Alice tem preferências curiosas: troca qualquer chocolate por um pedaço de tomate ou de milho, só gosta de banho frio, pede martelinho de presente, e, o mais curioso de todos, tem verdadeiro fascínio por ônibus!
E, o mais curioso é que eu nunca andei de ônibus... quer dizer, até andei, mas detesto e tento sempre não andar num deles, se eu puder evitar. Mas o fato é que uma das primeiras palavras que Alice aprendeu a falar foi ônibus (tá, foi algo parecido com isso, talvez "ombinus", mas o conceito era esse, né? E ela já aperfeiçoou a palavra e hoje fala ÔNIBUS com perfeição!) e desde que aprendeu a juntar a palavra QUEIO com aquilo que desejava, diz, sempre que vislumbra um ônibus pelo caminho: "Queio ombinus!"
Uma vez, quando ela tinha pouco menos de 2 anos, decidimos levá-la num ônibus por 2 paradas. Foi um sucesso total! Ela dava gritos de alegria, sorria para todos os passageiros e dava tchau para todos os passantes.
Ontem, ainda na busca do martelinho tão desejado, decidi enfiá-la num ônibus e ir até uma loja de brinquedos educativos. Foram só 3 pontos, mas para ela foi a glória!
Sentou-se toda cheia de orgulho de estar naquele fantástico meio de transporte, e, durante todo o (curto) trajeto, me fitava com os olhos brilhando de alegria!
Chegamos ao nosso destino, visitamos a loja e saímos, sem sucesso na busca pelo martelinho. Ela, tristonha, cabisbaixa, lamentou-se: "Puxa vida, num tinha o matelinho! Tantos binquedus e num tem matelinho! Eu quiio tanto um matelinho!"
Eu, triste por vê-la tão desapontada, expliquei que continuaríamos a procurar o martelinho amanhã, mas que, agora, precisávamos ir para casa.
"Di ônibus, mãi?" perguntou ela, já mais animada.
"Sim, filha, de ônibus, porque?"
"Ahhhh..." exclamou ela contente e sorridente, "intão eu já tô filiz di novu!"
E lá fomos nós para casa!
Essa história ficará guardada para o dia em que, ela, aos 18 anos, me pedir um carro!