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domingo, 19 de julho de 2009

A doce dor do amor materno

Quando nos descobrimos grávidas, somos tomadas por um amor sem igual. Antes mesmo daquele ser que está dentro de nós atingir o tamanho de uma ervilha, já o amamos e depositamos nele expectativas sem fim.
E então nasce aquela criaturinha linda, com cara de joelho (apesar de eu nunca ter visto um joelho bonito como minha filha!), que nos mantem acordados por noites sem fim, que nos enche de preocupações que nunca imaginamos, que chora e grita nos nossos ouvidos, que faz coco o tempo todo e nos obriga a encarar fraldas nojentamente imundas na calada da noite, muitas vezes esse coco acerta nossa cara, nossas roupas! A criaturinha cresce e só faz nos dar mais preocupações a cada espirro, tosse, queda. Somos tomados pelo desespero de pensar que algum mal pode esbarrar nessas nossas mini pessoas.
Enchemo-as de amor, ternura, algumas broncas. Gastamos o dinheiro que temos e que, por vezes, nem temos, para dar a eles tudo aquilo que achamos que merecem. Deixamos de ter vida social, passamos a esquecer que nós também precisamos de roupas novas, uma vez ou outra. E tudo isso com um prazer inominável.
Um dia, esse ser acorda resfriado, depois de uma noite mal dormida (tanto sua quanto dele), e de ovo virado. Do nada olha para você e resolve que você é o inimigo número um simplesmente porque o mal humor diz que é. E aí aquele serzinho te bate e se joga dos seus braços para os braços do pai/avó/tia... e não importa o quanto você peça um "upa gostoso", só recebe "não" como resposta. Te bate e puxa o seu cabelo.
E, como uma criança você se sente terrivelmente atingida por uma mágoa terrível. Uma sensação de que o SEU serzinho não gosta de você, que você dedicou e dedica todo o seu amor a alguém que simplesmente não te suporta. Vem o medo... me corrijo, o PÂNICO, de todo seu amor não ser correspondido. Você é tomada por uma sensação de que você é o pior ser do mundo e as lágrimas, que são uma combinação de cansaço com tristeza, mágoa, medo, jorram dos seus olhos.
A sua mente adulta te diz que é besteira, que teu filho logo estará se jogando nos seus braços e te declarando todo o amor do mundo, mas seu coração dói a cada vez que você tenta dar um beijo e a carinha se vira para o outro lado dizendo "NÃO" e logo em seguida cobre o maldito dinossauro cor-de-rosa de beijos e abraços.
E mais uma noite se passa. No dia seguinte, ao acordar, ouve a voz que te chama pela babá eletrônica: "MÃIIIIIII". Você entra no quarto e se aproxima do berço. Olha para aquele serzinho e novamente se enche de um amor profundo. O serzinho estica os braços e pede "coia mamãiii". Você o levanta do berço e ele se agarra ao seu pescoço, afundando aquele narizinho lindo no seu cangote. Você o leva para a sua cama e o serzinho se agarra a você e dorme tranquilamente, enchendo suas narinas com o cheiro mais doce do mundo, o cheiro mais único que você conhece, o cheiro de filho.
E toda a mágoa vai embora e você se lembra que aquele serzinho te ama muito! E você se dá conta que o amor materno dói, dói da forma mais doce que pode doer!

(Postado por Mariana)

Um comentário:

  1. Que texto emocionante, Mariana!
    Um abraço,
    Maura, mãe da Sophia, 2 meses.

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