Dia de jogo é um inferno aqui em casa. Aliás, em quase todas as casas cariocas. Parece que quando o time entra em campo, a educação do povo sai pela janela! É um tal de gritos, uivos e fogos a cada erro, acerto, quase gol, gol. E quando é do time do torcedores dos arredores (no meu caso, moro numa área onde o Flamengo parece predominar), o barulho é grande, mas pelo menos são menos palavrões. Agora, quando o time que fez o gol é o outro (qualquer um, escolhe aí o que quiser...) a porca torce o rabo.
Um vizinho do prédio ao lado, que é flamenguista doente, perde totalmente a compostura nos momentos que acha que não são favoráveis ao seu time. Grita impropriedades aos berros na janela. Xinga jogadores, oponentes, juizes, bandeirinhas e qualquer pessoa envolvida no evento. Imagino que não tenha filhos, ou, se os tem, imagino que participem dessa baderna, repetindo as lindas palavras que ele profere para o grande público carioca.E tem gente que ainda encoraja os filhos a torcerem repetindo esses palavrões. Nunca paro de me surpreender com crianças pequenas gritando horrores na frente da TV enquanto assistem a jogos de futebol!
O fato é que hoje Alice entrou no carro, quando fui buscá-la na escola, e perguntou: "Mãe, onde é a casa do caiaio?"
Entre o surpresa e o assustada, já que mesmo não tendo a boca mais limpa do mundo, me policio muito perto dela e não gosto dessa palavra em especial, portanto, não a uso nunca, perguntei, meio que não dando bola, mas também querendo saber onde ela teria escutado isso: "Não sei o que é isso, filha... de onde você tirou isso?"
"Eu inventei, mãe, tiei da minha cabeça!" respondeu.
E aí pinta a dúvida, sigo ou mudo de assunto?
Deixei cair o assunto e fomos para casa. Mais tarde ela repetiu a pergunta e eu perguntei onde tinha escutado isso. Ela se limitou a dizer que foi o moço na rua. Mas, tenho quase certeza que essa palavra foi aprendida pela janela de casa em dia de jogo.
Aí me perguntam porque eu não gosto de futebol da forma que ele é encarado no Rio de Janeiro... tá aí a resposta...
segunda-feira, 30 de maio de 2011
quinta-feira, 26 de maio de 2011
O primeiro exame de sangue
Tem quatro dias que Alice está com febre alta. Nenhum sintoma, nenhum espirro, nenhum nariz entupido, nada. Febre e só. Com isso hoje decidimos investigar mais a fundo e fazer um exame de urina e sangue. Urina sempre é bem simples. Brincadeira de pipi no potinho e ela se amarrou. Mas eu temia pelo exame de sangue.
Alice já tinha tomado vacinas. Sempre deu aquela chorada básica. E depois chorava um pouco mais, alguma horas mais tarde. Quando lembrava da vacina. Mas no todo até que se comporta.
Mas, exame de sangue é sempre mais delicado, né? A criança está doente, mais sensível, irritável. Além disso, não é uma espetada básica, é uma espetada longa e chata. Ainda mais com crianças que não tem como tirar no vácuo, que sempre dói menos. É na seringa mesmo.
Conversei com ela e expliquei que teria que ser corajosa porque ia doer um pouquinho, mas que logo passaria. Disse a ela que podia chorar se achasse que estivesse doendo, e que se quisesse poderia apertar o meu dedo para dividir a dor comigo. Aguardamos o momento de entrar. Eu, já sofrendo com a simples idéia de ver minha pequena sendo furada, imaginando gritos, choro intenso. Ela, saltitante, perguntando, a cada 10 minutos, se já era hora de "tiá o sangue po exame".
Quando nos chamaram, ela entrou sorridente e dizendo que estava "ponta paia tiá sangue". Deitou-se na maca e a enfermeira falou que ia colocar uma pulseira bem apertada que ia doer um pouquinho. Ela deixou, com tranquilidade. A enfermeira pediu que eu firmasse o bracinho, com o corpo apoiado sobre o dela, para garantir que ela não sairia da posição. Outra enfermeira segurou as perninhas. Parecia cena de Silêncio dos Inocentes versão infantil. Minha mãe, que me acompanhou, segurou na outra mãozinha, para ela poder apertar na hora de "dividir" a dor. Alice, tranquilamente, observava tudo que a enfermeira fazia, calmíssima, para minha surpresa.
E então chegou o momento. A espetada. Eu pronta para ter que segurar e acalmar minha pequena. E veio a espetada, depois puxaram o sangue. Ela, o tempo todo, quietinha e tranquila. Terminou o procedimento e veio uma chuva de elogios das enfermeiras, da avó e de mim. E ela me olhou, com um sorrisinho lindo e orgulhoso e falou: "Mãe, você falou que ia doer e doeu, só um pouquinho aí acabou!"
