
Antes que me critiquem dizendo que minha filha se tornará uma alienada, que fique BEM claro, que ela vê Discovery, na casa dos avós. Aliás, quando chega na casa deles, já liga a TV correndo para ver seus desenhos e programas favoritos.
A minha escolha por não te NET não foi feita com base em ideologias pedagógicas. Foi uma decisão meramente burocrática e financeira. Descobri que pagava uma fortuna para ver só um canal. E descobri que mal via, ficava mesmo como barulho de fundo. E, depois de uma esquentada discussão com a NET/Virtua sobre o meu sinal de internet, decidi acabar com aquilo e tentar viver sem eles. E, pasmem, funcionou. Não sinto a menor falta. A TV, que vivia ligada, hoje só é ligada de noite, para ouvir um noticiário e uma novela mesmo.
Essa ruptura com a TV a cabo veio antes da Alice. Aliás, quando ela nasceu eu cheguei a questionar a decisão, mas, quando percebi que o que ela gostava era de rever o mesmo DVD ad nauseum, percebi que poderia economizar uma boa grana.
E, quanto à TV aberta, vejam bem, toda a programação infantil se concentra na parte da manhã, quando ela está na escola. Portanto, quando chega em casa, é improvável que queira assistir novela do Vale a Pena Ver de Novo ou Sessão da Tarde. Até porque ela tem uma programação a ser cumprida que não a permite muitas horas na frente da TV. E, como vai dormir às 18.30h, geralmente acaba sem ver TV mesmo.
Isso é bom, lógico, porque lugar de criança não é enfurnada na frente da televisão, e porque ela é poupada um pouco do grande apelo comercial que a TV oferece. O que não quer dizer que ela não conheça esses mil e quinhentos brinquedos anunciados. Ela os conhece e os pede, sempre. Já tem uma lista mental de uns 10 tomos com tudo que quer ganhar daqui até os seus 20 anos de idade. E, agora, com o advento irmãozinho, ela começou a fazer a lista mental dos brinquedos que ela tem certeza que ele vai ganhar.
E, com isso, meio que fica provado para mim que ilhar filho de TV não é garantia de não ouvir o famoso rosário do "eu quero" ser desfiado. Fica patente que crianças, mesmo quando não são expostas à propaganda continuamente, são expostas ao consumo por vários meios. Seja na escola, na casa dos coleguinhas, na casa dos avós, ou mesmo andando pelas ruas, a criança é inundada por um consumismo maluco que, no final das contas, define a sociedade moderna na qual vivemos. Portanto, fica claro para mim que é mais fácil educar do que esconder o sol com a peneira.
Não adianta achar que não deixando seu filho ver TV ele vai ser ilvre dos desejos do TER. Tem que encarar o monstro de frente e, pelo exemplo e pela ação, aprender a dizer NÃO!
É isso mesmo. Parece simples, mas não é! E aqui funciona assim: Alice conhece todos os brinquedos que são anunciados, sabe exatamente quais quer e não quer, mas, quando chega na loja e pega o brinquedo na mão e me diz: "Quero esse", normalmente escuta o famoso: "ok, então coloque na sua lista para, no seu aniversário, escolher qual prefere." E isso basta para que ela coloque de volta na prateleira, sorridente, e saia da loja feliz.
Vejo muita gente incapaz desse simples ato, do dizer:"Não vou comprar e você precisará lidar com o fato de que querer não é poder.". Vejo crianças morando em casa com tanto brinquedo que os pais são obrigados a receber seus amigos em meio a uma enorme quantidade de TRALHA infantil em plena sala de estar, com um sorriso estampado como quem diz: "ahhh, casa com criança, sabe como é que é, né?". Ou pais que moram em apartamentos razoavelmente pequenos e dedicam um quarto inteiro a ser o "quarto de brinquedos" e ainda justificam dizendo que: "ahhh, é que criança precisa ter seu espaço, né?"
Pois é, só que eu não entendo nem acho isso tudo legal. Casa com criança realmente tende a ter alguns brinquedinhos espalhados, tende a ter uma baguncinha básica pela casa, mas, na boa? A criança tem que aprender a ter seu limite físico e tem que aprender que sala de estar é local de convívio comum e não depósito de brinquedo. E pai tem que aprender a colocar esse limite. E, "quarto de brinquedo" é coisa de quem tem muito espaço e muito filho. Nenhum filho precisa de um quarto só para brinquedos. O quarto de dormir é onde devem caber todos os brinquedos que ele tem. Conheço até casos onde os filhos decidem, por conta própria, dormir juntos num quarto e deixar o outro para bagunça... ok, nisso não vejo problemas, porque fica patente para eles que é um quarto de cada, mas que optaram por dormir juntos... Mas, cada um ter um quarto e ainda existir um quarto só para brinquedos? Bem, então é porque tem brinquedo demais por aí!
O universo te que ser conquistado aos poucos para que o querer e o poder serem compreendidos em seu equilíbrio quase perfeito (porque, vamos combinar, perfeito nunca será, nem na mente mais espartana!). A criança precisa aprender, desde cedo que "Eu quero" não equivale a "vou ganhar", e que existe um limite, financeiro e físico, para todos os seus quereres.
Aqui a coisa foi equacionada de forma simples: Os brinquedos devem todos caber no quarto, aquilo que for excedente, deve ser dado para quem não tem brinquedos. Os brnquedos podem sair do quarto e dominar a casa enquanto são "brincados", mas, o lugar de guardá-los é no quarto. No escritório da família pode-se ter alguns brinquedos, mas moram sobre a mesinha que ela usa para desenhar e não devem virar parte da decoração. Ficam ali transitoriamente. O escritório é de todos e precisa caber todo mundo, portanto, não pode virar um mundo lúdico infantil.
E, mais importante, brinquedos e presentes só são comprados em ocasiões especiais, e não como hábito. Os avós dão um pouco mais de brinquedose presentes, mas todos respeitam que não deve ser o tempo todo e não deve ser sob demanda.
E assim o NÃO já foi bem digerido pela Alice. Na maior parte das vezes o "eu quero" já vem seguido de "vou botar na lista", e o "não vamos comprar" é seguido de, "então quando chegar meu aniversário eu escolho". Lógico que minha filha está LONGE de ser perfeita e, vez por outra, chora e faz manha porque QUER QUER QUER... mas isso faz parte do teste que ela PRECISA fazer para internalizar o poder. Ela já sabe que quando mais insistir, malcriadamente, no QUERO QUERO QUERO, menor a chance de um dia TER. E eu, por mais que saiba que seria BEM mais simples comprar e dar logo e não ficar ouvindo ladainha infantil, sigo ensinando o NÃO, NÃO, NÃO.
Portanto, amigas, acho nobre quem não libere a TV para os filhos, mas lembro a todos que isso não é solução. Muito mais importante do que proteger do apelo comercial é ensinar aos filhos a lidar com esse apelo de forma madura e racional. E, assim, não me critiquem quando eu digo que, sim, na casa dos avós minha filha está livre para receber uma louca enxurrada de propagandas que mostram para ela o que existe por aí. E, sim, sou absolutamente contra essa onda de censura à propaganda dirigida ao público infantil. Cabe aos pais, e unicamente a eles, ensinar o limite entre o querer e o poder, e não é a censura a propaganda que vai resolver esse probleminha chato para eles.
Mas, como eu sempre gosto de dizer, é só minha opinião.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

