"Vó, não devia ser vô e vó, devia ser vô e vá!"
Elementar, meu caro Lucas!
quarta-feira, 21 de março de 2018
sábado, 9 de setembro de 2017
Rua sem saída
Lucas, 5 anos, ouvia a história do pai e, num determinado ponto, o herói entrava numa rua sem saída.
"Mas, pai, se a rua é sem saída, quer dizer que ele vai ter que ficar lá para sempre?"
A lógica sempre impera...
"Mas, pai, se a rua é sem saída, quer dizer que ele vai ter que ficar lá para sempre?"
A lógica sempre impera...
terça-feira, 28 de outubro de 2014
Processo Democrático
Alice estava chateada. O amigo tinha batido nela. O motivo? "Ele estava chateado porque o Aécio perdeu... ele não sabe perder, mãe!"
Daí tive a certeza absoluta do que eu já sabia bem: criança não tem que ser envolvida em eleição, tem que entender apenas que é um processo onde escolhemos nossos líderes políticos. Criança não tem que ser envolvida em partidarismo, tem apenas que entender que todo mundo vota para escolher, pela maioria, quem será o melhor administrador do nosso governo.
Expliquei a ela que num processo eleitoral democrático, eleitores não perdem nada, sempre ganham. Ganham porque tiveram a liberdade de votar em quem queriam e ganham porque puderam participar da escolha de um candidato. Expliquei também que não se trata de uma competição entre eleitores, e sim uma escolha cuidadosa onde cada um diz quem ele acha que será mais capaz de tomar as decisões corretas para todos os cidadãos do nosso país.
"Mas o seu candidato ganhou, mãe?"
"Não, ele não foi escolhido."
"E, você não está chateada?"
"Não. Eu preferia que o outro candidato ganhasse, mas a maioria preferiu o outro. Agora eu passo a torcer e cobrar desse candidato, que cumpra o que prometeu."
Acredito que ela tenha compreendido que nessa brincadeira chamada democracia, o mais importante é participar, e depois, cobrar de quem for eleito, que faça o melhor por todos nós. Mas fiquei triste, muito triste, ao ver que pais são incapazes de perceber que crianças ainda não conseguem elaborar a vitória e a derrota política da forma correta.
Daí tive a certeza absoluta do que eu já sabia bem: criança não tem que ser envolvida em eleição, tem que entender apenas que é um processo onde escolhemos nossos líderes políticos. Criança não tem que ser envolvida em partidarismo, tem apenas que entender que todo mundo vota para escolher, pela maioria, quem será o melhor administrador do nosso governo.
Expliquei a ela que num processo eleitoral democrático, eleitores não perdem nada, sempre ganham. Ganham porque tiveram a liberdade de votar em quem queriam e ganham porque puderam participar da escolha de um candidato. Expliquei também que não se trata de uma competição entre eleitores, e sim uma escolha cuidadosa onde cada um diz quem ele acha que será mais capaz de tomar as decisões corretas para todos os cidadãos do nosso país.
"Mas o seu candidato ganhou, mãe?"
"Não, ele não foi escolhido."
"E, você não está chateada?"
"Não. Eu preferia que o outro candidato ganhasse, mas a maioria preferiu o outro. Agora eu passo a torcer e cobrar desse candidato, que cumpra o que prometeu."
Acredito que ela tenha compreendido que nessa brincadeira chamada democracia, o mais importante é participar, e depois, cobrar de quem for eleito, que faça o melhor por todos nós. Mas fiquei triste, muito triste, ao ver que pais são incapazes de perceber que crianças ainda não conseguem elaborar a vitória e a derrota política da forma correta.
domingo, 10 de agosto de 2014
Até onde vai a memória de um bebê?
Lucas desmamou com 1 ano e 10 meses. Foi um desmame "conversado", tranquilo e super bem aceito por ele. Já se vão 8 meses que isso aconteceu. De lá pra cá nunca mais falamos sobre o assunto e ele já é outra criança.
Eis que estou tirando a roupa para tomar banho com ele e sou surpreendida pelo seguinte comentário:
- Main, olha, é o xêu peitu! Posso mamá o leite?
Solto uma gargalhada sonora e explico a ele que não tem mais leite no meu peito tem muito tempo. Rapidamente ele retruca, num ar tristonho:
- Ahhh, que pena... ondi eu vô tomá meu leite?
Lógico que ri a me acabar... e ele também...
Eis que estou tirando a roupa para tomar banho com ele e sou surpreendida pelo seguinte comentário:
- Main, olha, é o xêu peitu! Posso mamá o leite?
Solto uma gargalhada sonora e explico a ele que não tem mais leite no meu peito tem muito tempo. Rapidamente ele retruca, num ar tristonho:
- Ahhh, que pena... ondi eu vô tomá meu leite?
Lógico que ri a me acabar... e ele também...
segunda-feira, 4 de agosto de 2014
Quando Édipo me encontra!
Lucas estava no quarto, brincando com o pai e a irmã. Eu estava no escritório, bem ao lado. Ouço Lucas saindo do quarto e dizendo: "Quelo a minha mãin, cadê a minha mãin? MÃINNNNNNNN, cadê lucê?"
Respondo que estou no escritório.