E eu, babando de orgulho da minha pequena menininha corajosa, saí dali com a certeza de que nessas horas, a sinceridade é fundamental. Parte do não doer foi por conta dela saber o que esperar.
Alice já tinha tomado vacinas. Sempre deu aquela chorada básica. E depois chorava um pouco mais, alguma horas mais tarde. Quando lembrava da vacina. Mas no todo até que se comporta.
Mas, exame de sangue é sempre mais delicado, né? A criança está doente, mais sensível, irritável. Além disso, não é uma espetada básica, é uma espetada longa e chata. Ainda mais com crianças que não tem como tirar no vácuo, que sempre dói menos. É na seringa mesmo.
Conversei com ela e expliquei que teria que ser corajosa porque ia doer um pouquinho, mas que logo passaria. Disse a ela que podia chorar se achasse que estivesse doendo, e que se quisesse poderia apertar o meu dedo para dividir a dor comigo. Aguardamos o momento de entrar. Eu, já sofrendo com a simples idéia de ver minha pequena sendo furada, imaginando gritos, choro intenso. Ela, saltitante, perguntando, a cada 10 minutos, se já era hora de "tiá o sangue po exame".
Quando nos chamaram, ela entrou sorridente e dizendo que estava "ponta paia tiá sangue". Deitou-se na maca e a enfermeira falou que ia colocar uma pulseira bem apertada que ia doer um pouquinho. Ela deixou, com tranquilidade. A enfermeira pediu que eu firmasse o bracinho, com o corpo apoiado sobre o dela, para garantir que ela não sairia da posição. Outra enfermeira segurou as perninhas. Parecia cena de Silêncio dos Inocentes versão infantil. Minha mãe, que me acompanhou, segurou na outra mãozinha, para ela poder apertar na hora de "dividir" a dor. Alice, tranquilamente, observava tudo que a enfermeira fazia, calmíssima, para minha surpresa.
E então chegou o momento. A espetada. Eu pronta para ter que segurar e acalmar minha pequena. E veio a espetada, depois puxaram o sangue. Ela, o tempo todo, quietinha e tranquila. Terminou o procedimento e veio uma chuva de elogios das enfermeiras, da avó e de mim. E ela me olhou, com um sorrisinho lindo e orgulhoso e falou: "Mãe, você falou que ia doer e doeu, só um pouquinho aí acabou!"
E eu, babando de orgulho da minha pequena menininha corajosa, saí dali com a certeza de que nessas horas, a sinceridade é fundamental. Parte do não doer foi por conta dela saber o que esperar.
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Experiências "obrigatórias" para crianças
Eu levei muito tempo para conseguir entrar numa piscina sem tampar o nariz para afundar. Também não sei em que momento tirei as rodinhas da minha bicicleta, só sei que nunca consegui virar uma grande ciclista, ando de bicicleta direitinho, mas não ouso muito não. Fiz balé, fiz jazz, fiz ginástica olímpica, aprendi algumas coisas de Ginástica Rítmica. Estudei Inglês e Francês. Nunca aprendi um instrumento musical, sempre me achei um tanto incapaz nesse setor, aliás. Nunca fiz uma aulinha de artes plásticas, nem tampouco de teatro. Lembro que rolava uma "modinha" de fazer impostação de voz... eu sempre me achei uma gralha, portanto, nunca cheguei perto de algo do gênero.
De algumas experiências eu sinto falta, de outras, nem tanto. Mas, tem algumas coisas que eu me arrependo de não ter insistido mais com meus pais, como a música, por exemplo.
E, agora, sou mãe. E sou eu quem tem que decidir que tipo de experiência minha filha vai ter. Gostaria de dizer que ela terá todas, e posso dizer que tão logo ela tenha discernimento para tanto, ela vai decidir o caminho dela, em quase tudo.
Mas algumas coisas eu sinto que eu tenho que forçar a barra, e insistir para que ela aprenda.
Natação, por exemplo, é, para mim, uma obrigação. Na minha cabeça, toda criança precisa aprender a nadar e ponto final. Não porque natação é um esporte saudável, que, indubitavelmente, é. Mas por questão de sobrevivência. Acho que todo ser humano precisa saber que é capaz de flutuar para, numa eventualidade, conseguir salvar a própria vida na água. Nunca sabemos o dia de amanhã e basta um tropeço na beira de uma piscina, para o saber nadar se tornar vital. Portanto, Alice faz natação e fará até saber nadar. Isso já falei para ela e ela parece ter entendido. Expliquei que depois que ela souber nadar direitinho, ela poderá decidir se vai continuar fazendo aulas de natação ou não. Mas que até então, é natação é atividade obrigatória.
Ela quis fazer balé. Eu a matriculei com gosto. Acho que da forma que é ensinado na aula dela, ajuda a desenvolver o equilíbrio, a postura, a concentração. O Balé não é uma obrigação e, isso também, já foi deixado claro para ela. Ela fará balé pelo tempo que quiser, quando não quiser mais, ela poderá sair do balé e tentar um outro esporte. Afinal, dançar não é vital.