A criança que mamou

Alguém perguntou para a Alice se ela iria ajudar a mamãe dando mamadeira para o bebê. Ela, com um certo ar de indignação, respondeu que não, e completou: "Vou ajudar a mamãe a segurar o bebê no colo paia ele mamá no peito dela!"

Amamentação prolongada gera amamentadoras!

terça-feira, 2 de agosto de 2011

A mãe mais feliz do quarteirão

Hoje ouvi o coração do segundinho batendo firme e forte... foi uma louca emoção. Depois de 1 ano e 3 gestações frustradas, o som dos 160 batimentos cardíacos por minuto, a toda, foi o som mais emocionante que eu já escutei. Um tratorzinho de emoções que me derrubou e me fez cair no pranto mais feliz da minha vida.
E logo fui contar para a Alice, que já faz o desejo de uma "RImãzinha" para tudo que é estrela e poço dos desejos que ela vê. Foi mágico.
- Filha, acabei de sair do médico e vi teu irmãozinho ou irmãzinha!
Com uma carinha meio confusa:
- HEIN?
- É filha, eu vi, tá aqui, dentro da barriga da mamãe. Eu gravei num DVD pra você poder ver também!
E o sorriso abriu largo naquela carinha linda:
- JÁ TÁ AÍ DENTRO???
- Tá!
E ela me pulou nos braços, beijou minha barriga, me abraçou, e saiu toda contente e saltitante para a piscina, para contar para a "tia".

