Mais um tópico sobre os recém nascidos... dessa vez, o banho...
Quando eu estava grávida, ou vi VÁRIAS recomendações sobre o banho. Era um tal de "use água filtrada", "não precisa filtrar, mas ferve a água", "compra um termômetro de banho, a temperatura tem que ser perfeita", "não pode dar banho e passar pelo corredor da casa, pode ter uma corrente de ar, e isso é sério", etc.
Aí a Alice nasceu, no dia 18 de dezembro, um calor da peste no Rio de Janeiro.
Na maternidade foi participar do primeiro banho dela. Debaixo da bica da pia de banho, Alice foi lavadinha e ficou toda gostosa. Olhei para o pediatra e perguntei se eu podia usar água da bica mesmo, afinal, era mais simples assim. A resposta foi simples: "Bunda lambe?"
O primeiro mito caiu por terra! Realmente, se não for lavar a boca com enxágue direto, água é água, e nada melhor do que a da bica (diga-se de passagem que a água da CEDAE, no Rio de Janeiro, ao contrário do que pensamos, é SUPER salubre para consumo humano).
Com o calor, água em temperatura "perfeita" era discutível! O que é temperatura perfeita para a água quando temos 40 graus à sombra? Se eu desse banho a 35/36 graus, no termômetro (que eu nunca comprei), eu ia fazer um chá de bebê autêntico! Com isso passei a usar o termômetro "mãoterno"... colocava minha mão na água e, se a temperatura estivesse agradável ao meu toque, era a temperatura do banho... e sem neuras de manter a temperatura estável, né? Com isso Alice acabou com uma predileção para água do tépido para o frio... o que é, pelo que dizem, super saudável!
Aí, tinha uma tal de uma regra de que eu deveria fechar as portas do banheiro e vestí-la sobre o trocador da banheira, para evitar transitar pela casa e expô-la à famosa "corrente de vento" (que, do jeito que falam, parece que era a principal causa mortis dos bebês no passado...). Só que o banho era mais frio do que a temperatura do ambiente, e, no verão carioca, as "correntes de vento" tendem a ser tão quentes que chegam a ser desagradáveis. Portanto, esse mito caiu por terra também. Terminava o banho, enrolava ela tranquilamente e sem neuroses, numa toalhinha, e lá íamos nós, corredor afora, até a cama (eu nunca curti o tal do trocador em lugar nenhum, sempre preferi vestí-la na cama de apoio do quarto). Eu a secava com tranquilidade, janelas abertas e tudo, aproveitando para olhar cada detalhe do corpinho dela, cada dedinho, cada curvinha... e, de quebra, ainda curtia fazer uma super massagem nela! Nunca tive nenhum problema com a tal "corrente"!
No inverno, quando fazia frio, só na hora de dar banho, eu fechava a janela do quarto. Mas, nem era para fugir da tal corrente! Era mesmo porque, convenhamos, corrente ou não, frio saindo do banho é um saco, né? Mas quando o inverno chegou, Alice já não era mais recém nascida (e, do jeito que falam, a tal corrente parece só atacar mesmo bebês muito pequenos).
E, assim, o banho sempre foi simples, sempre foi delicioso, e nunca veio acompanhado de medos e pânicos e manias! Era um banho e só!
E, vou mais longe, sempre lavei o rostinho com a água do banho mesmo (logo antes de colocá-la dentro da água), nunca tive medo dela escorregar das minhas mãos, porque eu sabia que se isso acontecesse, ela sobreviveria... não é uma molhadinha de cara que vai matar um bebê, até porque, bebês, até por volta de um ano, tem o reflexo de não inspirar quando submersos! Dá tempo, tranquilamente, de pescar a cria de dentro da água se ele escorregar!
Enfim, banho tem que ser assim, gostoso e BEM curtido pelo bebê e pela pessoa que dá o banho. É um momento mágico onde aquele serzinho pode se sentir livre em seus movimentos, aproveitando o toque em todo seu corpinho. Até hoje adoro dar banho na Alice (quando ela colabora, porque, falando muito sério, tem dias que ela está com a macaca e resolve dar uma de cascão!).