Agora ela começa a se interessar por bicicletas. Eu ainda acho ela nova demais para aprender a andar de verdade. Por hora, pequenas voltinhas de mini bicicleta de rodinhas no pátio do prédio bastarão. Mas, sim, no futuro, quero que ela aprenda. Quero que ela tenha segurança sobre uma bicicleta. Não por ser vital, mas para dar a ela uma opção de um bom exercício que pode servir como meio de transporte no futuro.
O inglês será obrigatório no futuro. Por hora, o que aprende na escola (que tem um bom programa de inglês) e em casa comigo é mais do que suficiente. Mas no futuro ela será matriculada num bom curso de inglês, e aprender o idioma será cobrado dela como obrigação. Infelizmente, nesse mundo em que vivemos, quem não fala inglês, acaba perdendo muitas oportunidades. Já outro idioma, ficará por conta dela. Se quiser um dia aprender Russo, terei prazer em fazer a sua inscrição num bom curso. Mas antes ela tem que falar inglês.
Lógico que tudo isso pode mudar no futuro, afinal, quem tem filho sabe que o futuro é sempre uma caixinha de surpresas com eles.
E, vocês, têm algumas experiências que considera obrigatórias para seus filhos?
De algumas experiências eu sinto falta, de outras, nem tanto. Mas, tem algumas coisas que eu me arrependo de não ter insistido mais com meus pais, como a música, por exemplo.
E, agora, sou mãe. E sou eu quem tem que decidir que tipo de experiência minha filha vai ter. Gostaria de dizer que ela terá todas, e posso dizer que tão logo ela tenha discernimento para tanto, ela vai decidir o caminho dela, em quase tudo.
Mas algumas coisas eu sinto que eu tenho que forçar a barra, e insistir para que ela aprenda.
Natação, por exemplo, é, para mim, uma obrigação. Na minha cabeça, toda criança precisa aprender a nadar e ponto final. Não porque natação é um esporte saudável, que, indubitavelmente, é. Mas por questão de sobrevivência. Acho que todo ser humano precisa saber que é capaz de flutuar para, numa eventualidade, conseguir salvar a própria vida na água. Nunca sabemos o dia de amanhã e basta um tropeço na beira de uma piscina, para o saber nadar se tornar vital. Portanto, Alice faz natação e fará até saber nadar. Isso já falei para ela e ela parece ter entendido. Expliquei que depois que ela souber nadar direitinho, ela poderá decidir se vai continuar fazendo aulas de natação ou não. Mas que até então, é natação é atividade obrigatória.
Ela quis fazer balé. Eu a matriculei com gosto. Acho que da forma que é ensinado na aula dela, ajuda a desenvolver o equilíbrio, a postura, a concentração. O Balé não é uma obrigação e, isso também, já foi deixado claro para ela. Ela fará balé pelo tempo que quiser, quando não quiser mais, ela poderá sair do balé e tentar um outro esporte. Afinal, dançar não é vital.
Agora ela começa a se interessar por bicicletas. Eu ainda acho ela nova demais para aprender a andar de verdade. Por hora, pequenas voltinhas de mini bicicleta de rodinhas no pátio do prédio bastarão. Mas, sim, no futuro, quero que ela aprenda. Quero que ela tenha segurança sobre uma bicicleta. Não por ser vital, mas para dar a ela uma opção de um bom exercício que pode servir como meio de transporte no futuro.
O inglês será obrigatório no futuro. Por hora, o que aprende na escola (que tem um bom programa de inglês) e em casa comigo é mais do que suficiente. Mas no futuro ela será matriculada num bom curso de inglês, e aprender o idioma será cobrado dela como obrigação. Infelizmente, nesse mundo em que vivemos, quem não fala inglês, acaba perdendo muitas oportunidades. Já outro idioma, ficará por conta dela. Se quiser um dia aprender Russo, terei prazer em fazer a sua inscrição num bom curso. Mas antes ela tem que falar inglês.
Lógico que tudo isso pode mudar no futuro, afinal, quem tem filho sabe que o futuro é sempre uma caixinha de surpresas com eles.
E, vocês, têm algumas experiências que considera obrigatórias para seus filhos?
terça-feira, 24 de maio de 2011
Meninas e Meninos
Eu sempre me vi mãe de menina. Adoro um lacinho, um frufru. Adoro saber que, no futuro, poderei trocar idéias, de igual para igual, sobre ser mulher. Sei que é mais difícil para mulheres no mundo que vivemos, mas sei também que é isso que nos faz tão fortes e nos faz capaz de enfrentar tantas coisas.
Além disso eu sempre tive uma dificuldade com a idéia de cuidar de um pinto... vejam bem, nunca tive um, não sei como se faz!rs
Quero mais filhos, estou tentando, e se vier um menino, será maravilhoso, verei o outro lado da moeda. Mas, lá no fundinho, acho que nasci para criar meninas.
