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sexta-feira, 29 de junho de 2012

Irmã Ciosa

Expliquei para Alice que, quando ela está doentinha, não deve ficar agarrando o irmão, para evitar que ele também fique doente. Não é uma explicação muito útil, já que ela acredita que quando está sem febre, não está doente. Mas, vale sempre reforçar para tentar, ao máximo, evitar esses ciclos infinitos de viroses compartilhadas.
Ontem, no carro, Alice começou a se sentir mal. Com frio e sonolência, ela mesma avisou que achava que estava com febre. Imediatamente peguei uma mantinha do Lucas e a cobri com ela. Alice, num movimento rápido, e um ar bravo, arrancou a manta e a jogou para longe.
"Alice, porque fez isso, filha. Você está com frio e teu irmão está te emprestando a mantinha dele para você ficar quentinha!" expliquei.
"Não, mãe! Eu estou doentinha, se eu usar a mantinha dele, minhas bactérias da febre vão ficar na mantinha e ele vai ficar doente!" retrucou, brava, Alice.
E, eu, derreti!

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Testando Conceitos

CENA 1
Alice jantava com o amigo que, ao ver o desenho de um homem na embalagem de suco, anuncia: "É de menino, olha aqui, tem um menino desenhado!"
Eu, rapidamente, tentando resgatar o único sabor de suco que minha filha toma, respondo: "uai, mas meninas, um dia, se casam com meninos, então, podem tomar esse suco também, né?"
Alice, rindo, diz: "Mãe, você falou meninas casam com meninas????"
E eu, na lata: "Não foi o que eu falei, mas, sim, casam sim, desde que haja amor, podem casar sim..."
Alice e o amigo riem da minha suposta maluquice e o assunto descamba para o quanto gostam do suco de uva e não do suco de sei lá mais o que.

CENA 2
Alguns dias mais tarde, Alice anuncia: "Não vou mais querer ser casada com o Bê! Agora quero casar com a Luisa!"
Eu dou uma risada, achando graça na declaração. A avó olha para ela e diz, instintivamente, que não pode casar com a melhor amiga.
Alice, sem titubear, responde: "Posso sim! Minha mãe falou que meninas podem casar com meninas e eu prefiro ser casada com a Luisa porque eu amo ela!"

Conceito testado e, espero, idéia de que não existe regra social para o amor registrada!

terça-feira, 5 de junho de 2012

Os Portugueses

Estávamos chegando em casa quando Alice viu, na portaria, um monte de cadeiras que estavam empilhadas para uso durante a reunião de condomínio, e daí me surgiu com a conversa mais hilária da minha vida.
"Mãe, eu acho que essas cadeiras são para aquela reunião que vai ter!"
"Que reunião, filha?"
"A que a tia falou, a que vai tentar salvar o nosso planeta, o Brasil!"
"A Rio +20?"
"Essa mãe, a Brasil +20!"
"É mesmo filha? E você sabe quem vem nessa reunião?"
"Pessoas de todos os planetas! Será que podemos ir?"
"Pra que, filha?"
"Pra conhecer os portugueses, os de verdade!"
(Ela quer conhecer os Portugueses desde o dia que aprendeu que os portugueses descobriram o Brasil!)
"É, filha, podemos tentar ir sim!"

E, assim, tão logo comece o evento eu vou ter que dar um jeito de ir lá apresentar alguns portugueses para a minha filha!

domingo, 27 de maio de 2012

Independência

Domingo, 09:30h, acordo e peço ao marido para ir acordar a Alice, que foi dormir tarde na noite anterior e, acreditava eu, ainda dormia. Marido vai até o quarto dela e, de lá, com voz preocupada, avisa que ela não está na cama. Digo que ela deve estar se escondendo debaixo da cama, como faz com freqüência. Ele procura, e NADA. Saio pela casa chamando por ela, já que ela adora brincar de se esconder e, não raro, se enfia em cantos inacreditáveis dentro de casa. Mas, nada dela aparecer ou responder aos chamados.

