Eu confesso que sou meio revoltada com essa coisa de falta de acessibilidade no Brasil. E sou chata sobre esse assunto. Chata MESMO! Reclamo, esbravejo, exijo que a acessibilidade seja respeitada em lojas, chamo gerente, reclamo, protesto. Chata.com.br e com muito orgulho, sim senhor!
E já passei essa minha chatice para a Alice.
Moramos próximo à ABBR, e, com isso, Alice está habituada a ver pessoas com todos os tipos de dificuldades de locomoção. São centenas delas entrando e saindo dali o dia inteiro. No início Alice questionava muitas coisas. Porque algumas pessoas não tinham uma perna, ou andavam com botas especiais, ou porque algumas crianças eram carregadas por suas mães, ou não respondiam aos acenos que ela dava para elas. Eu sempre respondi com muita naturalidade, sem rodeios, explicando que nem todo mundo nasce igual, e algumas pessoas nascem com algumas diferenças que precisam de ajuda para poder ir de um lugar para o outro. Explico também que algumas pessoas se machucam e precisam aprender a andar de novo. Todas as perguntas são respondidas, dentro do possível.
Alice tenta entender tudo em seus próprios termos e, como eu, já se preocupa com o bem estar dessas pessoas. Esse processo de compreensão já me premiou com pérolas como "mãe, é um absurdo as pessoas pararem na rampa da calçada, porque as pessoas que só têm joelho não conseguem passear!".
E nesse espírito, num dia de fúria, em que, ao longo do dia, em nenhuma ocasião consegui subir com o carrinho de bebê pelas rampas nas calçadas por conta de carros estacionados na frente delas, decidi fotografar os carros e postar na internet. No momento que fui tirar uma dessas fotos, Alice me questionou sobre o que eu fazia. Eu logo expliquei:
"Filha, a mamãe fica muito brava com essas pessoas mal educadas que param na rampa, sem pensar que tem gente que precisa da rampa para poder passear. Então decidi que vou fotografar para poder mandar a foto para a internet. Quem sabe assim as pessoas começam a pensar sobre esse assunto, e não estacionem mais na frente da rampa, né?"
Ela, empolgada, me sugere: "Mãe, e se a gente fizesse umas plaquinhas no computador, escritas 'por favor, não pare na rampa', e colocasse em todas as rampas que a gente encontrasse?"
Expliquei a ela que era uma idéia maravilhosa, mas que as pessoas eram tão mal educadas que possivelmente pegariam a plaquinha dela e jogariam fora, mas que poderíamos adaptar a idéia dela e fazer bilhetinhos com esse texto para colocar no parabrisa de todos os carros que encontrássemos parados na frente de rampas.
Alice amou a idéia e aderiu. Já estou providenciando os bilhetinhos para que ela possa colaborar com a chatice da mãe dela e, quem sabe, ajudar a fazer o nosso cantinho de mundo um pouquinho melhor...
sábado, 3 de novembro de 2012
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
Conversa de mãe e filha
"Mãe, a minha barriga é retinha!" Ela exclamou, no banho, toda contente me mostrando a barriga retinha que tem.
"É filha... bem retinha e toda dura, olha!" respondi, fazendo leves cócegas na barriguinha dela.
Rindo, resolveu retrucar. "Vou fazer na sua também!" E desatou a apertar a minha barriga, em vão.
"É que a minha barriga é maior que a tua! Aí não sinto cócegas, filha!" Respondi, inocentemente.
"É, mas tudo bem, porque é resto de gordura minha e do Lucas... quando eu tiver filhos eu vou ficar com a barriga gorda assim também, né, mãe?" perguntou ela de volta, num tom de quem teria orgulho de ter uma barriga gorda pós parto...
Ahhh... quem dera todos pensassem como ela!
"É filha... bem retinha e toda dura, olha!" respondi, fazendo leves cócegas na barriguinha dela.
Rindo, resolveu retrucar. "Vou fazer na sua também!" E desatou a apertar a minha barriga, em vão.
"É que a minha barriga é maior que a tua! Aí não sinto cócegas, filha!" Respondi, inocentemente.