Mas minha filha não é uma "menininha" que só brinca de boneca e de fazer comidinha (até porque se for se espelhar na mãe, ficará longe de qualquer alimento em fase de preparo!). Alice ADORA brincar de carrinho, jogar bola, lavar o carro com o pai. Ela vibra quando vê um carro legal e faz comentários como "mãe, olha que carrão!".
Eu a crio livre para escolher o que quiser na sua vida. Me pediu para fazer ballet, e lá vai ela, duas vezes por semana, vestida de tutu e sapatilha, para a aulinha dela. Mas se um dia quiser fazer judô, terei o mesmo prazer em levá-la (até porque sempre sonhei em fazer taekwondo!). Se quiser só andar de vestido, ótimo para ela, mas se só gostar de calça, maravilha também. Ela usa rosa, porque quer, mas também usa azul marinho, camisa com estampa de carrinho e o que mais puderem imaginar e ela achar legal. Ela adora futebol com o avô, torce pro Flamengo e tira onda com o pai, que é botafoguense. Alice não tem orelha furada, e, mesmo com todas as amigas da escola usando seus brincos, ela não demonstra a menor vontade de tê-los. E no dia que quiser, os terá. Mas também curte suas barbies e adora uma pulseira.
Alice é livre e o que decidir ser, ela será, com toda a liberdade do mundo! Ela sabe que é assim e sabe que o meu amor por ela independe de ser isso ou aquilo.
E aí, eu me deparo com um artigo sobre um casal que decidiu criar o/a filho/a sem revelar a ninguém o sexo da criança (quem quiser ler o artigo, pode encontrá-lo aqui: Casal canadense decide criar bebê sem definir o sexo). Nome neutro, roupa neutra, e, já que o idioma permite (inglês), referências sempre neutras. Ou seja, a criança, em tese, está livre para decidir seu próprio sexo...
Veja bem, cada um com seu cada qual, mas eu tenho a impressão que isso não mudará nada na vida da criança, a não ser uma grande confusão na sua cabecinha no dia que ela (a criança) tiver que viver com outros seres humanos no mundo real. Acontece que, mesmo tendo a liberdade de "escolher" sua sexualidade ou identidade sexual por conta própria, essa criança tem um orgão genital que a define. Sexo, ou gênero, não se define... se nasce! A identidade sexual é que é definida de uma ou outra forma. E, como não acredito nessa história de que identidade sexual são uma escolha, pra mim, não funciona essa teoria desses pais.
Eu entendo que uma pessoa É homossexual, ou É transexual. Ela escolhe viver isso plena e abertamente, ou não. E essa é a escolha que podemos "liberar" para nossos filhos. Podemos dar a eles a segurança necessária para, quando identificarem o que sentem, viver livremente seus sentimentos mais íntimos. Mas, esconder o gênero da criança não faz isso mais fácil!
Aliás, acho que até complica a coisa. Porque, de certa forma, sem induzir, você acaba induzindo... veja bem, se, por algum motivo, na escola as pessoas começarem a identificar a criança como uma menina, será natural que essa criança, que não tem sua própria identidade de gênero, acabe se agrupando entre "meninas", ou vice e versa. E, se a identidade que ela for identificada na escola não for condizente com o orgão genital que ela tem, imagine a confusão!
Não sei... mas na minha humilde opinião de mãe, acho que o nosso papel é ajudar a criança a se definir e se auto-afirmar dentro daquilo que ela é. Minha filha é menina, tem nome de menina, tem brinquedos de meninas e de meninos, brinca com meninas e com meninos (seu melhor amigo, por sinal, é um menino!). Minha filha sabe que ela é mulher, do sexo feminino. Minha filha, aos 3 anos, já entendeu que ela tem uma "perereca" (termo que ela mesma escolheu) e que os meninos têm pinto. Mas não é isso que, no futuro, a impedirá de encontrar seu próprio caminho sexual.
Ela vai encontrar esse caminho recebendo o apoio que precisar quando ela tiver questionamentos. Ela encontrará esse caminho quando entender que, como menina, ela continuará tendo todo o nosso amor quando decidir quem ela vai amar e que tipo de atividade ela vai gostar de fazer.
Acho que essa coisa de reinventar a roda e achar que podemos anular coisas que não são anuláveis não pode trazer paz de espírito.
Mas, cada um com seu cada qual. A única coisa que espero é que esses pais saibam lidar com as infindáveis dificuldades que esse tipo de atitude vai trazer para essa criança.
E sigo pensando que o meu papel é facilitar a entrada da minha filha no mundo real, seja por qual rota ela escolha tomar, e não impor minhas crenças sobre ela.