Mais tarde, já em casa, quis ver e rever o DVD do ultrassom umas 10 vezes, me mandando repetir e sinalizando que deveríamos fazer silêncio quando o batimento cardíaco começava. Achou lindo que a "RImãzinha" (ou "RImãozinho") parecia uma bolinha. Conseguiu identificar o embrião na imagem, e apontava o coração pulsante, mostrando para a avó que aquilo era o "coiaçãozinho da minha RImãzinha (ou RImãozinho)".

Na hora de dormir me pediu para deitar pertinho dela "paia ficar bem pertinho da minha RImãzinha (ou RImãoizinho)". Falou animadamente sobre como ia ser legal quando o bebê nascesse e como ela iria dividir o quartinho dela com ele.
"Agoia eu num vou mais bincá sozinha... minha RImãozinha (ou RImãozinho) vai sempe bincá comigo!" Ela declarou, gloriosa.

E, quando já quase adormecia, com a voz sonolenta, abraçada comigo na cama, falou: "Obigada mamãe, por empestá sua barriga paia a minha RImãzinha (ou RImãozinho)!"

E com a nítida preferência por uma menininha, ainda que fazendo concessão para um possível menininho, Alice adormeceu feliz!

E eu, hoje, vou dormir como a mulher mais feliz do quarteirão! Agora sou mãe de dois!

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Conversa séria

Alice anda meio bichinho do mato. Ela é, na maior parte do tempo, simpática e falante. Mas, de uns tempos pra cá, quando conhece algum amigo ou amiga nossa, fica tímida e começa com aquela famosa mania infantil de ficar se enfiando por entre as minhas pernas. E, se a pessoa insiste em falar com ela ou pergunta alguma coisa, ela vira a cara. Eu não gosto disso e sempre, assim que ficamos sozinhas, digo a ela que não pode ser assim, que deve sempre falar, educadamente, com as pessoas. Se ela está me dando ouvidos ou não, eu não sei, mas preciso falar, nem que seja para eu me sentir melhor.
Outro dia ela fez uma dessas. O pai, pouco depois, a levou para passear e puxou o assunto com ela. Explicou que era muito feio não falar com os nossos amigos e como ela precisava sempre ser simpática e cordial quando a apresentávamos a alguém. Ela, num tom quasi-cordato, responde: "Tá boooom, pai... mas, vamo paiá de falar de coisa ruim agoia?"

Se aos 3 anos está assim, imagina quando estiver com 15?

quinta-feira, 21 de julho de 2011

O estranho conceito de idiomas

Estamos de férias em Minas Gerais, terra do Bom-dimais da conta, Alice conversa com todo mundo, especialmente com os donos de charretes, pôneis e animais variados. E daí surge a pérola...
"Mãe, aqui eles não falam português... nem Paulista... eles falam difeiente..."

E como tentar explicar que é tudo uma só língua, tudo português?
Ahhh... deixa estar... assim ela se sente poliglota!


(Não resisti contar essa para vocês... mas, agora, de volta às férias!)

quarta-feira, 20 de julho de 2011

De férias, até da rede

Achei que, durante as férias, eu fosse ter tempo de blogar depois que a Alice fosse dormir, mas, o Hotel faz a linha "descanso a todo custo" e não tem internet nos quartos, só na área social... portanto, internet só quando dá mesmo... assim, até de 27, nada de Mãeternar! Vejo vocês no dia 27!

sábado, 16 de julho de 2011

O conceito de férias

Alice está de férias na escola. Mas, as aulas de natação continuam acontecendo normalmente, sem recesso. Terminando o almoço comuniquei para a Alice que tínhamos que nos vestir para ir na aula de natação.
"Mas, mãe, eu tô di féias!" foi a resposta, num tom meio intrigada.
"Sim, filha, da escola, mas tem natação ainda..."
"Mas, mãe, féias é féias, não tem aula di nada, né?"
"Filha, mas natação é divertido, não é bem uma aula!"
"Mas mãe, aí eu num vô tá di féias!!!"