Pausa para explicar algumas coisas, antes que chamem o conselho tutelar!
Não temos o hábito de passar chave na porta, nos bastamos em bater a porta. Nosso prédio é pequeno e quase todo mundo se conhece ou, se não conhece, sabe quem é. Nem mosquito passa pela portaria aqui de casa sem o porteiro identificar, é um prédio bastante seguro. Por conta do uso do ar condicionado no verão e da presença de uma pastora alemã assaz abusada que adora uma cama, dormimos com as portas dos quartos fechadas, tanto a porta do nosso quarto, quando a do quarto das crianças. Para saber o que rola no quarto das crianças, eu tenho uma babá eletrônica, e SEMPRE acordo, com o mais suave barulhinho. Então, voltemos ao que interessa, a minha desaparecida.

Por um segundo, paro e tento pensar se ainda tem algum esconderijo que tenha escapado à minha atenção, e, uma luz pisca na minha cabeça: A CASA DA AVÓ. Sou vizinha de porta da minha sogra e, lógico, Alice só poderia ter ido pra lá. Como relâmpago, vamos até a porta da minha sogra e tocamos a campainha. Seguramos o fôlego, por segundos, com a dúvida: "E se ela não estiver aí?" Mas estava, e pudemos respirar fundo de novo. A vontade era de dar uma bronca sem igual na pequena, mas, o alívio era tal que só consegui abraçar forte e dizer, com firmeza, que ela não podia fazer aquilo comigo, e que eu tinha ficado muito preocupada quando não a encontrei em casa.
O curioso foi que ela saiu quietinha, evitando, de propósito, fazer qualquer barulho, já que sabe que, pela babá eletrônica, eu ouço TUDO. Normalmente eu acordo com o som dela sentando na cama (pois é, acredite, o ouvido é tão treinado que eu identifico esse som!), e, juntou um cansaço extremo de uma semana de filho doente em casa, com uma filha louca para ganhar a independência de sair de casa sozinha, e eu, pela primeira vez na vida, não acordei.
E, com isso, aos 4 anos de idade, Alice sente-se apta a sair de casa sozinha! E a mamãe decidiu que, além de passar a chave na porta, vai colocar uma gradinha na porta do quarto das crianças, porque, apesar da Alice saber abrir a grade, é impossível fazer isso em silêncio absoluto!

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Entendendo o passado

"Mãe, a vó Dora podia me ajudar a fazer uma pesquisinha no computador enquanto você faz o jantar?"
"Filha, sua avó não sabe mexer em computador."
"Nem quando ela era criança ela sabia?"
"Não tinha computador quando ela era criança... nem quando eu era criança... computador é coisa nova filha."
"Ué, mas, se não tinha computador, como é que você fazia dever de casa?"
"Eu fazia cortando figuras de revistas, lendo em livros e escrevendo com a caneta!"
"Ahhh... mas impressora tinha, né?"


E, numa única conversa, envelheci uns 50 anos!