Além disso eu sempre tive uma dificuldade com a idéia de cuidar de um pinto... vejam bem, nunca tive um, não sei como se faz!rs
Quero mais filhos, estou tentando, e se vier um menino, será maravilhoso, verei o outro lado da moeda. Mas, lá no fundinho, acho que nasci para criar meninas.
Mas minha filha não é uma "menininha" que só brinca de boneca e de fazer comidinha (até porque se for se espelhar na mãe, ficará longe de qualquer alimento em fase de preparo!). Alice ADORA brincar de carrinho, jogar bola, lavar o carro com o pai. Ela vibra quando vê um carro legal e faz comentários como "mãe, olha que carrão!".
Eu a crio livre para escolher o que quiser na sua vida. Me pediu para fazer ballet, e lá vai ela, duas vezes por semana, vestida de tutu e sapatilha, para a aulinha dela. Mas se um dia quiser fazer judô, terei o mesmo prazer em levá-la (até porque sempre sonhei em fazer taekwondo!). Se quiser só andar de vestido, ótimo para ela, mas se só gostar de calça, maravilha também. Ela usa rosa, porque quer, mas também usa azul marinho, camisa com estampa de carrinho e o que mais puderem imaginar e ela achar legal. Ela adora futebol com o avô, torce pro Flamengo e tira onda com o pai, que é botafoguense. Alice não tem orelha furada, e, mesmo com todas as amigas da escola usando seus brincos, ela não demonstra a menor vontade de tê-los. E no dia que quiser, os terá. Mas também curte suas barbies e adora uma pulseira.
Alice é livre e o que decidir ser, ela será, com toda a liberdade do mundo! Ela sabe que é assim e sabe que o meu amor por ela independe de ser isso ou aquilo.
E aí, eu me deparo com um artigo sobre um casal que decidiu criar o/a filho/a sem revelar a ninguém o sexo da criança (quem quiser ler o artigo, pode encontrá-lo aqui: Casal canadense decide criar bebê sem definir o sexo). Nome neutro, roupa neutra, e, já que o idioma permite (inglês), referências sempre neutras. Ou seja, a criança, em tese, está livre para decidir seu próprio sexo...
Veja bem, cada um com seu cada qual, mas eu tenho a impressão que isso não mudará nada na vida da criança, a não ser uma grande confusão na sua cabecinha no dia que ela (a criança) tiver que viver com outros seres humanos no mundo real. Acontece que, mesmo tendo a liberdade de "escolher" sua sexualidade ou identidade sexual por conta própria, essa criança tem um orgão genital que a define. Sexo, ou gênero, não se define... se nasce! A identidade sexual é que é definida de uma ou outra forma. E, como não acredito nessa história de que identidade sexual são uma escolha, pra mim, não funciona essa teoria desses pais.
Eu entendo que uma pessoa É homossexual, ou É transexual. Ela escolhe viver isso plena e abertamente, ou não. E essa é a escolha que podemos "liberar" para nossos filhos. Podemos dar a eles a segurança necessária para, quando identificarem o que sentem, viver livremente seus sentimentos mais íntimos. Mas, esconder o gênero da criança não faz isso mais fácil!
Aliás, acho que até complica a coisa. Porque, de certa forma, sem induzir, você acaba induzindo... veja bem, se, por algum motivo, na escola as pessoas começarem a identificar a criança como uma menina, será natural que essa criança, que não tem sua própria identidade de gênero, acabe se agrupando entre "meninas", ou vice e versa. E, se a identidade que ela for identificada na escola não for condizente com o orgão genital que ela tem, imagine a confusão!
Não sei... mas na minha humilde opinião de mãe, acho que o nosso papel é ajudar a criança a se definir e se auto-afirmar dentro daquilo que ela é. Minha filha é menina, tem nome de menina, tem brinquedos de meninas e de meninos, brinca com meninas e com meninos (seu melhor amigo, por sinal, é um menino!). Minha filha sabe que ela é mulher, do sexo feminino. Minha filha, aos 3 anos, já entendeu que ela tem uma "perereca" (termo que ela mesma escolheu) e que os meninos têm pinto. Mas não é isso que, no futuro, a impedirá de encontrar seu próprio caminho sexual.
Ela vai encontrar esse caminho recebendo o apoio que precisar quando ela tiver questionamentos. Ela encontrará esse caminho quando entender que, como menina, ela continuará tendo todo o nosso amor quando decidir quem ela vai amar e que tipo de atividade ela vai gostar de fazer.
Acho que essa coisa de reinventar a roda e achar que podemos anular coisas que não são anuláveis não pode trazer paz de espírito.
Mas, cada um com seu cada qual. A única coisa que espero é que esses pais saibam lidar com as infindáveis dificuldades que esse tipo de atitude vai trazer para essa criança.
E sigo pensando que o meu papel é facilitar a entrada da minha filha no mundo real, seja por qual rota ela escolha tomar, e não impor minhas crenças sobre ela.
