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sexta-feira, 9 de maio de 2014

Sobre a Festa das Mães, dos Pais e da Família

Essa semana a discussão em voga é a questão da Festas das Mães na escola. De um lado esbravejam as mães que acham que não tem que ter porque é um desrespeito com crianças que não vivem em famílias ditas tradicionais, do outro as mães que se lamuriam porque querem ser homenageadas, e no meio disso tudo, as crianças sem saber o que fazer!
Eu acho que não dá pra ser radical pra nenhum dos lados... e acho que, mesmo quando discordamos, dá pra usar a coisa como um momento de aprendizado.

Eu, pessoalmente, não me importo se chamarem de Festa do Mico Leão Dourado... mas curto que, em algum momento (ou mais de um), meus filhos tenham a oportunidade de fazer presentinhos para as pessoas que amam, eles CURTEM fazer isso e ainda aprendem que o valor de um presente não está no preço e sim na intenção! Curto também que eles possam se apresentar para os pais uma ou outra vez, isso trabalha a timidez, a capacidade de se expor em público, e também mostra aos pais o que eles andam fazendo! Os ensaios servem como aula de música e expressão corporal, coisas muito importantes! E, principalmente, eles AMAM mostrar que sabem se apresentar!
Uma escola pode aproveitar esse momento para trabalhar a questão da maternidade como sendo mais do que gerar um filho... podem ensinar que mãe é bem mais do que a mulher que "embarrigou", é a pessoa, de qualquer gênero, que materna, ou seja, que cuida e dá amor e educação. Pode ensinar para as crianças que, sim, existem pessoas que não têm mais mães presentes aqui, e que a morte existe, o abandono existe, mas que sempre haverá alguém que preencherá a função materna, mesmo que seja um pai, uma avó, uma mardinha, um amigo da família! A mesma coisa no dia dos pais.
Eu já presenciei uma criança filha de mãe solteira, numa festa do dia dos pais, toda orgulhosa, explicando para os amiguinhos que a mãe dela era mãe E pai, era Pãe! Lógico que isso foi fruto de um trabalho feito pela escola e pela mãe da criança em harmonia, planejado e arquitetado!
O problema maior que eu vejo nesses tabus sobre ter ou não ter a festa das mães não é o fato da festa em si, mas a dificuldade que nós, adultos, temos para tomar algumas oportunidades em nosso favor. Essa criança que tem 2 pais, 2 mães, uma pãe, um mai, etc, ao sair da escola, e entrar no mundo (e não falo depois de se formar não, estou falando ao meio dia ou as 17h, quando vai pra casa), vai ter que encarar um mundo com essa realidade e, porque não usar o ambiente protegido da escola para ensinar que isso é NORMAL, que todas as configurações de família são NORMAIS e dar a essa criança as armas para chegar no mundo real e falar, com propriedade, os motivos pelos quais a configuração "alternativa" de família dela, não deixa de ser pura e simplesmente, uma família.
Eu não me incomodo que deixem de ter a festa das mães ou dos pais não, também não faço questão que tenham esse nome... mas faço questão que os adultos não criem tabus em nome de "proteger" as crianças... eu quero, sim, que meus filhos entendam, e bem, que nem sempre a família é aquele anúncio de margarina com mamãe, papai, 2 filhos e um cachorro. Quero que entendam e, aceitem como absolutamente normais, todas as configurações possíveis de família! Não quero que cresçam achando que é 'RUIM' ter 2 pais ou 2 mães ou seja lá o que for... e, sinceramente, acho que o radicalismo de eliminar essas festividades na escola está mandando a mensagem errada para as crianças, está dizendo para elas que é melhor não falar sobre esse assunto porque ele incomoda muita gente! 
Prefiro uma escola que tenha a festa das mães e dos pais e discuta, amplamente, a questão da família atual, do que uma escola que tampa o sol com a peneira e não toca no assunto porque tem criança ali que não vive no comercial de margarina!
Infelizmente tem muita escola que simplesmente aboliu a festa e não toca no assunto porque acha que é "apenas uma festa comercial", ou pior, que mudou o nome da "festa" para Festa da Família e faz uma coisa absolutamente sem foco nenhum, onde as crianças chegam na escola com os pais e ficam perambulando jogando joguinhos ou coisa similar, e, no final das contas ninguém faz nada e a "festa" foi só para constar no calendário e agradar a gregos e troianos.
Poucas são as escolas que se aproveitam desse momento para discutir as novas realidades! O que tenho visto são escolas morrendo de medo de ferir egos e escolas pisando em ovos nesses momentos... acho triste, muito triste... 
Eu vejo a coisa como um desfavor para as futuras gerações, porque a data comercial não será apagada, a noção da família margarina está aí, presente, ela não vai desaparecer, A NÃO SER QUE A COISA SEJA FALADA! E não está sendo... 
A questão familiar é um grande tabu no nosso país... virou assunto interno para as famílias ensinarem como quiserem... a escola está tirando o corpo fora.
A onda de fazer a "Festa da Família" só funciona mesmo se explicarem PORQUE é da família e não é mais FESTA DAS MÃES...
Eu acho que essa fúria contra a festa das mães na escola pode virar um grande tiro no pé!


PS em 2015 - ser mãe é cuspir para cima, pensar e repensar... mudei de idéia sobre muita coisa que escrevi nessa postagem e, hoje, acho que não tem mesmo que ter dia das mães/pais... MAS ainda acho que, na época em que essas datas são muito faladas na mídia e no comércio, é FUNDAMENTAL que a escola aproveite o gancho para falar sobre as novas configurações de família!

Um comentário:

  1. Amei tua postagem :D vou compartilhar pra que mais pessoas possam ler, continue com esse blog lindo. Não tenho filhos, mas gosto muito de ler histórias de quem tem.

    Abraços e muitos beijos pra Alice e pro Lucas :*

    Ps.: estou usando a conta do gmail do meu namorado, mas sou Paula Jaqueline (paulajsilva6@gmail.com)

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