"É, mas tudo bem, porque é resto de gordura minha e do Lucas... quando eu tiver filhos eu vou ficar com a barriga gorda assim também, né, mãe?" perguntou ela de volta, num tom de quem teria orgulho de ter uma barriga gorda pós parto...
Ahhh... quem dera todos pensassem como ela!
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
Alicisses
"Mãe, porque tem uma mala no meio do meu pensamento?"
"OI????"
"É mãe... tem uma mala no meio do meu pensamento!"
"Alice, explica essa porque eu realmente não entendi!!!"
"Mãe, TEM UMA MALA NO MEIO DO MEU CANTO DO PENSAMENTO!"
"ahhhhhhhhhhhhhhh!"
*******
(Caminhando no vento)
"Vó, estou fria por fora e quente por dentro... que nem o pastel da feira!"
*******
"Seria tão mais legal se a gente começasse grande e fosse ficando menor, né? Até ficar bem bebezinho!"
Síndrome de Benjamin Button?
"OI????"
"É mãe... tem uma mala no meio do meu pensamento!"
"Alice, explica essa porque eu realmente não entendi!!!"
"Mãe, TEM UMA MALA NO MEIO DO MEU CANTO DO PENSAMENTO!"
"ahhhhhhhhhhhhhhh!"
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(Caminhando no vento)
"Vó, estou fria por fora e quente por dentro... que nem o pastel da feira!"
*******
"Seria tão mais legal se a gente começasse grande e fosse ficando menor, né? Até ficar bem bebezinho!"
Síndrome de Benjamin Button?
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
Mãe que não trabalha...
Já no portão do clube, a amiguinha da Alice olha para mim e pergunta: "Tia, você não trabalha?"
Sem saber o que responder, pergunto: "Na tua casa, quem é que cuida de você?"
Ela: "A Gracinha (babá)!"
Continuo instigando a pequena: "E quem é que dirige o carro que te leva pros lugares?"
Ela responde, prontamente: "O motorista!"
Eu não dou trégua: "E, quem faz a tua comidinha?"
Ela, meio intrigada com a minha pergunta: "A cozinheira!"
Finalmente, explico: "Então, na tua casa essas pessoas todas recebem um salário para fazer essas coisas, né? Elas trabalham, certo?"
Com um olhar quase confuso, ela responde que sim, que são empregados da casa dela.
Então eu completo: "Pois é, na minha casa não temos Gracinhas, nem motoristas, nem cozinheiras. Na minha casa quem faz isso sou eu mesma. Então eu trabalho, trabalho como os 3 empregados da sua casa, mas, todo mundo adora dizer que eu não trabalho porque eu não tenho um salário!"
Se ela entendeu ou não entendeu, eu não tenho como saber... mas uma coisa é certa, a sementinha da compreensão de que mãe trabalha, e muito, foi plantada!
Sem saber o que responder, pergunto: "Na tua casa, quem é que cuida de você?"
Ela: "A Gracinha (babá)!"
Continuo instigando a pequena: "E quem é que dirige o carro que te leva pros lugares?"
Ela responde, prontamente: "O motorista!"
Eu não dou trégua: "E, quem faz a tua comidinha?"
Ela, meio intrigada com a minha pergunta: "A cozinheira!"
Finalmente, explico: "Então, na tua casa essas pessoas todas recebem um salário para fazer essas coisas, né? Elas trabalham, certo?"
Com um olhar quase confuso, ela responde que sim, que são empregados da casa dela.
Então eu completo: "Pois é, na minha casa não temos Gracinhas, nem motoristas, nem cozinheiras. Na minha casa quem faz isso sou eu mesma. Então eu trabalho, trabalho como os 3 empregados da sua casa, mas, todo mundo adora dizer que eu não trabalho porque eu não tenho um salário!"
Se ela entendeu ou não entendeu, eu não tenho como saber... mas uma coisa é certa, a sementinha da compreensão de que mãe trabalha, e muito, foi plantada!
terça-feira, 25 de setembro de 2012
A "Diletora"
A conversa começou sem nenhuma relação com o seu final, como é costumeiro com Alice, que pensa em mil direções ao mesmo tempo (o que é muito fofo, mas quase enlouquecedor!).
"Mãe, o que é admirar?" perguntou a nanica depois de ouvir algum personagem de algum filme proferindo a palavra.