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Vida pós maternidade
Tem gente que me critica por eu não não ser mais boêmia como eu era. Tem gente que me critica por eu não pegar minhas malas e viajar, deixando minha filha com a avó por uns dias. Tem gente que acha que depois que virei mãe, deixei de ter vida. Engana-se quem acha isso. Nunca tive tanta vida!
Realmente, antes de ter minha filha, eu era figurinha fácil nas noites cariocas. Conhecia um mundo de gente e podia sair sozinha que eu sempre encontrava gente conhecida ou, na falta dessas, conhecia genet nova. Eu era uma "borboleta social". Era divertido, MUITO divertido, não posso negar. Precisei viver tudo o que vivi para viver o que vivo hoje, em paz.
Eu adorava viajar. Tudo era desculpa para pegar as malas e cair no mundo. Já fiz loucuras, como pegar uma mala e me mandar por um mês, sem me preocupar com nada que eu tivesse deixado em casa. Era ótimo. Era absolutamente "livre".
Um dia minha filha nasceu e eu optei por não ter babá. Optei por tomar conta dela e só dela. Meu casamento mudou, minha vida virou outra.
Não deixei de ser mulher, muito pelo contrário, me sinto muito mais mulher hoje. Quando penso no antes, eu era uma menina e só.
Não saio mais para bares, é raro, muito raro. Não sinto a menor falta. Prefiro ir na casa de amigos, mesmo que de dia, trocar idéias, bater papo furado. Ou chamar amigos para a minha casa. Não encaro filas, a comida é gostosa, a bebida é livre e independe de um garçom.
As vezes rola uma festinha na casa de alguém, um aniversário. É delicioso. Deixo Alice com vovó e vou. Me divirto e, no dia seguinte, quando acordo, já estou com pressa para ir buscar a baixinha, porque me deu saudade!
Até hoje, desde que Alice nasceu, só viajei sem ela duas vezes, uma vez por uma noite, outra por duas. Foi bom, lógico, mas tudo me lembrava ela.
Ontem fui ao show do Paul McCartney. Dancei, pulei, gritei, cantei e, volta e meia me pegava pensando: "A Alice AMA essa música", "nossa, ela ficaria LOUCA com aquele trocinho que pisca", e aí mesmo é que eu me divertia mais ainda.
Hoje em dia, estar longe dela só é bom porque sei que logo estarei com ela, e ela vai me contar tantas novidades, e eu vou poder sentir o cheirinho dela pertinho de mim, e tudo vai fazer sentido, até o estar longe.
Muita gente vai falar que "mas você e seu marido PRECISAM ter um tempo só de vocês, não dá pra viver em função de filho". E eu sempre vou responder que eu e ele temos muito tempo só para nós dois, mesmo do lado dela, e, depois que os temos, o que não dá é para viver além dos filhos. Eles dão sentido a tudo que fazemos, justificam todas as nossas loucuras, nos dão um sentido de quem nós somos e nos dão razão para continuarmos sendo quem somos ou para mudar uma ou outra coisa em nós.
A verdade é que sem a Alice, a vida não faz mais sentido. Talvez, quando ela estiver mais velha, menos dependente, eu ache graça no estar sem ela... mas, sinceramente, não acredito nisso. Acho que vai mudar a forma como eu estou com ela, mas ela sempre vai estar comigo, em tudo que eu faço e tudo o que eu penso.
E, tive muita sorte, porque sei que meu marido pensa exatamente como eu e talvez seja isso, justamente isso, que nos trás tanta felicidade em nosso casamento, temos uma coisinha em comum que nos amarra e nos faz viver, em comum.
Realmente, antes de ter minha filha, eu era figurinha fácil nas noites cariocas. Conhecia um mundo de gente e podia sair sozinha que eu sempre encontrava gente conhecida ou, na falta dessas, conhecia genet nova. Eu era uma "borboleta social". Era divertido, MUITO divertido, não posso negar. Precisei viver tudo o que vivi para viver o que vivo hoje, em paz.
Eu adorava viajar. Tudo era desculpa para pegar as malas e cair no mundo. Já fiz loucuras, como pegar uma mala e me mandar por um mês, sem me preocupar com nada que eu tivesse deixado em casa. Era ótimo. Era absolutamente "livre".
Um dia minha filha nasceu e eu optei por não ter babá. Optei por tomar conta dela e só dela. Meu casamento mudou, minha vida virou outra.
Não deixei de ser mulher, muito pelo contrário, me sinto muito mais mulher hoje. Quando penso no antes, eu era uma menina e só.
Não saio mais para bares, é raro, muito raro. Não sinto a menor falta. Prefiro ir na casa de amigos, mesmo que de dia, trocar idéias, bater papo furado. Ou chamar amigos para a minha casa. Não encaro filas, a comida é gostosa, a bebida é livre e independe de um garçom.
