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quinta-feira, 29 de abril de 2010

Mãe artista

- Mããããe desenha uma FACA.
- Desenhar o quê Sophia?
- Uma VACA.
- Filha, uma VACA ou uma FACA?
- Uma FOCA!

- Foca?! Decide o que vc quer. Eu não sei desenhar foca não.
- Hummmm...(dedinho na boca) Uma VACA.

- tsc...tsc...*desenhando exercitando toda a minha capacidade artística desenhando a vaca*
- Mããããe....isso é um PORCO?

-Tá tão feio assim?
- Tá um porquinho bonitinhozinho cute-cute.

-É filha....vc desenha melhor que a mamãe....vai desenhar vai....kkk

Afff....
XOXO

terça-feira, 27 de abril de 2010

O cheiro do Hospital Brasília

O cheiro do Hospital Brasília é como o de todos os hospitais: desinfetante misturado com comida ruim e um pouco de anti-séptico. Tem também cheiro de emergência lotada, um pouco de tristeza e bastante nervosismo.
Mas o cheiro do Hospital Brasília é completamente diferente pra mim. É um cheirinho do curso de gestantes, um cheiro de ansiedade, de novidade, de expectativa e de muita felicidade. Aquele cheirinho de bebê recém-nascido, que só quem é mãe sabe como é... Aquele cheiro do cabelinho grudado, aquele cheiro da craquinha na pele, aquele cheiro dos olhinhos remelentos... Aquele cheiro, enfim, da maior mudança que pode acontecer na sua vida.
Estive lá semana passada fazendo raio-x e, antes que alguém pergunte, não, não quero mais um, mas como é bom sentir aquele cheirinho e ter a lembrança tão viva de cada uma destas emoções!
Má.

domingo, 25 de abril de 2010

A Vacina e a Mentira

Fui vacinar a Alice. Já saindo de casa eu falei para ela que iríamos tomar vacina, todos nós juntos para evitar que ficássemos doentes. Ela aceitou como se nada fosse.
Quando chegamos no posto ela ficou apreensiva com o som do choro das outras crianças. Eu tentei tranquilizá-la dizendo que era só uma mordidinha de formiguinha, mas que depois passava. Ela continuou apreensiva, mas não reagiu de forma negativa. Uma menininha atrás de nós chorava no colo da mãe que, para tranquilizá-la, disse que não doeria nada, e, de quebra, completou: "olha só, ninguém da fila está chorando!"
A Alice olhou para a mulher com uma cara desconfiada e me olhou de soslaio. Depois falou, muito séria, que não queria vacina nenhuma. Expliquei novamente que, infelizmente, não tínhamos opção. Que ia doer só um pouco, rapidinho, depois passaria e ficaríamos protegidos de um "dodói" ruim. Mas ela não estava convencida.
Entramos na área de vacinação. Alice se agarrou no meu pescoço. A mulher com sua filha entrou também. Lá dentro um número de crianças chorando. A mulher volta a dizer para a filha que não ia doer e que as crianças estavam chorando porque estavam assustadas.
Nesse ponto eu já estava irritadíssima com a dita cuja e quase pedindo ao enfermeiro que, por favor, tirasse aquela sujeita de perto da minha filha.
Gente... como assim, não vai doer???? Todo mundo sabe que vacina dói sim... dói pra caramba. Como é que alguém fica dizendo para a filha que não vai doer? É para ensinar a filha que não pode confiar nela?
Chegou a hora da vacina. A Alice chorou, lógico! Eu abracei ela e falei baixinho: "Eu sei, filha, dói, mas vai passar, eu prometo que vai passar!" Ela ainda chorou um pouco, mas um choro contido, afogado no meu ombro, em tom de "doeu, mas vai passar".
A guria abriu um berreiro sem nome. A mãe repetiu as minhas palavras para a filha. A guria pareceu ignorar a mãe e os berros não cessavam, lógico. Se a mãe mentiu dizendo que não ia doer, ela deveria estar com a certeza de que agora mentia também, não iria passar nunca!
E eu tive a certeza de que fiz a coisa certa ao confirmar para a minha filha que iria doer sim, e não tentar, falsamente, confortá-la com mentiras...

sábado, 24 de abril de 2010

Vermelho - tem que parar!!!

A Giullia há algum tempo pedia sempre para irmos logo quando parávamos no semáforo, então expliquei que existe uma regrinha para andarmos nas ruas: respeitar o semáforo. Ela aprendeu imediatamente e ela virou co-piloto, fica sempre falando se está verde e podemos passar. Se está vermelho, decreta logo: "tem que paraaar, tá 'vemelhoooo'!!"
E tem sido uma briga quando, de noite, passamos sem parar por algum local perigoso. É super engraçado, claro! Explicamos que estava muito escuro, tinha gente estranha por ali, mas ela ficou muito brava de qualquer maneira porque o pai fez "coisa errada".

Mas o que mais me chamou a atenção foi repensar alguns valores baseado nisso... Ensinamos as regras e depois nós mesmos nos contradizemos, fazendo diferente! Tá certo, assim os filhos aprendem que as verdades são relativas, que devemos ser flexíveis. Mas também aprendem a dar desculpas para seus comportamentos errados...

É, quem disse que ser humano é simples?? E ser mãe, menos ainda!!! Rsrs.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Em homenagem aos 50 anos de Brasília

-Olha, mamãe, os dois fandangos!


Má.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Fala a boca!