Lucas entra, esbaforido, correndo em saltinhos curtos, como sempre faz. Vem até a cadeira onde estou sentada, se joga nos meus braços com um sorriso enorme e exclama: "Eu tavu com sodadi! Ti amu!" Faz um carinho e se manda de volta pro quarto.
E eu, com um sorrisinho de quina, agradeço aos deuses da psique humana por terem criado o complexo de édipo!
Respondo que estou no escritório.
Lucas entra, esbaforido, correndo em saltinhos curtos, como sempre faz. Vem até a cadeira onde estou sentada, se joga nos meus braços com um sorriso enorme e exclama: "Eu tavu com sodadi! Ti amu!" Faz um carinho e se manda de volta pro quarto.
E eu, com um sorrisinho de quina, agradeço aos deuses da psique humana por terem criado o complexo de édipo!
quinta-feira, 17 de julho de 2014
Não tem pão
Alice queria Carbonara. Fui pra cozinha e, junto com ela, o irmão e o pai, fizemos o carbonara que ela adora. Enquanto ralava o queijo, ela comeu vários pedacinhos exclamando que era um queijo delicioso (um pecorino de ovelha MARAVILHOSO mesmo). Servimos o macarrão.
Eu terminei de comer, marido idem, Alice, como de costume quando não está com fome, começa a enrolar para comer. Fala, canta, levanta, samba na cadeira.
"Alice, coma só o quanto quiser, quando estiver satisfeita, não precisa terminar o prato, ok?"
"É que o queijo está meio azedo..." (sempre usa esse tipo de subterfúgio para parar de comer)
"Ok, Alice, não quer comer, não precisa, mas não está azedo, o queijo está ótimo. Eu e teu pai comemos o mesmo queijo e você adorou o queijo antes de estar satisfeita. Basta dizer que está satisfeita, não precisa mais comer."
"Masssss euuuuu querooooo comerrrrrr... é o queijo que está azedooooooooo."
"ok, Alice, você está satisfeita e não está mais com vontade de comer, pode botar o prato na pia."
"Vocêeeeeee naooooooo me ouveeeeee.... você nunca me entendeeeeeeee... eu QUERO comer, o queijo está azedooooo, pra mim!"
"tá bom, Alice, e, o que quer que eu faça?"
"Tira o queijoooooooooo"
"ok, Alice, não tem como tirar o queijo do macarrão, está grudado um no outro... então não precisa comer o macarrão, come uma sobremesa."
"Massssssss, mãeeeeeee... você nunca me entendeeeeeeee...."
"Alice, já entendi. Não quer mais o queijo, enjoou, mas ele está colado no macarrão, então não tem solução. A solução é comer a sua sobremesa, se quiser."
"Então quero um pãozinho com manteiga."
"Não tem pão... tem frutas, tem iogurte grego de morango."
"Não quero, quero pão."
"Não tem pão."
"Então quero iogurte grego de morango, mas quero botar mel nele."
"Alice, não vai botar mel no iogurte grego de morango porque quando fez isso da última vez não comeu porque disse que ficou azedo! E não vai jogar fora o iogurte grego de novo porque é desperdício!"
"Então quero pão!"
"Não tem pão."
Saio da cozinha porque quero tomar banho. DIgo pro marido que a Alice está na cozinha, quer comer uma coisa que não tem, e o que tem ela não quer, que ele resolva porque quero tomar banho.
Alice passa por mim, bufando, vai pra sala e fica emburrada na sala.
"O que foi Alice?"
"O tom que você usou para contar isso pro papai..."
"O que tem meu tom, Alice?"
"Você está dizendo isso pra ele só pra dizer que eu estou te contrariando e eu não estou, eu quero pão!"
"Pão não tem. Você quer pão e pão não tem! Tem iogurte e tem frutas, mas isso você não quer. O que, nessa frase está dizendo que você está me contrariando? Estou falando pro teu pai o que está acontecendo, fatos, só fatos, para ele poder te ajudar, porque eu quero tomar banho."
Vira o rosto, emburra, lágrima pelo rosto.
"Você nunca me entende!"
"Alice, eu não sei que parte da conversa eu não entendi. Deixa eu revisar: Você não quer mais macarrão com queijo, quer sem queijo, sem queijo não tem. Você que pão, pão não tem. Você não quer frutas, nem iogurte, isso tem, mas você não quer. Você não está satisfeita, quer comer ainda, mas o que tem, você não quer... onde foi que eu me perdi, Alice?"
"Você usou um tom!"
"Eu não usei tom, eu falei fatos, sem nem usar entonação... eu estava entediada, usei tom nenhum... estou começando a usar um tom agora, um tom bravo e irritado porque quero tomar banho."
"Você não me ouve!"
"Então, tá, fala!"
"O queijo está azedo, quero macarrão sem o queijo ou quero pão."
"Ok, não tem como tirar o macarrão do queijo ou o queijo do macarrão. E pão não tem. O que eu devo fazer?"
"Me ouvir..."
"Alice, cansei, come o que você quiser, como quiser, com o que quiser em cima... estou indo pro meu banho... decide lá com o teu pai."
Saio e vou tomar banho, pronta para cortar os pulsos com faca de manteiga porque passei 20 minutos nessa discussão insana.