As vezes rola uma festinha na casa de alguém, um aniversário. É delicioso. Deixo Alice com vovó e vou. Me divirto e, no dia seguinte, quando acordo, já estou com pressa para ir buscar a baixinha, porque me deu saudade!
Até hoje, desde que Alice nasceu, só viajei sem ela duas vezes, uma vez por uma noite, outra por duas. Foi bom, lógico, mas tudo me lembrava ela.
Ontem fui ao show do Paul McCartney. Dancei, pulei, gritei, cantei e, volta e meia me pegava pensando: "A Alice AMA essa música", "nossa, ela ficaria LOUCA com aquele trocinho que pisca", e aí mesmo é que eu me divertia mais ainda.
Hoje em dia, estar longe dela só é bom porque sei que logo estarei com ela, e ela vai me contar tantas novidades, e eu vou poder sentir o cheirinho dela pertinho de mim, e tudo vai fazer sentido, até o estar longe.
Muita gente vai falar que "mas você e seu marido PRECISAM ter um tempo só de vocês, não dá pra viver em função de filho". E eu sempre vou responder que eu e ele temos muito tempo só para nós dois, mesmo do lado dela, e, depois que os temos, o que não dá é para viver além dos filhos. Eles dão sentido a tudo que fazemos, justificam todas as nossas loucuras, nos dão um sentido de quem nós somos e nos dão razão para continuarmos sendo quem somos ou para mudar uma ou outra coisa em nós.
A verdade é que sem a Alice, a vida não faz mais sentido. Talvez, quando ela estiver mais velha, menos dependente, eu ache graça no estar sem ela... mas, sinceramente, não acredito nisso. Acho que vai mudar a forma como eu estou com ela, mas ela sempre vai estar comigo, em tudo que eu faço e tudo o que eu penso.
E, tive muita sorte, porque sei que meu marido pensa exatamente como eu e talvez seja isso, justamente isso, que nos trás tanta felicidade em nosso casamento, temos uma coisinha em comum que nos amarra e nos faz viver, em comum.
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sábado, 21 de maio de 2011
Em boa companhia!
Talvez por não ter babá, Alice sempre me acompanhou em todos os meus compromissos e obrigações, desde o supermercado, até o médico. Não tinha solução, era isso ou não ir.
Recentemente virei vizinha de porta da minha sogra, então, muitas vezes, quando preciso fazer uma "obrigação de mãe", deixo ela com a sogra porque acho que lá ela poderá brincar ao invés de ficar fazendo programa chato de ir a banco ou sei lá qual outra tarefa chata eu tenha para fazer.
Tem dias que ela fica bem, feliz brincando com a avó, que se faz de gato e sapato por ela. Mas tem dias que não quer, que quer ficar comigo e me acompanhar. E eu deixo.
Hoje foi um desses dias. Passamos o dia juntos, os 3, Alice, eu e o papai. Foi um dia sem nenhum atrativo infantil. Fomos comprar coisas de casa, almoçar num restaurante, ver um amigo meu e voltamos para casa. Ela se comportou como uma mocinha tempo todo. Não reclamou de nada, ficou no carro tranquilamente, sem ficar pedindo que um de nós sentasse atrás com ela (coisa que nunca fazemos, mas ela sempre insiste), contou suas histórias, mas nos deixou conversar com tranquilidade, sem nos interromper de 2 em 2 minutos (como é de costume).
Tínhamos que pendurar uns porta-retratos na parede e achávamos que ela já tinha tido a cota de programas entediantes com os adultos e talvez quisesse brincar. Levamos ela para a casa da vovó e perguntamos se ela queria ficar lá. Ela quis.
Em menos de 10 minutos, voltou para casa alegando uma dor de barriga. Nem preciso dizer que, assim que ela entrou em casa, a dor de barriga sumiu.
E então ela sentou ao meu lado e perguntou se podia me ajudar. Eu, como sempre, expliquei que eu adoraria a ajuda dela. Assim, de perninhas cruzadas, ela se sentou na cama e me ajudou, de fato. Ajudou cortando pedacinhos de fica dupla face, sugerindo fotos a serem colocadas nos porta-retratos, simplesmente conversando e elogiando o trabalho.
E, olhando para ela, toda sorridente, percebi que tem horas que brincar cai para segundo plano e que não importa o que estejam fazendo, o que criança gosta mesmo é da companhia do pais!
Recentemente virei vizinha de porta da minha sogra, então, muitas vezes, quando preciso fazer uma "obrigação de mãe", deixo ela com a sogra porque acho que lá ela poderá brincar ao invés de ficar fazendo programa chato de ir a banco ou sei lá qual outra tarefa chata eu tenha para fazer.
Tem dias que ela fica bem, feliz brincando com a avó, que se faz de gato e sapato por ela. Mas tem dias que não quer, que quer ficar comigo e me acompanhar. E eu deixo.