terça-feira, 22 de maio de 2012

Mãe de primeira viagem pela segunda vez

Quando eu ainda atendia crianças no consultório, eu sempre explicava para as mães que mesmo no segundo filho, a mãe era mãe de primeira viagem, porque cada filho é diferente e é a primeira vez que ela é mãe daquele segundo filho. E hoje, muitos anos mais tarde, eu vejo que eu tinha razão! (huahuahuaha, pausa para rir porque essa frase ficou, no mínimo, engraçada!huahuahuahau)
Mas, é isso mesmo, estou sentindo na pele a beleza de ser mãe de primeira viagem do meu segundo filho. Fora o fato de que ele é, fisicamente, um clone da Alice na versão masculina, todo o resto mudou!
Alice não dormia, Lucas nasceu dormindo e dorme como um anjo. Aliás, é preguiçoso que só ele e AMA dormir. Não preciso fazer esforço para fazê-lo dormir e ele dorme praticamente a noite inteira, sem muito esforço da minha parte. Isso talvez seja a chave para todo o resto que eu vou falar, porque, sinceramente, bebê que dorme é naturalmente mais tranquilo do que bebê que não dorme e, vamos combinar, mãe que dorme tem infinitamente mais paciência do que mãe que não dorme.
Dito isso, o que mais eu posso dizer? Sim, Lucas é um bebê pacífico, ele AMA ficar agarradinho num colinho, adora curtir um bercinho na dele, adora também dormir na minha cama comigo, curte deitar ao meu lado quietinho e curte ficar horas "namorando" comigo. Em contrapartida, eu curto fazer tudo isso com ele. Alice era energética, era brava. Do nada ela desatava a chorar na mais profunda irritação me deixando desesperada com a sensação de que ela não gostava de ficar no meu colo. Alice detestava o berço, parecia que ele tinha um colchão de pregos. Acho que se pudesse, ela tinha pulado dele no primeiro dia depois de chegar em casa. Ela também nunca gostou de dormir na minha cama. Alice não era um bebê chameguento. Ela gostava do meu colo, mas só do meu e se o peito estivesse a disposição!
Alice era viciada, fissurada, grudada no peito. Eu dizia que ela não tinha pega, ela acoplava! Lucas AMA mamar. E ele mama, muito! Mas não é viciado no peito. Ele se alimenta, depois larga o bico e dorme feliz!
Com a dificuldade que eu tinha com o sono da Alice, eu acabei criando mil regras para ela. Alice tinha hora pra tudo, ordem pra tudo. Era rotina rígida, na esperança de uma noite de sono que, veja bem, acabou vindo só aos 27 meses! Com o Lucas tudo é mais relaxado, mais tranquilo. Ainda que eu preze a rotina dele, é uma rotina bem mais tolerante!
Além disso, com a Alice, acreditando na necessidade de dar autonomia, de não "mimar", eu não ficava tanto com ela no colo, até porque ela mesma não curtia! Com o Lucas, talvez por me dar conta que é uma fase que voa, talvez por já ter a noção de que colo não mima, talvez por saber que é a última vez, eu vivo com ele no colo... não me canso de segurar e cheirar e chamegar. Por mim ele passaria 24h por dia no meu colo!
Lógico que existem também as diferenças de sexo, mas essas era esperadas. Eu sabia que cuidar da higiene de um menino seria mais simples. E, hoje, eu digo que é menos neurótica. Com meninas corremos para trocar fraldas assim que achamos que está molhada. Temos medo das infecções urinárias e dos corrimentos e cândidas. Com meninos só trocamos quando a fralda está, de fato, cheia ou suja! Enquanto Alice usava cerca de 10 fraldas por dia até os 4 meses, Lucas usa umas 6!
Eu sei que muita coisa ainda está por vir, tenho certeza que diferenças ainda surgirão. Eu tenho plena ciência de que ainda sou mãe de primeira viagem da Alice, afinal, eu nunca tive uma filha de 5 anos, nem uma de 6, 7, 8, e assim por diante. E, agora, mais do que nunca, sei que serei mãe de primeira viagem para o Lucas, uma vez que nunca tive um filho de 1 ano, nem um de 2, 3, 4, 5 e lá vamos nós. E, sinceramente, acho isso maravilhoso. Acho que seria muito chato ser mãe que sabe tudo sobre a maternidade de todos os seus filhos. Parte da maravilha de ser mãe é, pra mim, a constante onda de surpresas que eu encaro diariamente!

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Entregando o Ouro

"Mãe, lembra que você botou balinha na minha lancheira outro dia?" perguntou a nanica puxando conversa.
"Não lembro não, filha. Eu nunca coloquei bala na lancheira. Na lancheira só coloco coisas saudáveis!" respondo eu, confusa.
"Botou sim mãe, botou!" insiste ela.
"Filha, eu NUNCA colocaria bala na tua lancheira! Na lancheira só entra lanchinho que alimenta e bala não alimenta!" retruco.
"OOOPS!" reage ela, cobrindo a boca como quem percebe que falou o que não deve.
"Oops? Oops o que?" digo, já prevendo a resposta.
"Nada não, mãe..." diz ela, disfarçando (pessimamente, por sinal!).
"Fala filha... oops o que?" insisto.
"Acho que foi meu pai, né?" responde ela, com um ar maroto. E completa: "Quando era meu pai que estava fazendo meu lanchinho, sempre tinha chocolate. Ele sempre botava. Você não põe, né? Porque você é mãe e as mães sabem que só pode comer coisa saudável no lanchinho."
Com isso, a mãe percebeu que ela precisa largar tudo pela manhã, adiar ou adiantar a hora da mamada do caçulinha, e ir, pessoalmente, preparar o lanchinho da baixinha!