Eu terminei de comer, marido idem, Alice, como de costume quando não está com fome, começa a enrolar para comer. Fala, canta, levanta, samba na cadeira.
"Alice, coma só o quanto quiser, quando estiver satisfeita, não precisa terminar o prato, ok?"
"É que o queijo está meio azedo..." (sempre usa esse tipo de subterfúgio para parar de comer)
"Ok, Alice, não quer comer, não precisa, mas não está azedo, o queijo está ótimo. Eu e teu pai comemos o mesmo queijo e você adorou o queijo antes de estar satisfeita. Basta dizer que está satisfeita, não precisa mais comer."
"Masssss euuuuu querooooo comerrrrrr... é o queijo que está azedooooooooo."
"ok, Alice, você está satisfeita e não está mais com vontade de comer, pode botar o prato na pia."
"Vocêeeeeee naooooooo me ouveeeeee.... você nunca me entendeeeeeeee... eu QUERO comer, o queijo está azedooooo, pra mim!"
"tá bom, Alice, e, o que quer que eu faça?"
"Tira o queijoooooooooo"
"ok, Alice, não tem como tirar o queijo do macarrão, está grudado um no outro... então não precisa comer o macarrão, come uma sobremesa."
"Massssssss, mãeeeeeee... você nunca me entendeeeeeeee...."
"Alice, já entendi. Não quer mais o queijo, enjoou, mas ele está colado no macarrão, então não tem solução. A solução é comer a sua sobremesa, se quiser."
"Então quero um pãozinho com manteiga."
"Não tem pão... tem frutas, tem iogurte grego de morango."
"Não quero, quero pão."
"Não tem pão."
"Então quero iogurte grego de morango, mas quero botar mel nele."
"Alice, não vai botar mel no iogurte grego de morango porque quando fez isso da última vez não comeu porque disse que ficou azedo! E não vai jogar fora o iogurte grego de novo porque é desperdício!"
"Então quero pão!"
"Não tem pão."
Saio da cozinha porque quero tomar banho. DIgo pro marido que a Alice está na cozinha, quer comer uma coisa que não tem, e o que tem ela não quer, que ele resolva porque quero tomar banho.
Alice passa por mim, bufando, vai pra sala e fica emburrada na sala.
"O que foi Alice?"
"O tom que você usou para contar isso pro papai..."
"O que tem meu tom, Alice?"
"Você está dizendo isso pra ele só pra dizer que eu estou te contrariando e eu não estou, eu quero pão!"
"Pão não tem. Você quer pão e pão não tem! Tem iogurte e tem frutas, mas isso você não quer. O que, nessa frase está dizendo que você está me contrariando? Estou falando pro teu pai o que está acontecendo, fatos, só fatos, para ele poder te ajudar, porque eu quero tomar banho."
Vira o rosto, emburra, lágrima pelo rosto.
"Você nunca me entende!"
"Alice, eu não sei que parte da conversa eu não entendi. Deixa eu revisar: Você não quer mais macarrão com queijo, quer sem queijo, sem queijo não tem. Você que pão, pão não tem. Você não quer frutas, nem iogurte, isso tem, mas você não quer. Você não está satisfeita, quer comer ainda, mas o que tem, você não quer... onde foi que eu me perdi, Alice?"
"Você usou um tom!"
"Eu não usei tom, eu falei fatos, sem nem usar entonação... eu estava entediada, usei tom nenhum... estou começando a usar um tom agora, um tom bravo e irritado porque quero tomar banho."
"Você não me ouve!"
"Então, tá, fala!"
"O queijo está azedo, quero macarrão sem o queijo ou quero pão."
"Ok, não tem como tirar o macarrão do queijo ou o queijo do macarrão. E pão não tem. O que eu devo fazer?"
"Me ouvir..."
"Alice, cansei, come o que você quiser, como quiser, com o que quiser em cima... estou indo pro meu banho... decide lá com o teu pai."
Saio e vou tomar banho, pronta para cortar os pulsos com faca de manteiga porque passei 20 minutos nessa discussão insana.
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quarta-feira, 14 de maio de 2014
Ainda sobre fadas...
Hoje, no clube, Alice e o irmão ficaram observando os sprinklers molhando a grama. Formavam lindos arco-iris pertinho de nós. Eu, prontamente, apontei para os jardineiros e falei: "Olha, eles devem ser fadas, eles sabem fabricar arco-íris!"
Alice, num tom absolutamente blasé, me responde que arco-íris não são feitos por fadas, que eles são apenas gotinhas de água que se espalham e fazem o sol colorir o ar (coisas de guria viciada em Beakman's World).
Mais tarde, de noite, conversando com o pai e mostrando as fotos que tiramos dos arco-iris do clube, eu digo que deve ser legal fabricar arco-íris, porque, assim, podemos ir até o final deles facilmente, e ficar ricos pegando potes de ouro. Ela, rindo, me diz que isso é apenas um mito.
"Mas, filha, e as fadas, afinal, são mitos ou existem de verdade?"
"Mitos, né, mãe!"