Hoje foi um desses dias. Passamos o dia juntos, os 3, Alice, eu e o papai. Foi um dia sem nenhum atrativo infantil. Fomos comprar coisas de casa, almoçar num restaurante, ver um amigo meu e voltamos para casa. Ela se comportou como uma mocinha tempo todo. Não reclamou de nada, ficou no carro tranquilamente, sem ficar pedindo que um de nós sentasse atrás com ela (coisa que nunca fazemos, mas ela sempre insiste), contou suas histórias, mas nos deixou conversar com tranquilidade, sem nos interromper de 2 em 2 minutos (como é de costume).
Tínhamos que pendurar uns porta-retratos na parede e achávamos que ela já tinha tido a cota de programas entediantes com os adultos e talvez quisesse brincar. Levamos ela para a casa da vovó e perguntamos se ela queria ficar lá. Ela quis.
Em menos de 10 minutos, voltou para casa alegando uma dor de barriga. Nem preciso dizer que, assim que ela entrou em casa, a dor de barriga sumiu.
E então ela sentou ao meu lado e perguntou se podia me ajudar. Eu, como sempre, expliquei que eu adoraria a ajuda dela. Assim, de perninhas cruzadas, ela se sentou na cama e me ajudou, de fato. Ajudou cortando pedacinhos de fica dupla face, sugerindo fotos a serem colocadas nos porta-retratos, simplesmente conversando e elogiando o trabalho.
E, olhando para ela, toda sorridente, percebi que tem horas que brincar cai para segundo plano e que não importa o que estejam fazendo, o que criança gosta mesmo é da companhia do pais!
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quarta-feira, 18 de maio de 2011
Da dobra tripla à calça corsário
Não sei vocês, mas sou pão dura com as roupas da minha filha. Deixe-me explicar. Quando soube que estava grávida, minha mãe morava fora e fez um armário completo para a Alice até praticamente os 5 anos de idade. Eu, curiosamente, só comprei um shortinho e camisa polo feminina lindos da Zara assim que soube que era uma menina. Aí via as minhas amigas falando que tinham gastado os TUBOS com roupas e que não resistiam a comprar de tudo o tempo todo. Sou pão-dura assumida. Minha mãe já tinha comprado tanta coisa que eu não conseguia justificar gastar um dinheirão com roupas para a Alice.
E a Alice nasceu e continuou ganhando roupas e mais roupas de visitas variadas, amigos, primos. Ela também entrou na linha de sucessão de roupas de primos próximos e distantes, e também de vários amiguinhos maiores do que ela. E eu, até hoje, só comprei uma ou outra roupinha de "bater", porque me recuso a detonar uma roupa herdade (eu as devolvo limpinhas e arrumadinhas para quem me emprestou).
E ela tem roupinhas LINDAS. Aliás, tem roupinhas demais! E ela as usa o tempo que for necessário. Começa a usar uma camisa como vestidinho e só para quando a camisa ultrapassou o limite do baby look. Volta e meia visto ela com uma calça e sou forçada a ouvir: "Mas, mãe, tô pescando siri!"
E não me arrependo. Com isso economizei em roupa para gastar em outros prazeres e obrigações. E, enquanto eu receber heranças e ela ganhar presentinhos de amigos, continuarei na mesma toeria, calças servirão da dobra tripla à calça corsário. E mesmo assim muita coisa termina a gestão praticamente nova, para então serem repassadas para outras crianças.
Sou adepta do troca troca entre primas e amigas, não só economiza dinheiro, mas introduzimos, desde cedo, o conceito de redução de consumo nos nossos pequenos.
E vocês, são compradoras vorazes ou herdeiras?
E a Alice nasceu e continuou ganhando roupas e mais roupas de visitas variadas, amigos, primos. Ela também entrou na linha de sucessão de roupas de primos próximos e distantes, e também de vários amiguinhos maiores do que ela. E eu, até hoje, só comprei uma ou outra roupinha de "bater", porque me recuso a detonar uma roupa herdade (eu as devolvo limpinhas e arrumadinhas para quem me emprestou).
E ela tem roupinhas LINDAS. Aliás, tem roupinhas demais! E ela as usa o tempo que for necessário. Começa a usar uma camisa como vestidinho e só para quando a camisa ultrapassou o limite do baby look. Volta e meia visto ela com uma calça e sou forçada a ouvir: "Mas, mãe, tô pescando siri!"
E não me arrependo. Com isso economizei em roupa para gastar em outros prazeres e obrigações. E, enquanto eu receber heranças e ela ganhar presentinhos de amigos, continuarei na mesma toeria, calças servirão da dobra tripla à calça corsário. E mesmo assim muita coisa termina a gestão praticamente nova, para então serem repassadas para outras crianças.
Sou adepta do troca troca entre primas e amigas, não só economiza dinheiro, mas introduzimos, desde cedo, o conceito de redução de consumo nos nossos pequenos.
E vocês, são compradoras vorazes ou herdeiras?
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