"Ah, é como gostar muito de uma pessoa porque ela faz coisas legais e bem feitas," respondi, tentando achar algum tipo de definição que fosse compreensível para uma criança de 4 anos. "Eu, por exemplo, admiro muito a Tivó... ela é boa mãe, cozinha super bem, é excelente professora, maravilhosa coordenadora..."
"Ela não é mais professora, mãe." Afirmou em protesto. "Ela é diletora, não dá mais aula não."
"É diretora? E o que faz uma diretora?" Perguntei, curiosa.
"Ahhh... não faz muita coisa não... ela fica no computador dela quase sempre. As vezes mexe lá no armário dela, coloca umas coisas lá dentro. E, as vezes, olha pela janelinha da nossa sala!" Explicou.
Então, queridas "diletoras" escolares, essa é a visão que os baixinhos têm do trabalho de vocês!rs
"Mãe, o que é admirar?" perguntou a nanica depois de ouvir algum personagem de algum filme proferindo a palavra.
"Ah, é como gostar muito de uma pessoa porque ela faz coisas legais e bem feitas," respondi, tentando achar algum tipo de definição que fosse compreensível para uma criança de 4 anos. "Eu, por exemplo, admiro muito a Tivó... ela é boa mãe, cozinha super bem, é excelente professora, maravilhosa coordenadora..."
"Ela não é mais professora, mãe." Afirmou em protesto. "Ela é diletora, não dá mais aula não."
"É diretora? E o que faz uma diretora?" Perguntei, curiosa.
"Ahhh... não faz muita coisa não... ela fica no computador dela quase sempre. As vezes mexe lá no armário dela, coloca umas coisas lá dentro. E, as vezes, olha pela janelinha da nossa sala!" Explicou.
Então, queridas "diletoras" escolares, essa é a visão que os baixinhos têm do trabalho de vocês!rs
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
Quando você vai, ela já foi e voltou...
No estacionamento do shopping, Alice vê passando um carro com a logomarca da Globo e exclama: "Olha, mãe! Aquele carro deve ser da novela! Tem a marquinha da novela desenhada nele!"
Fiquei curiosa, pois, em casa, se as crianças estão acordadas, eu não vejo novela. Eventualmente, na casa da minha mãe, vejo novela com ela acordada, mas, normalmente, ela está em outro cômodo brincando. Na frente dela, novela é algo quase inexistente.
"Como você sabe disso, filha? Você não vê novela!"
"Ahhh... mãe... as vezes eu espio você olhando, né?"
E o novo plano é nunca mais ver novela se ela estiver acordada!rs
Fiquei curiosa, pois, em casa, se as crianças estão acordadas, eu não vejo novela. Eventualmente, na casa da minha mãe, vejo novela com ela acordada, mas, normalmente, ela está em outro cômodo brincando. Na frente dela, novela é algo quase inexistente.
"Como você sabe disso, filha? Você não vê novela!"
"Ahhh... mãe... as vezes eu espio você olhando, né?"
E o novo plano é nunca mais ver novela se ela estiver acordada!rs
domingo, 9 de setembro de 2012
Doce infância
"Minha filha não gosta mais de Little Einsteins tem muito tempo, ela gosta de coisas mais mocinha, sabe?" diz a mãe de uma menininha de 6 anos, enchendo o peito de orgulho.
"Graças a Deus, minha filha não quer mais ouvir a Galinha Pintadinha, prefere Kate Perry/Michel Teló/Luan Santana." Exclama a outra ao ver sua filha de pouco mais de 5 anos pulando, freneticamente, ao som de um desses artistas de gosto duvidoso.
Isso não aconteceu uma vez, nem com uma pessoa específica... é uma cena que eu vejo e revejo, mudando apenas o tipo de "pseudo amadurecimento"da criança em questão.
Hoje fomos ao Jardim Botânico assistir ao teatrinho de fantoches do Papavento pela milésima vez. Alice, que já viu o tal teatrinho tantas vezes que já conhece as falas, ria e gargalhava nas mesmas piadas e brincadeiras de sempre. O sorriso dela tomava todo o seu lindo rostinho de olhos iluminados. E eu, bem, eu me emocionei olhando aquilo.