A exclamação veio seguida de um grito de surpresa, uma mão levada à boca, como quem tenta engolir de volta o que disse, e um comentário cheio de riso, olhando para cima, como quem fala com alguma coisa no ar:
"Quer dizer, tem uma que existe sim, a do dente... ela existe, ela existe..." e, num tom mais baixo, olhando para mim, com uma das caras mais malandras que já vi na minha vida, ela continuou "Droga, será que agora ela não vai mais me trazer o meu dinheiro?"
E, assim, senhoras e senhores, descubro que Alice não acredita em fada de dente nenhuma, quer apenas capitalizar sobre seus lindos dentinhos de leite!
Alice, num tom absolutamente blasé, me responde que arco-íris não são feitos por fadas, que eles são apenas gotinhas de água que se espalham e fazem o sol colorir o ar (coisas de guria viciada em Beakman's World).
Mais tarde, de noite, conversando com o pai e mostrando as fotos que tiramos dos arco-iris do clube, eu digo que deve ser legal fabricar arco-íris, porque, assim, podemos ir até o final deles facilmente, e ficar ricos pegando potes de ouro. Ela, rindo, me diz que isso é apenas um mito.
"Mas, filha, e as fadas, afinal, são mitos ou existem de verdade?"
"Mitos, né, mãe!"
A exclamação veio seguida de um grito de surpresa, uma mão levada à boca, como quem tenta engolir de volta o que disse, e um comentário cheio de riso, olhando para cima, como quem fala com alguma coisa no ar:
"Quer dizer, tem uma que existe sim, a do dente... ela existe, ela existe..." e, num tom mais baixo, olhando para mim, com uma das caras mais malandras que já vi na minha vida, ela continuou "Droga, será que agora ela não vai mais me trazer o meu dinheiro?"
E, assim, senhoras e senhores, descubro que Alice não acredita em fada de dente nenhuma, quer apenas capitalizar sobre seus lindos dentinhos de leite!
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quarta-feira, 30 de abril de 2014
Os dias da semana
Alice já entendeu que a semana tem 5 dias com escola, 2 de final de semana (que ela ainda cisma em chamar de feriado, ou férias, mas, tudo bem). Alice já entendeu que o mês tem algumas semanas. Alice já entendeu que o mês tem vários meses.
Dito isso, Alice já entendeu mas ainda não conseguiu colocar tudo isso numa ordem lógica. Para ajudá-la, coloquei um calendário no quarto dela. É um calendário que ela própria monta todo mês, colocando os dias nos quadradinhos das semanas.
Ontem ela conversava comigo sobre o que levaria na sexta-feira, dia do brinquedo, para a escola. Queria saber quantos dias faltavam para a sexta-feira e foi direto para o seu calendário, para contar. Só que o calendário dela só contabiliza o mês e não entra no mês seguinte e, sexta-feita, dessa vez, é o segundo dia do mês que vem.
Alice, então, olha o calendário e, com o dedinho, começa a contar os dias. De repente, para, me olha, e, num tom entre o assustado e chateado, me diz:
- Mãe, como assim? Não tem mais sexta-feira? Não vou mais poder levar brinquedo pra escola?
Dito isso, Alice já entendeu mas ainda não conseguiu colocar tudo isso numa ordem lógica. Para ajudá-la, coloquei um calendário no quarto dela. É um calendário que ela própria monta todo mês, colocando os dias nos quadradinhos das semanas.
Ontem ela conversava comigo sobre o que levaria na sexta-feira, dia do brinquedo, para a escola. Queria saber quantos dias faltavam para a sexta-feira e foi direto para o seu calendário, para contar. Só que o calendário dela só contabiliza o mês e não entra no mês seguinte e, sexta-feita, dessa vez, é o segundo dia do mês que vem.
Alice, então, olha o calendário e, com o dedinho, começa a contar os dias. De repente, para, me olha, e, num tom entre o assustado e chateado, me diz:
- Mãe, como assim? Não tem mais sexta-feira? Não vou mais poder levar brinquedo pra escola?
quinta-feira, 24 de abril de 2014
No creo en las brujas...
Alice e três amiguinhos estavam sentados comendo. Alice com um dente mole. Falavam sobre a Fada dos dentes e ela contava sobre como ela tinha sido caridosa nos dentes anteriores. Eis que um amiguinho pergunta: "Mas, Alice, você acredita mesmo na fada dos dentes?"
E, ela, sem titubear: "Olha, não sei, mas acho melhor não falar mal dela não, viu?"
Acho que essa é a versão de "No creo en las brujas, mas que las hay, las hay!"
E, ela, sem titubear: "Olha, não sei, mas acho melhor não falar mal dela não, viu?"
Acho que essa é a versão de "No creo en las brujas, mas que las hay, las hay!"
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terça-feira, 15 de abril de 2014
terça-feira, 18 de março de 2014
Décimo Dan das trocas de fraldas
Faixa Branca - O teu bebê chega em casa, aquele pacotinho frágil e tão pequeno. A troca de fraldas é complexa. Você tem que limpar com todo cuidado e atenção, passar creme, acertar a posição da fralda, fechar corretamente, sem apertar sem deixar solta demais. Para isso, só com luz... então é luz de madrugada, de dia, e sempre que troca fralda.