E o argumento final foi decisivo... ela tem razão: Férias são férias e nada deveria atrapalhar o conceito... férias são dias livres de obrigações. E que ela continue com essa idéia na cabeça pelo resto da vidinha dela porque saber relaxar e desligar é tão importante quanto saber cumprir com as nossas obrigações! Portanto, nessa casa, é oficial... estamos 100% de férias!

sexta-feira, 15 de julho de 2011

A primeira vez sozinha

Na primeira vez que saí de casa sem a Alice, ela tinha uns 15 dias. Eu fui até o supermercado da esquina, comprar tomates. Alice tinha acabado de mamar e eu a deixei com a minha mãe. Entre sair de casa e voltar, devo ter demorado uns 30 minutos, se tanto. Mas já voltei aflita.
Vai parecer maluquice, mas, tudo bem, eu vou confessar porque sei que não sou a única maluca no mundo e vou encontrar quem me entenda nessa blogosfera. Pois bem, durante os 30 minutos que fiquei na rua, a única coisa que eu conseguia pensar era como evitar que alguma coisa me acontecesse, porque eu cismei que se eu fosse atropelada/assaltada/se eu desmaisse/tivesse um infarte ou um derrame, Alice morreria sem mim. Pensei em telefonar para a minha mãe no celular, para avisar a ela que se eu não voltasse, ela deveria ligar correndo para a farmácia para comprar o leite X que era o único que eu admitiria ser dado na ausência completa do peito. Mas, me segurei porque sabia que minha mãe mandaria me internar (ou simplesmente me mandaria para um lugar não muito gentil!).
Voltei para casa e Alice estava ótima. Dormia. Exatamente como eu a deixara, intocada. Mesmo assim, ao vê-la no berço, respirei aliviada por ter chegado em casa sã e salva e por saber que assim que ela sentisse fome, eu estaria ali para amamentar.

Ps - uma coisa curiosa aconteceu nessa saidinha... uma senhora, na fila do supermercado, me percebeu meio aflita, e, talvez pelo fato de que eu estava usando aqueles protetores de peito de plástico duro que nos fazem parecer a Madonna, tenha sacado que eu tinha um bebê em casa... ou talvez tenha sido a cara de quem não dormia a 15 dias, ou a pança que ainda parecia ter um bebê lá dentro... sei lá, o fato é que sacou e me perguntou se eu tinha um bebê pequeno. Quando respondi que sim, ela me olha com um ar meio bravo e pergunta: "mas, você não deixou o bebê em casa sozinho, né? porque tem mãe que é maluca e deixa!"... então tá, né?rs

domingo, 10 de julho de 2011

Férias

Alice está de férias e muito animada com a perspectiva de só ter que brincar (sim, porque na escola, a aula de química inorgânica a deixou ACABADA!!!rs). Mas, seja como for, ela está empolgada e feliz com a idéia de poder brincar o dia inteiro, de ficar na cama até tarde (sei...) de preguiça conosco, de poder ir na casa da vovó quando quiser e, especialmente, de viajar para São lourenço, que ela ama.
Com isso o blog vai ficar temporariamente em segundo plano, virei aqui colocar as Alicices que surgirem quando der... mas até agosto a prioridade será, de fato, proporcionar férias deliciosas para a minha naniquinha!
Boas férias pessoal!

quarta-feira, 6 de julho de 2011

O rabo do meu pai

Na saída do balé, duas amiguinhas da minha filha, irmãs, emburradas. Pergunto o que houve e Alice, a fala-tudo, prontamente explica que uma irmã mordeu a outra durante a aula.
Eu digo que não pode morder, porque quem morde é cachorro, não criança. Aí pergunto para as irmãs se elas latem e têm rabos. As duas, rindo, respondem que não. Digo que então não podem morder.
A mais novinha delas (de 3 anos), me diz que o pai delas tem rabo. Eu, olhando para ela meio brincando, pergunto como é que o pai dela tem rabo se ele não é cachorro, e ela responde:
"É que ele tem um rabo diferente, não é no bumbum, é aqui ó (apontando para a virilha), bem na frente dele!"

E cadê que eu consegui não cair na gargalhada?