No alto dos seus 4 anos e meio, quando já proíbe que se refiram a ela como bebê e já anuncia que é quase uma adulta, ela curte loucamente um teatrinho bobinho de fantoches com piadas repetidas ad infinitum. Ela ainda é APAIXONADA pela Galinha Pintadinha, e, é começar a passar na TV que ela dança, canta, pula e se diverte. Os desenhos do Little Einsteins ainda a fascina, e ela, incansavelmente, bate nas perninhas para ajudar a nave a levantar vôo.
"Mãe, o Papavento é de verdade?" ela pergunta na sua inocência infantil ao sair do Teatro.
"Não sei, Alice... o que você acha?" devolvo, não querendo acabar, nem alimentar uma fantasia infantil tão linda.
"É que ele fala que nem menino, e, atrás do palco, só tem menina... então não pode ser nenhuma dela falando por ele..." ela questiona, sem saber se deve ou não continuar acreditando no Papavento como uma menino boneco de verdade.
E, depois ela para de perguntar e deixa claro que pouco importa a ela se ele é ou não de verdade, o que importa é que ela ainda o ama e ainda vai amar por muito tempo.
E eu, sigo achando maravilhoso ver o Papavento pela milésima vez, ouvir Galinha Pintadinha dia sim e dia também, sentar ao lado dela e bater minhas mãos nas minhas coxas para ajudar a nave a levantar vôo. Sigo torcendo que ela continue vivendo essa doce infância da forma mais infantil possível, sem Kate Perry, sem Telós e Santanas.
Porque a verdade é que a infância acaba rápido e nunca mais volta... e ela terá o resto da vida dela para viver a não-infância!
"Graças a Deus, minha filha não quer mais ouvir a Galinha Pintadinha, prefere Kate Perry/Michel Teló/Luan Santana." Exclama a outra ao ver sua filha de pouco mais de 5 anos pulando, freneticamente, ao som de um desses artistas de gosto duvidoso.
Isso não aconteceu uma vez, nem com uma pessoa específica... é uma cena que eu vejo e revejo, mudando apenas o tipo de "pseudo amadurecimento"da criança em questão.
Hoje fomos ao Jardim Botânico assistir ao teatrinho de fantoches do Papavento pela milésima vez. Alice, que já viu o tal teatrinho tantas vezes que já conhece as falas, ria e gargalhava nas mesmas piadas e brincadeiras de sempre. O sorriso dela tomava todo o seu lindo rostinho de olhos iluminados. E eu, bem, eu me emocionei olhando aquilo.
No alto dos seus 4 anos e meio, quando já proíbe que se refiram a ela como bebê e já anuncia que é quase uma adulta, ela curte loucamente um teatrinho bobinho de fantoches com piadas repetidas ad infinitum. Ela ainda é APAIXONADA pela Galinha Pintadinha, e, é começar a passar na TV que ela dança, canta, pula e se diverte. Os desenhos do Little Einsteins ainda a fascina, e ela, incansavelmente, bate nas perninhas para ajudar a nave a levantar vôo.
"Mãe, o Papavento é de verdade?" ela pergunta na sua inocência infantil ao sair do Teatro.
"Não sei, Alice... o que você acha?" devolvo, não querendo acabar, nem alimentar uma fantasia infantil tão linda.
"É que ele fala que nem menino, e, atrás do palco, só tem menina... então não pode ser nenhuma dela falando por ele..." ela questiona, sem saber se deve ou não continuar acreditando no Papavento como uma menino boneco de verdade.
E, depois ela para de perguntar e deixa claro que pouco importa a ela se ele é ou não de verdade, o que importa é que ela ainda o ama e ainda vai amar por muito tempo.
E eu, sigo achando maravilhoso ver o Papavento pela milésima vez, ouvir Galinha Pintadinha dia sim e dia também, sentar ao lado dela e bater minhas mãos nas minhas coxas para ajudar a nave a levantar vôo. Sigo torcendo que ela continue vivendo essa doce infância da forma mais infantil possível, sem Kate Perry, sem Telós e Santanas.
Porque a verdade é que a infância acaba rápido e nunca mais volta... e ela terá o resto da vida dela para viver a não-infância!
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