Faixa amarela - O teu bebê já tem uns 3 meses, você já se acostumou a trocas as fraldas na meia luz, ainda sente a necessidade de mil cremes e águas e paninhos. E, ainda erra o ajuste da fralda uma vez ou outra.
Faixa azul - O seu bebê já consegue se virar e você, agora, precisou aprender a tirar a fralda de coco, limpar a bunda, passar o creme, e colocar a fralda de volta enquanto ele faz rotações com o quadril. Não é raro rolar um acidente aqui e ali, onde uma bunda suja encosta no que estiver por perto. Quando ele está dormindo, você já consegue trocar sem mil cremes e águas e paninhos. Ajustes já são fáceis.
Faixa roxa - o seu bebê, agora, descobriu que enfiar a mão entre as pernas durante as trocas, especialmente aquelas CHEIAS de coco, é bem divertido. Você aprendeu a trocar fralda com uma só mão, enquanto a outra firma a criatura no trocador, para evitar as tais rotações. Durante a noite, as trocas já são rápidas e rasteiras, bastando uma luzinha bem fraca, e um lenço umedecido só pra dizer que não deixou melado de pipi mesmo.
Faixa marrom - seu bebê é um bípede perfeito. Ele agora tem vontade própria e uma delas é a vontade de não trocar fraldas. Juntando isso ao bipedismo, trocas de fralda começam a parecer com alguma coisa meio cinematográfica onde há fuga e perseguição. Quando, finalmente, você consegue coagir a criatura a deitar para a troca de fraldas, é abrir a fralda e ela ter algum conteúdo, que você tem vontade de jogar a criatura fora e arranjar uma nova, porque essa parece estar estragada por dentro. Nessa fase você consegue segurar a criança firme no trocador com uma mão, trocar a fralda com a outra, e, tudo isso, segurando a respiração! De noite, já troca a fralda em questão 1 minuto, com uma luz bem fraquinha, e já decidiu que um pouquinho de pipi na pele não vai matar ninguém.
Faixa preta - Você já consegue tirar a fralda da criança enquanto ela está de pé, já decidiu que é melhor lavar a bunda na pia mesmo, já descobriu uma forma de distrair a criatura por um ou 2 minutos enquanto você coloca a fralda de volta com ela deitada, que ainda é um pequeno desafio. De noite já troca a fralda no escuro, mas isso requer cerca de 5 minutos e muitos ajustes e reajustes.
Décimo Dan - Você já veste a fralda na criatura com ela em pé, enquanto ela pula e vira e tenta te mostrar que o livro que ela gosta é muito legal. De noite, no breu absoluto, usando apenas o tato, você já troca a fralda da criança em menos de um minuto e sem acordá-la!
Faixa amarela - O teu bebê já tem uns 3 meses, você já se acostumou a trocas as fraldas na meia luz, ainda sente a necessidade de mil cremes e águas e paninhos. E, ainda erra o ajuste da fralda uma vez ou outra.
Faixa azul - O seu bebê já consegue se virar e você, agora, precisou aprender a tirar a fralda de coco, limpar a bunda, passar o creme, e colocar a fralda de volta enquanto ele faz rotações com o quadril. Não é raro rolar um acidente aqui e ali, onde uma bunda suja encosta no que estiver por perto. Quando ele está dormindo, você já consegue trocar sem mil cremes e águas e paninhos. Ajustes já são fáceis.
Faixa roxa - o seu bebê, agora, descobriu que enfiar a mão entre as pernas durante as trocas, especialmente aquelas CHEIAS de coco, é bem divertido. Você aprendeu a trocar fralda com uma só mão, enquanto a outra firma a criatura no trocador, para evitar as tais rotações. Durante a noite, as trocas já são rápidas e rasteiras, bastando uma luzinha bem fraca, e um lenço umedecido só pra dizer que não deixou melado de pipi mesmo.
Faixa marrom - seu bebê é um bípede perfeito. Ele agora tem vontade própria e uma delas é a vontade de não trocar fraldas. Juntando isso ao bipedismo, trocas de fralda começam a parecer com alguma coisa meio cinematográfica onde há fuga e perseguição. Quando, finalmente, você consegue coagir a criatura a deitar para a troca de fraldas, é abrir a fralda e ela ter algum conteúdo, que você tem vontade de jogar a criatura fora e arranjar uma nova, porque essa parece estar estragada por dentro. Nessa fase você consegue segurar a criança firme no trocador com uma mão, trocar a fralda com a outra, e, tudo isso, segurando a respiração! De noite, já troca a fralda em questão 1 minuto, com uma luz bem fraquinha, e já decidiu que um pouquinho de pipi na pele não vai matar ninguém.
Faixa preta - Você já consegue tirar a fralda da criança enquanto ela está de pé, já decidiu que é melhor lavar a bunda na pia mesmo, já descobriu uma forma de distrair a criatura por um ou 2 minutos enquanto você coloca a fralda de volta com ela deitada, que ainda é um pequeno desafio. De noite já troca a fralda no escuro, mas isso requer cerca de 5 minutos e muitos ajustes e reajustes.