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Os "Glóbus"

Já tem um tempo que a Alice me questionou sobre o motivo dela sentir dor quando esbarrava com força em alguma coisa. Expliquei a ela que dentro de nós moram pequenos soldadinhos, e que, quando esbarramos ou nos machucamos de qualquer forma que seja, esses soldadinhos vão até o lugar que machucou para lutar contra a coisa que nos machucou, por isso doía. Ela amou a explicação e desde então, sempre que se machuca, diz que os soldadinhos estão brigando.
Outro dia Alice se machucou e saiu um tiquinho de sangue. Daí ela veio me perguntar porque o sangue saía. Expliquei a ela que os soldadinhos lutavam contra as bactérias, não as deixando entrar, e que se chamavam glóbulos brancos. Mas que eles precisavam da ajuda da aguinha vermelha, chamada sangue, para poder "lavar" o machucado, garantindo que nenhuma das bactérias ficasse ali no machucado, e que esse sangue era a água feita pelos glóbulos vermelhos, por isso era da cor vermelha. Expliquei também que depois que lavavam tudo, os glóbulos vermelhos paravam e ficavam bem quietinhos, até ficarem bem sequinhos e formarem uma casquinha que protegeria o machucado até a pele crescer de novo.
Alice, lógico, AMOU a explicação, e agora, sempre que se machuca já sai logo avisando para quem quiser ouvir: "os glóbus bancus são soldadinhos e tão lutando, e os glóbus vermelhos tão lavando... PAIA DI BIGÁ GÓBUS BANCUS... tá doendo!"
Adoro o fantástico mundo da imaginação da minha pequena!!!

quinta-feira, 30 de junho de 2011

A dura franqueza dos filhos

Alice comendo um biscoito, faz que vai me oferecer e reluta dizendo: "Mãe, você não tava comendo porque qué fica maguinha, né?"
Eu, meio rindo, respondo que sim.
"Mas, não conseguiu, né?" completou a baixinha.

Depois dessa eu concluo que preciso mesmo fechar a boca e perder MUITOS quilinhos!

Argumentos Infantis

Alice é rápida em aprender novos argumentos para suas discussões comigo. Atualmente, sempre que contrariada numa bronca, ela chora e diz: "Mamãe, você me magoou!"
E, bastou colocá-la para fazer uma atividade que não quer que ela já avisa logo: "acho que torci meu pesinho, não posso fazer isso."
Haja, viu!

domingo, 26 de junho de 2011

Papo de vô e neta

Vô: "Alice, sabia que eu sou APAIXONADO por você?"
Alice: "Mas, vô... eu já sou casada com o Bê!"

Então tá né?

sábado, 25 de junho de 2011

Memórias de uma mãe sonada

Hoje me lembrei de algumas histórias que achei que valia dividir. São antigas, mas nunca perdem sua graça, simplesmente porque, diariamente, mamães no mundo inteiro ficam sonadas a ponto de fazer coisas similares.
A primeira aconteceu quando Alice tinha cerca de 3 meses. Eu já exausta de tanto dormir picadinho e ela, no meio da madrugada, como de costume, acorda chorando. Cutuco meu marido e peço que ele a pegue no berço e a traga para que eu possa amamentá-la na nossa cama. Ele levanta, sai do quarto e, pela babá eletrônica eu ouço que ele entra no quarto dela. Ela para de chorar (imagino ao ver o pai). Ele volta, de braços vazios, olha para mim e diz: "O que é mesmo que eu tinha que buscar?" A essa altura, Alice volta a se esgoelar e eu respondo: "O que você ouvir no quarto ao lado!"

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A segunda história aconteceu quando ela tinha cerca de 4 meses. Ainda não se virava sozinha (CUSTOU A SE VIRAR), e ainda acordava a noite inteira. Eu ainda dormia picadinho e, a essa altura, tinha mais sono do que na primeira história. Na lateral do berço dela tinha um carneirinho, preso à grade, que tocava uma musiquinha se pressionado. Pela babá eletrônica eu começo a ouvir a musiquinha do bicho. Minha primeira reação? Cutucar o marido e dizer: "Amor, acho que entrou ladrão em casa e ele deve ter ligado o carneirinho da Alice para ela não chorar... vai lá ver?" E, lógico, virei pro lado e DORMI!!!!

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A última história aconteceu semanas mais tarde. Eu ainda dormia picadinho! Alice já se virava na cama (não de bruços, só fazia o famoso 360 pelo berço nas costas, sabe?). Mas eu ainda não tinha pleno conhecimento disso (foi nessa noite que me dei conta do feito!). Acordo com Alice chorando. Vou até o quarto no escuro e me abaixo para pegá-la no berço. Mas, para a minha surpresa, pego um par de pesinhos e não uma cabeça de bebê. Imediatamente, arregalo os olhos, assustada, esfrego-os vigorosamente para tentar enxergar alguma coisa e exclamo (para que o marido me ouça pela babá eletrônica): "Amor... Roubaram a cabeça da Alice!!!!"