Cena 1: Na rua, eu e Alice, ela diz sentir cheiro de pipoca e pede um saco de pipoca. Eu não vejo nenhum pipoqueiro nem sinto cheiro de pipoca no ar e explico que não tenho como comprar pipoca porque não tem pipoca por perto. Um biquinho de lá outro de cá e uma súbita dor de barriga. 15 minutos de choro, nenhuma contorção, nenhum pum, nada... Sento ela numa cadeira e digo que vamos para casa por conta da dor de barriga, afinal, impossível ficar na rua com uma criança sofrendo, correto? Para uma mulher ao meu lado e fala com Alice, pergunta porque ela está chorando. Alice não responde, está ocupada chorando e dizendo que está com dor de barriga. A mulher me pergunta o que ela tem e eu explico que ela diz estar com dor de barriga. Mulher olha feio para mim porque eu pergunto para a Alice se a dor de barriga é de verdade ou se é dor de barriga de eu quero pipoca. Mulher sai andando olhando para mim como se eu fosse a pior mãe do mundo. Alice para de chorar e diz que agora quer é ver o papai noel!
Cena 2: Alice no clube, na piscina grande comigo. Diz que quer ir para a outra piscina, a média. Digo a ela que iremos em alguns minutos, porque a outra está muito cheia. Alice começa a chorar porque, segundo ela, caiu água no olho dela e está ardendo MUITO. Como ela sempre faz escândalo com água no olho, mesmo quando o rosto está completamente seco, pergunto se é dor de verdade ou só de mentirinha? Mulher olha feio para mim porque eu estou duvidando da minha filha que tanto sofre com dor. Tento limpar o olho e acalmá-la, acreditanto que sou péssima mãe e que o olho pode mesmo estar ardendo por conta do cloro. Saímos da piscina porque ela continua chorando com os olhos cerrados dizendo que está ardendo MUITO.
Assim que saímos o choro cessa, os olhos abrem e Alice declara que quer ir para a outra piscina porque ali não arderá os olhos.
Moral da história: quando uma mãe e uma criança estão tendo uma "discussão", pense duas vezes antes de julgar essa mãe, afinal, só ela conhece o histórico de manhas do filho!