Décimo Dan - Você já veste a fralda na criatura com ela em pé, enquanto ela pula e vira e tenta te mostrar que o livro que ela gosta é muito legal. De noite, no breu absoluto, usando apenas o tato, você já troca a fralda da criança em menos de um minuto e sem acordá-la!
segunda-feira, 10 de março de 2014
Visão moderna
Alice e eu estávamos vendo um filme, não lembro bem qual. Numa cena, alguma coisa fantástica aconteceu, algo como uma pessoa voando ou coisa assim e eu, que adoro pilhar a criança, comento:
"Filha, que maneiro, essa mulher VOA!"
Alice me olha e ri: "Não voa não mãe! É só no filme!"
"Voa sim... olha lá! Se ela não voa, como é que conseguiram filmar ela voando?"
"Ahhh, mãe... sabe como você pega e melhora as tuas fotos para ficarem do jeito que você quer? Isso aí é igual, só que no filme!"
E, assim, minha filha me demonstra que já sabe que as praias que vamos não são, verdadeiramente, desertas... the dream is over!
"Filha, que maneiro, essa mulher VOA!"
Alice me olha e ri: "Não voa não mãe! É só no filme!"
"Voa sim... olha lá! Se ela não voa, como é que conseguiram filmar ela voando?"
"Ahhh, mãe... sabe como você pega e melhora as tuas fotos para ficarem do jeito que você quer? Isso aí é igual, só que no filme!"
E, assim, minha filha me demonstra que já sabe que as praias que vamos não são, verdadeiramente, desertas... the dream is over!
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
Você sabe que está fazendo um bom trabalho quando...
Uma amiga minha acabou de ter bebê. Parto normal. Alice veio comigo visitar na maternidade. Depois, em casa, ela começa a seguinte conversa.
"Mamãe, acho que vou preferir ter bebê pela perereca! Eu sei que dói mais na hora, mas, depois, quando chega em casa, você não sente tanta dor, nem tem que ficar com a barriga cortada! É... vou querer ter meus filhos pela perereca!"
E, assim, a mãe respira aliviada, sabendo que está ensinando as coisas certas para a filha!
"Mamãe, acho que vou preferir ter bebê pela perereca! Eu sei que dói mais na hora, mas, depois, quando chega em casa, você não sente tanta dor, nem tem que ficar com a barriga cortada! É... vou querer ter meus filhos pela perereca!"
E, assim, a mãe respira aliviada, sabendo que está ensinando as coisas certas para a filha!
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terça-feira, 24 de dezembro de 2013
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
O que o seu filho pensa de você?
Eu adoraria saber o que os meus filhos diriam sobre mim...
A New Perspective For Moms from Elevation Church on Vimeo.
A New Perspective For Moms from Elevation Church on Vimeo.
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
"Que essa cadeira nunca entre em obra" no Paratodos
Hoje é dia de vestir a orgulhosa camisa da luta pela inclusão e ser a autora convidada do Paratodos! Visitem!!!!
"Que essa cadeira nunca entre em obra" - Paratodos
"Que essa cadeira nunca entre em obra" - Paratodos
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
Novo Blog no Pedaço
Tem novo blog no pedaço, e esse é do tipo que merece ser divulgado!
ParaTodos: Por um mundo onde ninguém fica para trás
ParaTodos: Por um mundo onde ninguém fica para trás
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
Já é natal no mundo de Alice
No banho, conversando com Alice sobre as festividades que estão chegando. Falei para ela que ela tinha que pensar nos presentes que ia pedir, de aniversário e natal, para os avós. Lembrei que deveriam ser presentes que não fossem caros demais.
"Mãe, mas brinquedo é sempre caro, né?"
"Alguns são sim, filha. Mas tem muito brinquedo legal que não é tão caro assim e que dá pra pedir. E, dá pra aproveitar que seu aniversário é quase junto do natal e pedir, ao invés de 2 presentes baratinhos, um presente mais caro. É uma idéia bem bacana também. E nem precisa ser brinquedo."
"Ahhh, mãe, mas não dá, porque o presente de natal não é presente caro. Nem precisava dar presente. Porque natal não é sobre presente. É para comemorar o papai noel. Aí a gente só dá umas lembrancinhas, pra dizer que gostamos das pessoas, e não pra dar presente caro! Além do mais, eu já tenho tanto brinquedo, né?"
Pronto, a mãe já pode morrer feliz, né?
"Mãe, mas brinquedo é sempre caro, né?"
"Alguns são sim, filha. Mas tem muito brinquedo legal que não é tão caro assim e que dá pra pedir. E, dá pra aproveitar que seu aniversário é quase junto do natal e pedir, ao invés de 2 presentes baratinhos, um presente mais caro. É uma idéia bem bacana também. E nem precisa ser brinquedo."
"Ahhh, mãe, mas não dá, porque o presente de natal não é presente caro. Nem precisava dar presente. Porque natal não é sobre presente. É para comemorar o papai noel. Aí a gente só dá umas lembrancinhas, pra dizer que gostamos das pessoas, e não pra dar presente caro! Além do mais, eu já tenho tanto brinquedo, né?"