Ok, primeiramente eu acho que falar " Cala a boca" não é um palavão, ou alguma coisa de outro mundo....só acho feio uma criança de menos de 4 anos falando por aí....enfim, é o tipo de coisa que até em alguns desenhos às vezes se escuta falar.
A versão da Sophia, é o tal do "Fala a boca" (tão irritante quanto o cala a boca)...
Tentando fazer ela entender que não é legal ficar falando assim ela vira pra mim e diz:
-Mas mãe...a boca fala...fala a boca! (com direito a dedinho na boca fazendo sinal da boca falando)

É claro que ela não faz idéia do que significa Cala a boca, até porque pelo jeito ela nem entendeu o que é isso. Já que quando ela quer que a gente fale alguma coisa ela solta a versão dela...
Mas é tão, mas tão irritante......affff...
Pior é quando ela fala isso perto de outras pessoas e eu tenho que ficar explicando, ou perto de outra criança que chega pra mim ainda pra falar que ela disse coisa feia....
Olha, não é mole não.
Não sei se deixo ou não de castigo quando ela fala assim, pq afinal de contas, hellooooo a boca fala mesmo, não sei se vale a pena ficar repreendendo e reforçando que não quero que ela fale, porque pelo o que eu me lembro de quando era criança....era mais legal fazer o que não queriam que a gente fizesse.
Tô tentando ignorar, mas não sei também se é o melhor a fazer!
É Super Nanny, se vira com essa agora nega! kkk
XOXO

terça-feira, 20 de abril de 2010

A escolha do time

Eu detesto futebol! Acho melhor esclarecer isso desde já! Não torço por time nenhum, não assisto nenhum campeonato, não curto copa do mundo. Sou um ET e não tenho vergonha de admitir isso! E, se quiser me ver de mal humor, é só me dizer que tem final de campeonato carioca. Já antecipo os baderneiros, os fogos no meio da madrugada, os bêbados no trânsito. Detesto mesmo, no melhor estilo odeio.com.br!
Mas, moro no país do futebol, na capital mundial da bola em campo. Alias, moro bem pertinho do time com o maior número de torcedores do Brasil, e quicá do mundo. Por isso, é invevitável que o talzinho faça parte do meu cotidiano. Nessa cidade, quem não torce por algum time, é considerado anti-social.
Com isso, minha filhota, que eu imaginava imune a torcida organizada, acabou exposta a esse negócio de sentar na frente da TV para ver um monte de marmanjo correndo atrás de uma bola. Com um avô flamenguista viciado, e um pai botafoguense (ainda que só em dia de final ele queira ver jogos), ela foi contagiada pela noção de ser torcedora.
Não sei por que cargas d'água, decidiu ser flamenguista. Acho que foi só para contrariar o pai, já que cada vez que ela grita MENGO ele faz caretas engraçadas e se contorce todo. Atualmente, ela já solta seu grito de guerra completo "MENGÃO DO MEU COIAÇÃO", olhando para ele com uma cara de malandra que mesmo o mais sério torcedor do vasco cairia na gargalhada.
Para completar, ela adora o hino do Flamengo e o canta à perfeição sempre que vê alguma coisa que alude ao time.
O avô, percebendo que poderia ganhar uma forte aliada em sua torcida, rapidamente comprou para ela uma camisa oficial do time. Ela, lógico, amou e quer vestir a tal blusa sempre que a vê!
A coisa complicou mesmo neste domingo, quando o Flamengo enfrentou o Botafogo na final do campeonato.
Fomos convidados por um amigo do meu marido para assistir ao jogo na casa dele. Seria uma congregação de botafoguenses (e uma idiota chamada Mariana no meio!) fazendo uma torcida unida para mandar uma corrente de pensamento positivo para os jogadores. Tudo lindo, não fosse um detalhe: quando comentamos com a Alice que iríamos ver o jogo na casa do Tio C, ela, quase que imediatamente, desatou a cantar o hino do seu "Mengão do Coiação" e exigiu vestir sua amada camiseta rubro-negra.
Chegando na casa do Tio C, a primeira coisa que fez foi gritar, a plenos pulmões, repetidamente: "MENGOOOOOOOOOO! MENGOOOOO!"
Não houve argumento, não houve suborno (tentaram suborná-la com um chocolate, o que a fez questionar, por alguns segundos, a sua fidelidade ao timão), não houve meios de convencê-la a torcer pelo Botafogo!
Ofereceram a ela uma camisa oficial alvi-negra. Com desdem ela recusou: "Mas, eu já tenho a camisa do MENGOOOOOO!" E, durante todo o jogo, ela cantou e dançou e torceu fervorosamente pelo seu mengão! Ainda que, nem por um minuto, tenha percebido que a torcida era para algo que ocorria na TV. Acredito que ela achava que estava num campeonato de quem torce mais e não na torcida por uma bola acertando uma tela no fundo de uma trave!
Mas, quis o destino que o Flamengo encarasse a derrota. Os botafoguenses gritavam de alegria: "FOGOOOOOOO!". E ela, tão feliz quanto eles, gritava junto: "MENGOOOOOOOO!"
Voltou para casa contente, cantarolando o seu hino favorito: "uma vez famengu, sempi famengu, famengu sempe hei de sê!..."
O pai, rindo, perguntou se ela não tinha percebido que o Botafogo tinha ganho o jogo e que ela deveria estar cantando o hino do Botafogo (que ela conhece, mas simplesmente se recusa a cantar!). Ela, marotamente, olha para ele e canta baixinho: "Uma vez Botafogo, sempi botafogo, botafogo eu sempi hei de sê." Depois, torce o nariz e diz: "Não, papai, tá errado! É (e aqui ela começa a cantar com muita animação e bem alto): UMA VEZ FAMENGU! SEMPI FAMENGU!..."
E, como sempre, cai na gargalhada com as caretas e contorções do pai!