Pronto, a mãe já pode morrer feliz, né?
terça-feira, 15 de outubro de 2013
Alicices: O Braille
Visitando o museu, vejo uma plaquinha explicativa em Braille. Chamo Alice e mostro a ela a plaqunha. Ela, atenta, passa o dedo e acha incrível que alguém consiga ler aquilo com os dedos. Explico a ela que é um código, e que os cegos aprendem a sentir o relevo das bolinhas e formar palavras com aqueles códigos.
"Mas, mãe, olha só, se a pessoa é cega, como é que ela vai saber que tem uma plaquinha nesse lugar aqui para ela passar o dedo?"
E assim eu fui obrigada a confessar a ela que a lógico dela era irrefutável e que eu realmente não sabia como sabiam!
"Mas, mãe, olha só, se a pessoa é cega, como é que ela vai saber que tem uma plaquinha nesse lugar aqui para ela passar o dedo?"
E assim eu fui obrigada a confessar a ela que a lógico dela era irrefutável e que eu realmente não sabia como sabiam!
terça-feira, 1 de outubro de 2013
"Mesa Feia": Erros na educação
Abri a porta de casa e me coloquei de pé ao lado da porta, para fechar a porta depois que as crianças entrassem. Eu tinha uma bandeja nas mãos. Alice, distraída, acerta a testa na quina da bandeja. Eu a olho e pergunto se está tudo bem, já meio que pedindo desculpas por ela ter batido a cabeça na bandeja.
"Foi sua culpa! Você ficou parada e eu bati a cabeça na bandeja! Você é feia, não quero mais ser sua amiga!" berrou a baixinha aos prantos.
Por alguns segundos fiquei atônita, sem saber o que dizer. Fiquei chocada com a atitude dela, quando eu estava justamente pedindo desculpas por... peraí, porque mesmo? Ahhh... sim, POR ESTAR PARADA!
Aí é que me dei conta do absurdo que estava acontecendo. Do absurdo não, da sequência de absurdos!
Primeiro eu pedir desculpas por estar parada. Mas, ok, quando, sem querer, machucamos alguém pedimos desculpas, né?
Depois pela explosão dela e da rapidez em me acusar e agredir por tê-la machucado quando, tudo o que fiz, foi estar ali, parada.
Respirei fundo e preparei a bronca, eu estava, além de horrorizada com aquilo, magoada pelo fato de que minha filha pudesse acreditar que eu a machucaria de propósito.
Coloquei ela sentada e dei a primeira bronca, por ter me agredido verbalmente, sem demonstrar nenhum respeito. E não digo respeito pelo fato de eu ser mãe, ou superior ou nada disso. Respeito pelo fato de que eu estava pedindo desculpas mas, mesmo assim, ela preferiu me agredir verbalmente.
Ainda assim ela estava furiosa. Acreditava, realmente, que era minha culpa.
Mandei-a pensar sobre porque eu estava tão chateada com ela e porque eu merecia um pedido de desculpas.
Na verdade eu estava tentando entender de onde tinha vindo aquela raiva toda.
Depois de alguns minutos sentada, pensando, ela me pediu desculpas por ter me agredido, mesmo eu tendo pedido desculpas, mas fechou o pedido de desculpas com "Mas, você me machucou, você tinha que ter andado e saído da frente. É TUA culpa se eu me machuquei!"
E me veio um estalo.
"Alice, se você estivesse andando e esbarrasse numa mesa, de quem era a culpa? Da mesa ou tua?" Perguntei, num tom muito sério.
"Da mesa... a mesa é feia porque ela me machucou!" Respondeu Alice, ainda muito brava.
"Mas, Alice, a mesa não pode ter te machucado porque ela não se mexe, ela não faz nada, nada mesmo... ela é um móvel, não tem vida. Se ela não mexe, não pode machucar você... você é quem se machucou, né?" Questionei.
Alice parou e pensou. Ficou ali, de bico, por uns bons 5 minutos.
"Alice," cutuquei "Você realmente acha que a mesa tem culpa se você se machuca nela?"
"Não... mas ela é uma mesa... você não é uma mesa... você tinha que ter saído da minha frente né?"
"Alice, COMO eu poderia adivinhar que você ia esbarrar em mim se eu estava ali, parada, sem me mexer, igualzinho à mesa? Você tem que entender que eu não estava me mexendo, estava PARADA. Antes mesmo de você começar a andar para entrar em casa, eu estava parada! Eu estava igualzinha a uma mesa. Não me mexia. Como eu poderia ter culpa por ter te machucado se eu estava parada?"
Ela só bufou, não respondeu.
"Alice, eu sei que tem gente que, sempre que você esbarra em alguma coisa, ou tropeça ou se machuca, olha pra mesa, pro chão ou para seja o que for que estava no caminho e causou o machucado, e diz 'mesa feia, chão feio, coisa feia, você machucou a Alice'. Mas, entenda, essas pessoas estão erradas! Coisas paradas não podem ser culpadas por você esbarrar, tropeçar ou cair. Só você é responsável por isso, só você! Entenda isso e aí nós duas vamos poder conversar de novo!"
Saí dali e deixei ela sentada, pensando, em silêncio.
Pouco depois ela me chamou.
"Mãe, olha só, é engraçado falar que uma mesa é feia porque eu esbarrei nela... é muito engraçado, porque mesa é coisa, né?"
"Alice, então, de quem foi a culpa do nosso esbarrão?"
"Foi minha, mãe... eu achei que você ia andar e aí esbarrei em você."
"Então, filha, desculpas por eu, sem querer machucado você, ok? E, parabéns, você acabou de virar um pouco mais mocinha por entender que você é responsável pelas coisas que faz e não pode botar a culpa nos outros."
E, a partir de agora, fica terminantemente proibido que qualquer pessoa diga "Mesa feia, machucou a Alice" para a minha filha... aliás, já pode aproveitar essa mesma regra para o meu filho. Tropeçou, caiu, a frase é "tá tudo bem? o que houve, não viu a pedra no caminho?"
"Foi sua culpa! Você ficou parada e eu bati a cabeça na bandeja! Você é feia, não quero mais ser sua amiga!" berrou a baixinha aos prantos.
Por alguns segundos fiquei atônita, sem saber o que dizer. Fiquei chocada com a atitude dela, quando eu estava justamente pedindo desculpas por... peraí, porque mesmo? Ahhh... sim, POR ESTAR PARADA!
Aí é que me dei conta do absurdo que estava acontecendo. Do absurdo não, da sequência de absurdos!
Primeiro eu pedir desculpas por estar parada. Mas, ok, quando, sem querer, machucamos alguém pedimos desculpas, né?
Depois pela explosão dela e da rapidez em me acusar e agredir por tê-la machucado quando, tudo o que fiz, foi estar ali, parada.
Respirei fundo e preparei a bronca, eu estava, além de horrorizada com aquilo, magoada pelo fato de que minha filha pudesse acreditar que eu a machucaria de propósito.
Coloquei ela sentada e dei a primeira bronca, por ter me agredido verbalmente, sem demonstrar nenhum respeito. E não digo respeito pelo fato de eu ser mãe, ou superior ou nada disso. Respeito pelo fato de que eu estava pedindo desculpas mas, mesmo assim, ela preferiu me agredir verbalmente.
Ainda assim ela estava furiosa. Acreditava, realmente, que era minha culpa.
Mandei-a pensar sobre porque eu estava tão chateada com ela e porque eu merecia um pedido de desculpas.
Na verdade eu estava tentando entender de onde tinha vindo aquela raiva toda.
Depois de alguns minutos sentada, pensando, ela me pediu desculpas por ter me agredido, mesmo eu tendo pedido desculpas, mas fechou o pedido de desculpas com "Mas, você me machucou, você tinha que ter andado e saído da frente. É TUA culpa se eu me machuquei!"
E me veio um estalo.
"Alice, se você estivesse andando e esbarrasse numa mesa, de quem era a culpa? Da mesa ou tua?" Perguntei, num tom muito sério.
"Da mesa... a mesa é feia porque ela me machucou!" Respondeu Alice, ainda muito brava.
"Mas, Alice, a mesa não pode ter te machucado porque ela não se mexe, ela não faz nada, nada mesmo... ela é um móvel, não tem vida. Se ela não mexe, não pode machucar você... você é quem se machucou, né?" Questionei.
Alice parou e pensou. Ficou ali, de bico, por uns bons 5 minutos.
"Alice," cutuquei "Você realmente acha que a mesa tem culpa se você se machuca nela?"
"Não... mas ela é uma mesa... você não é uma mesa... você tinha que ter saído da minha frente né?"
"Alice, COMO eu poderia adivinhar que você ia esbarrar em mim se eu estava ali, parada, sem me mexer, igualzinho à mesa? Você tem que entender que eu não estava me mexendo, estava PARADA. Antes mesmo de você começar a andar para entrar em casa, eu estava parada! Eu estava igualzinha a uma mesa. Não me mexia. Como eu poderia ter culpa por ter te machucado se eu estava parada?"
Ela só bufou, não respondeu.
"Alice, eu sei que tem gente que, sempre que você esbarra em alguma coisa, ou tropeça ou se machuca, olha pra mesa, pro chão ou para seja o que for que estava no caminho e causou o machucado, e diz 'mesa feia, chão feio, coisa feia, você machucou a Alice'. Mas, entenda, essas pessoas estão erradas! Coisas paradas não podem ser culpadas por você esbarrar, tropeçar ou cair. Só você é responsável por isso, só você! Entenda isso e aí nós duas vamos poder conversar de novo!"
Saí dali e deixei ela sentada, pensando, em silêncio.
Pouco depois ela me chamou.
"Mãe, olha só, é engraçado falar que uma mesa é feia porque eu esbarrei nela... é muito engraçado, porque mesa é coisa, né?"
"Alice, então, de quem foi a culpa do nosso esbarrão?"
"Foi minha, mãe... eu achei que você ia andar e aí esbarrei em você."
"Então, filha, desculpas por eu, sem querer machucado você, ok? E, parabéns, você acabou de virar um pouco mais mocinha por entender que você é responsável pelas coisas que faz e não pode botar a culpa nos outros."
E, a partir de agora, fica terminantemente proibido que qualquer pessoa diga "Mesa feia, machucou a Alice" para a minha filha... aliás, já pode aproveitar essa mesma regra para o meu filho. Tropeçou, caiu, a frase é "tá tudo bem? o que houve, não viu a pedra no caminho?"
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